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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 284

Sabia que não poderia esconder nada do pai, pois ele era astuto demais para perceber qualquer entrelinha.

— Sim, papai.

Sem acreditar no que acabava de ouvir, Saulo começou a caminhar inquieto pela sala, batendo levemente o pé e mordendo o lábio.

— Quando isso aconteceu? — perguntou, a voz mais alterada a cada sílaba.

— Numa noite, antes de eu viajar — respondeu Eloá, tentando soar firme.

— Mas naquela noite você ficou na casa dos seus avós — retrucou ele, incrédulo.

— Sim, mas eu saí de madrugada e fui me encontrar com ele na casa de praia dos pais dele — disse ela, quase sussurrando, sabendo que cada palavra pesava no ar.

— Isso só pode ser uma brincadeira — praguejou Saulo, passando a mão pelo cabelo, visivelmente perturbado.

Denise arqueou uma sobrancelha, com o olhar afiado como uma lâmina:

— Espera… No dia em que te buscamos, passamos pela casa de praia da Aurora, e o carro que estava lá era do Henri.

— Sim, o carro era do Henri, mas quem estava lá era o Gael. Fui eu quem pediu que ele me encontrasse. Fui eu quem quis o encontro — respondeu, tentando que a verdade a protegesse da raiva do pai.

— Não, isso não é verdade — murmurou Saulo, com os punhos cerrados. — Está dizendo isso para tentar proteger aquele safado.

— Não, pai! — Levantou a voz, agora decidida. — Já disse que a culpa foi minha! Fui eu quem quis me encontrar com ele ali!

— Mas, filha… você me disse uns dias antes que não sentia nada pelo Gael — disse Denise, avaliando cada palavra da filha.

— As coisas mudam, mamãe — confessou, baixando a cabeça, sentindo o peso do silêncio que caiu na sala.

O clima ficou ainda mais pesado. Saulo parou de andar e encarou a filha, com a respiração curta, enquanto Denise cruzava os braços, observando cada gesto dela.

— Foi por isso que, quando brinquei que iria parar o carro na casa de praia para pegar o Henri de surpresa, você agiu tão estranho, não foi?

— Sim… — disse ela, envergonhada. — Se tivessem parado lá, teriam encontrado o Gael e ele teria ficado desconfortável.

— Desconfortável? — praguejou ele, cerrando os punhos. — Ah, se eu soubesse disso antes… eu teria parado o carro e dado um jeito nele ali mesmo!

— Foi a sua primeira vez? — Denise perguntou, com a voz cautelosa.

— Mãe! — Eloá protestou, envergonhada, desviando o olhar.

— Responsabilidade não é sinônimo de controle, pai! Tenho escolhas, tenho sentimentos e não vou aceitar que use isso para me intimidar ou me humilhar!

— Intimidar? Humilhar? — ele repetiu, incrédulo, se aproximando dela. — Você não entende a gravidade do que fez!

— Sei muito bem da gravidade! — ela gritou, sentindo o coração disparar. — Mas não é motivo para me tratar como um objeto que você pode quebrar quando quiser. Esse bebê, minha vida, meus sentimentos… tudo isso merece respeito!

— Acho que subestimei você — disse ele. — Vendo sua atitude agora, percebo o quanto foi mimada. Acha que cuidar de uma criança é fácil? Você não tem emprego e agora, com essa gravidez, nem vai ter estudos. Me diz, o que pretende fazer?

Os olhos dela se arregalaram, sem acreditar que estava ouvindo aquilo do próprio pai.

— Acha que, por ter um pai rico, está isenta das responsabilidades? — continuou, gesticulando com raiva.

— Eu nunca te pedi um centavo!

— Ah, não, claro que não — retrucou ele, ironizando. — Afinal, morava num apartamento de graça, estudava sem pagar nada, ainda recebia mesada e dinheiro das ações da empresa. É claro que não precisava de mim para nada!

O clima na sala ficou eletricamente pesado. Era impossível dizer quem explodiria primeiro: o pai furioso ou a filha desafiadora.

— Se faz questão de tudo isso, tudo bem então, fique com tudo! Eu vou embora imediatamente! — disse Eloá, dirigindo-se à porta.

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