Sem acreditar no que o amigo acabava de dizer, Oliver fechou os punhos e caminhou na direção de Saulo.
— Está mesmo dizendo que prefere me enfrentar do que parar para ouvir o que nossos filhos têm a dizer? — perguntou, ainda incrédulo com aquela situação.
— Já disse que nada do que o seu filho fale vai mudar o que sinto! — respondeu Saulo, histérico, avançando um passo. — Sei que ele é seu filho, Oliver, mas nada disso muda o que fez com a minha filha. Você deveria tentar entender o meu lado, ainda mais agora que vai ser pai de uma menina.
— Eu não estou defendendo a atitude do meu filho — respondeu Oliver, controlando o tom da voz. — Estou apenas tentando evitar que você o agrida. Devemos usar a lógica agora, não, a força bruta.
— Que se dane a lógica! — explodiu, cerrando os punhos. — Eu não consigo olhar para a cara dele e não querer socar. — Logo ele, que eu achava ser um rapaz direito, acabou mostrando que não presta! Eu já disse, vou acabar com a raça dele, Oliver, e é melhor você sair da frente!
Vendo que os dois amigos de longa data estavam prestes a se enfrentar, Aurora entrou no meio, andando rápido em direção a eles.
— Pelo amor de Deus, parem com isso! — implorou, num tom nervoso. — Só de olhar para vocês, dá para entender por que eles tentaram esconder tudo.
— A Aurora tem razão — disse Denise, aproximando-se também. — Você está agindo como um louco, Saulo. Não está pensando direito. É assim que pretende consertar as coisas?
— Morena, olha para nossa filha — ele retrucou, indignado. — Ela tem apenas 17 anos e está grávida! Acha mesmo que isso dá para consertar com conversa?
— Se você sabe que não, também sabe que apelar para a violência só vai piorar tudo — continuou Denise, firme. — É melhor irmos para casa, conversar com Eloá e deixar que Aurora e Oliver se entendam com Gael. Amanhã, com a poeira baixando, veremos o que podemos fazer.
Embora claramente frustrado, Saulo sempre foi do tipo que ouvia os conselhos da esposa. E, mesmo custando, daquela vez não seria diferente.
— Tudo bem — murmurou, cansado. — Vamos para casa agora mesmo.
Enquanto os pais se afastavam em direção ao veículo, Eloá olhou para Gael, assustada, sem saber o que fazer.
— Vai ficar tudo bem — ele sussurrou, tentando transmitir confiança apenas com o olhar.
— Vamos logo, Eloá — ordenou Denise, com a voz firme.
Ela assentiu, engoliu em seco e entrou no veículo dos pais. Elisa também seguiu logo atrás.
No carro, o silêncio era quase sufocante. Saulo dirigia com as mãos firmes no volante, seu maxilar tenso revelava o quanto estava nervoso. Ao seu lado, Denise permanecia em silêncio, apenas olhando para a estrada. No banco dos fundos, Eloá mantinha a cabeça baixa, imóvel, sabendo que tudo cairia sobre seus ombros naquela noite. Ao seu lado, Elisa recostou a cabeça na janela, observando a estrada que se estendia à frente. A decepção pela irmã era visível em cada linha de seu rosto; não havia necessidade de palavras para mostrar o quanto estava magoada. O silêncio dela falava mais alto que qualquer grito.
Assim que chegaram em casa, todos desceram do carro e caminharam em direção ao interior da residência. Mas, naquele momento, Eloá se sentia como uma completa estranha naquele lugar. Cada olhar que cruzava com o dela parecia cheio de julgamento, como se dissesse que ela não tinha direito de estar ali.
Com passos lentos e hesitantes, entrou na casa e se deparou com duas mulheres segurando seus irmãos. Ver os bebês ali fez seu coração disparar, misturando medo e uma vontade desesperada de se aproximar. Mas suas pernas pareciam feitas de chumbo, incapazes de obedecer à sua vontade.
— Pode levá-los para o quarto, por favor? — Denise pediu às babás, num tom calmo.
— Claro, senhora — respondeu uma delas.
As mulheres se afastaram, deixando a sala estranhamente fria e silenciosa.
— Eu não queria enganar vocês, estava apenas planejando manter esse segredo apenas para mim — ela sussurrou, sentindo as lágrimas finalmente escorrendo pelo rosto.
— Só para você? — Saulo explodiu, batendo a mão na mesa. — E como iria fazer isso, hein?
— Ficaria por lá e assumiria as consequências — disse ela, tentando controlar o choro.
— Meu Deus, onde é que foi parar o juízo que você sempre teve? — Saulo bradou. — Achou mesmo que ficar naquele país sem aparecer por aqui não iria levantar suspeitas?
— Sim, eu sabia disso, mas como disse, eu não estava pronta para não contar a ninguém o que estava acontecendo.
— E o que te fez mudar de ideia? — Denise perguntou.
— O Gael — respondeu depressa. — Ele descobriu sobre a minha gravidez e me fez mudar de planos.
— Quer dizer que ele não sabia que você estava grávida?
— Não. Ele descobriu quando me visitou nos Estados Unidos.
— Espera… — Saulo interrompeu, levantando a mão em um gesto de alerta. — Quer dizer que esse bebê foi concebido aqui no Brasil, antes de vocês irem para lá?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...