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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 330

Quando a paralisia do choque passou, Catarina percebeu finalmente o quão encrencada estava, ainda mais ao ver o pai correndo atrás de Henri.

— Ah, meu Deus… eu não acredito no que está acontecendo! — exclamou, com a voz trêmula, enquanto o coração batia descompassado.

Com pressa, procurou pela roupa jogada no chão e a vestiu às pressas, tremendo de nervoso. Os cacos de vidro espalhados pelo chão a mantinham em alerta, e a mancha de sangue respingado perto de seus pés a fez sentir que ia desmaiar.

— Meu Deus, meu Deus, meu Deus… — murmurava, sentindo o coração quase saltar pela boca, cada batida aumentava a sensação de desespero.

Mesmo com as mãos trêmulas, ela conseguiu terminar de se vestir. Ao sair do quarto, seus olhos vasculharam cada canto da casa, procurando por qualquer sinal do pai ou do chefe, mas não encontrou ninguém.

Ela sabia que estava encrencada e pior, tinha plena consciência de que Henri corria risco de vida devido a toda aquela situação.

— O que eu vou fazer? — murmurou para si mesma, andando ao redor da casa, sem saber para onde correr ou o que tentar. Cada passo era marcado pelo nervosismo, e a sensação de impotência apertava seu peito como um punho.

O céu já estava completamente escuro e o medo a dominava. Ela queria proteger Henri de seu pai, mas, ao mesmo tempo, precisava encontrar um jeito de sair daquela situação se fosse confrontada. Cada sombra parecia ameaçadora, cada som fazia seu coração disparar.

De repente, o som de veículos se aproximando da casa chamou sua atenção. Ela correu para espiar quem era e se deparou com três veículos, cada um com homens desembarcando rapidamente.

— Senhorita, boa noite — disse um deles, aproximando-se. — A senhora sabe onde está o senhor Henri?

— Eu não sei — respondeu, com a voz trêmula. — Ele saiu daqui correndo... acho que foi em direção ao canavial.

O homem trocou um olhar rápido com outro que vinha do segundo veículo e fez um sinal para avançarem.

— Espera! — ela implorou, desesperada. — Algum de vocês pode me levar para a vila?

O que parecia ser o líder deles acenou para o terceiro veículo.

— Levem-na, nós vamos para o canavial — ordenou, firme.

Mesmo sem saber de quem se tratava, Catarina entrou no veículo indicado e se acomodou, tentando controlar a respiração e não demonstrar o pânico que sentia. Cada quilômetro percorrido aumentava a ansiedade, enquanto ela tentava imaginar como Henri estava, sozinho e em perigo, naquele momento.

Quando se aproximaram da rua de sua casa, seu coração quase pulou pela boca. Ela pediu que parassem para que pudesse descer, com medo de que sua mãe estivesse na porta e estranhasse sua chegada acompanhada de estranhos.

— Por favor, me deixem aqui — pediu. — Eu preciso ir para casa.

O motorista fez o que ela pediu e abriu a porta para ela descer.

— Muito obrigada — agradeceu apressada.

Saindo do carro em silêncio, sentia seus pés quase tremendo, enquanto caminhava até a porta de casa, tentando se acalmar. Cada passo era um esforço, pois não sabia o que iria enfrentar em casa.

O silêncio pairou por alguns segundos, enquanto Andrea se aproximava lentamente da filha, envolvendo-a em um abraço protetor, tentando transmitir calma e segurança, mesmo sem saber exatamente o que havia acontecido.

— Calma, filha, respira — sussurrou Andrea, acariciando suas costas. — Me diga o que aconteceu e por que você está assim.

Antes que pudesse contar sua versão dos fatos, o som de um carro parando bruscamente na porta da casa chamou a atenção. Assustadas, correram até a entrada para ver o que estava acontecendo, mas antes que pudessem sair, a porta se abriu com força e Damião entrou, com a expressão furiosa como se carregasse uma tempestade.

— Que bom que está aqui — bradou, deixando a voz ecoar como um trovão, enquanto encarava a filha. — Quero que me explique agora mesmo o que está acontecendo entre você e o filho do senhor Caetano!

— Papai — ela começou com a voz trêmula —, será que dá para o senhor se acalmar primeiro?

— Me acalmar? — ele gritou, sem se importar com os vizinhos. — Como posso me acalmar depois do que vi, hein?

— Do que vocês estão falando? — Andrea interveio, confusa e assustada com a cena que se desenrolava diante dela.

— O que aconteceu, Andrea — continuou Damião, irado — é que peguei a nossa filha na cama com o chefe dela!

Os olhos de Andrea se arregalaram. Ela olhou para Catarina, sem conseguir acreditar no que acabara de ouvir.

— Não pode ser verdade — murmurou, descrente. Mas, ao ver a filha começar a chorar desesperadamente, Andrea percebeu haver mais verdade naquela história do que gostaria de admitir.

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