Sabia que não poderia esconder nada do pai, pois ele era astuto demais para perceber qualquer entrelinha.
— Sim, papai.
Sem acreditar no que acabava de ouvir, Saulo começou a caminhar inquieto pela sala, batendo levemente o pé e mordendo o lábio.
— Quando isso aconteceu? — perguntou, a voz mais alterada a cada sílaba.
— Numa noite, antes de eu viajar — respondeu Eloá, tentando soar firme.
— Mas naquela noite você ficou na casa dos seus avós — retrucou ele, incrédulo.
— Sim, mas eu saí de madrugada e fui me encontrar com ele na casa de praia dos pais dele — disse ela, quase sussurrando, sabendo que cada palavra pesava no ar.
— Isso só pode ser uma brincadeira — praguejou Saulo, passando a mão pelo cabelo, visivelmente perturbado.
Denise arqueou uma sobrancelha, com o olhar afiado como uma lâmina:
— Espera… No dia em que te buscamos, passamos pela casa de praia da Aurora, e o carro que estava lá era do Henri.
— Sim, o carro era do Henri, mas quem estava lá era o Gael. Fui eu quem pediu que ele me encontrasse. Fui eu quem quis o encontro — respondeu, tentando que a verdade a protegesse da raiva do pai.
— Não, isso não é verdade — murmurou Saulo, com os punhos cerrados. — Está dizendo isso para tentar proteger aquele safado.
— Não, pai! — Levantou a voz, agora decidida. — Já disse que a culpa foi minha! Fui eu quem quis me encontrar com ele ali!
— Mas, filha… você me disse uns dias antes que não sentia nada pelo Gael — disse Denise, avaliando cada palavra da filha.
— As coisas mudam, mamãe — confessou, baixando a cabeça, sentindo o peso do silêncio que caiu na sala.
O clima ficou ainda mais pesado. Saulo parou de andar e encarou a filha, com a respiração curta, enquanto Denise cruzava os braços, observando cada gesto dela.
— Foi por isso que, quando brinquei que iria parar o carro na casa de praia para pegar o Henri de surpresa, você agiu tão estranho, não foi?
— Sim… — disse ela, envergonhada. — Se tivessem parado lá, teriam encontrado o Gael e ele teria ficado desconfortável.
— Desconfortável? — praguejou ele, cerrando os punhos. — Ah, se eu soubesse disso antes… eu teria parado o carro e dado um jeito nele ali mesmo!
— Foi a sua primeira vez? — Denise perguntou, com a voz cautelosa.
— Mãe! — Eloá protestou, envergonhada, desviando o olhar.
— Responsabilidade não é sinônimo de controle, pai! Tenho escolhas, tenho sentimentos e não vou aceitar que use isso para me intimidar ou me humilhar!
— Intimidar? Humilhar? — ele repetiu, incrédulo, se aproximando dela. — Você não entende a gravidade do que fez!
— Sei muito bem da gravidade! — ela gritou, sentindo o coração disparar. — Mas não é motivo para me tratar como um objeto que você pode quebrar quando quiser. Esse bebê, minha vida, meus sentimentos… tudo isso merece respeito!
— Acho que subestimei você — disse ele. — Vendo sua atitude agora, percebo o quanto foi mimada. Acha que cuidar de uma criança é fácil? Você não tem emprego e agora, com essa gravidez, nem vai ter estudos. Me diz, o que pretende fazer?
Os olhos dela se arregalaram, sem acreditar que estava ouvindo aquilo do próprio pai.
— Acha que, por ter um pai rico, está isenta das responsabilidades? — continuou, gesticulando com raiva.
— Eu nunca te pedi um centavo!
— Ah, não, claro que não — retrucou ele, ironizando. — Afinal, morava num apartamento de graça, estudava sem pagar nada, ainda recebia mesada e dinheiro das ações da empresa. É claro que não precisava de mim para nada!
O clima na sala ficou eletricamente pesado. Era impossível dizer quem explodiria primeiro: o pai furioso ou a filha desafiadora.
— Se faz questão de tudo isso, tudo bem então, fique com tudo! Eu vou embora imediatamente! — disse Eloá, dirigindo-se à porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...