Henri sabia que estava errado em alguns pontos, mas o que o pai estava tentando impor ia muito além do razoável. Ele não ia começar um relacionamento só por causa de um mal-entendido e muito menos assumir uma pessoa pela qual não nutria nenhum sentimento além da atração física.
— Pai, será que podemos conversar em outro momento? — murmurou, fazendo uma careta de dor. — Preciso descansar um pouco, minha cabeça está latejando.
— Se você, deitado nesta cama confortável, está reclamando de dor de cabeça, imagine a minha, que nem consegui dormir à noite.
— Então, vá para casa e descanse, deixe que a mamãe fique aqui — Henri sugeriu, tentando amenizar a situação.
— A sua mãe está grávida, Henri. Ela precisa repousar mais do que todos nós. Não vou permitir que ela fique num quarto de hospital cuidando de um filho sem juízo.
Percebendo que não teria argumento, Henri virou o rosto e fechou os olhos, fingindo querer dormir. Notando a jogada do filho, Oliver não disse nada. Dirigiu-se até a poltrona do acompanhante, sentou-se e pegou o celular, digitando algumas mensagens. Havia muitas coisas que precisava resolver naquele dia, mas sabia que só poderia começar quando o filho estivesse bem.
Alguns minutos depois, a equipe de transporte chegou para levar Henri a um hospital especializado na capital, onde ele seria submetido a uma cirurgia para correção do osso nasal fraturado e sutura de pequenos cortes faciais.
A cirurgia durou algumas horas e, quando o filho já estava novamente no quarto, dormindo sob o efeito da anestesia geral, Oliver perguntou ao médico.
— Quanto tempo ele precisará permanecer hospitalizado?
— Senhor, considerando a fratura nasal simples e os pequenos cortes superficiais, ele precisará de observação por 24 a 48 horas. A rinoplastia foi bem-sucedida, mas haverá inchaço e equimoses. Recomendamos repouso absoluto e medicação analgésica e antibiótica.
— Entendi — disse Oliver, preocupado.
— Ele poderá ir para casa assim que estiver estável, com dor controlada e sem risco de hemorragia. A equipe de enfermagem orientará sobre a medicação e os cuidados pós-operatórios.
Enquanto o médico instruia Oliver, Henri começou a recobrar a consciência, abrindo lentamente os olhos. A visão turva deu lugar ao ambiente do hospital, à figura atenta do pai e ao sutil cheiro de antisséptico no ar. Sentiu a dor latejante no nariz e a pressão nas órbitas, lembrando-se da fuga desesperada pelo canavial e da perseguição de Damião.
— Está acordando, senhor Henri? — perguntou a enfermeira, verificando os sinais vitais.
— Sim… — respondeu ele, ainda se ajustando à realidade. — Meu nariz…
— A cirurgia foi bem-sucedida — tranquilizou a enfermeira. — Você terá inchaço e hematomas, mas o alinhamento está correto. Evite qualquer impacto na região e siga rigorosamente a medicação.
— Não acredito que tive que passar por tudo isso — murmurou.
Oliver se aproximou, colocando uma mão no ombro do filho.
— Há consequências para tudo.
— Tudo bem, eu já entendi, está bem? — comentou indignado. — Sei que você está jogando toda a culpa em mim, mas quero saber o que vai fazer em relação ao Damião.
Ao encontrar um banheiro discreto, afastado do fluxo de pessoas, ele entrou, fechou a porta e discou rapidamente o número de seu funcionário. Bastou apenas um toque para ouvir a voz tensa do outro lado:
— Senhor Oliver, estou na minha casa e até agora o seu filho não apareceu para falar comigo.
Oliver respirou fundo, sentindo o peso da situação.
— Eu sinto muito por não ter ligado antes, Damião, mas é que meu filho acabou de passar por uma cirurgia no nariz.
— Eu sinto muito pelo transtorno que o senhor está passando, mas não me arrependo do que fiz. O seu filho brincou com a minha filha. Perguntei a ela o que estava acontecendo entre eles e ela não soube responder. Sabe por quê? Porque o seu filho estava apenas a iludindo, brincando com ela, e certamente, quando se cansasse, a descartaria.
— Não é bem assim, Damião — interrompeu Oliver, tentando amenizar a situação, embora soubesse que o homem tinha razão. — Já conversei com Henri, ele reconhece o erro que cometeu e se compromete a corrigir tudo assim que receber alta do hospital.
— E como ele pretende consertar o mal irreparável que fez com a minha filha? — Damião perguntou, nervoso.
— Ele vai assumir as responsabilidades — respondeu Oliver com determinação.
— Apenas assumir? — questionou Damião, cerrando os dentes. — Eu não sei como ele deve querer fazer isso, mas vou deixar uma coisa muito clara: o que seu filho fez com a minha Catarina só se resolve de uma maneira, e só uma… Casamento!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...