Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 332

Ao ver a expressão nervosa do pai, Henri tentou levar aquilo na esportiva. Ele sabia que Oliver sempre fora sério com certas coisas, mas precisava se lembrar de que viviam em épocas diferentes, e que o que para o pai parecia um absurdo, para os dias atuais podia ser visto de forma diferente.

— Pai, é só uma forma de expressar — tentou justificar, com um leve sorriso nervoso.

Mas Oliver não estava para brincadeiras. A voz se elevou, cheia de autoridade e frustração.

— Eu não criei nenhum dos meus filhos para andar com esse tipo de conversinha, está me ouvindo? Eu sempre deixei vocês livres para fazer o que quisessem da vida de vocês, mas sempre coloquei limites claros. E o que você fez? Ultrapassou todos eles e se aproveitou da minha ausência para fazer justamente o que eu disse para não fazer!

— Eu não a forcei em nada, pai, a Catarina estava de acordo com tudo — explicou Henri, tentando amenizar sua culpa.

— Eu não quero saber se vocês queriam ou não! — Oliver interrompeu, sua voz tremia de raiva. — Eu deixei claro: não queria que você se envolvesse com nenhuma filha de meus funcionários! Mas parece que o que eu disse entrou por um ouvido e saiu pelo outro!

— Foi mais forte do que eu, pai — murmurou, quase inaudível.

— Ah, claro! — explodiu Oliver. — Agora você se tornou um homem que não consegue controlar seus impulsos, é isso?

— Não é bem assim, Henri protestou, tentando se justificar.

— Então, como é, hein? — Oliver avançou um passo, com o olhar fixo no filho. — Você quase morreu! Tem noção disso?

— Sim, eu tenho — concordou, baixando a cabeça.

Oliver respirou fundo, tentando conter a raiva, mas mantendo a firmeza no olhar.

— Você precisa entender uma coisa, Henri. Liberdade não é sinônimo de irresponsabilidade. Ter autonomia significa saber onde estão os limites, respeitar regras e, principalmente, proteger quem você ama. Não é só sobre você ou seus desejos. É sobre consequências. Se não fossem os seguranças que te salvaram, nesse momento, sua mãe e eu estávamos chorando a sua morte.

O jovem ouvia em silêncio, sentindo o peso das palavras. Cada frase do pai parecia martelar em sua consciência, lembrando-o do quão imprudente havia sido.

— O respeito aos outros — continuou Oliver, agora com a voz mais calma — é algo que você deve levar para toda a vida. Não se trata apenas de obedecer ordens, mas de agir com responsabilidade e considerar o impacto das suas escolhas. O que você fez poderia ter consequências irreversíveis, e ainda bem que, apesar de tudo, ninguém saiu gravemente ferido.

Absorvendo cada palavra, Henri respirou fundo, sentindo um misto de culpa.

— Eu sei, pai… Eu entendi — disse, num sussurro.

— Quero que você leve isso a sério, Henrique — Oliver completou. — E saiba que isso não é apenas sobre mim ou sobre regras. É sobre honra, confiança e caráter. Uma vez perdidos, você não os recupera facilmente.

— Prometo que isso nunca mais vai acontecer, pai.

— Claro que não vai, porque você vai assumir os seus erros e compromissos.

— Compromissos? — perguntou, confuso.

— Pois que fique bem claro: se você se sentiu atraído por ela, é provável que com o tempo se apaixone também. Mas não vou permitir que esse ocorrido passe em branco. Foi você quem procurou por isso; agora assuma as consequências. Você vai assumir a responsabilidade por aquela moça e ponto final.

— Pai, acha isso justo só porque tirei a virgindade dela?

Surpreso com a revelação, Oliver parou por um instante antes de responder.

— Quer dizer que ela era virgem?

Tentando não gaguejar, Henri assentiu.

— Pois bem. Acredito que isso muda tudo agora. Não será o Damião quem vai exigir que você se comprometa com a filha dele, serei eu! Você vai assumir essa garota, só para aprender que há coisas na vida que precisam ser tratadas com limites e responsabilidade.

— Acha que estamos em que século? — ele perguntou, ofendido.

— Não importa o século em que estamos, filho. Criei meus filhos para serem homens, não moleques. A partir de agora, você vai aprender o que é responsabilidade.

— Isso não é justo — retrucou Henri.

— Justo? A vida não é justa, meu filho. E muito menos para quem acredita que pode sair de uma situação dessas sem arcar com as consequências.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda