Oliver correu pelo corredor da casa em direção ao quarto de Noah e bateu na porta com força.
— Noah! — chamou, ofegante.
O filho abriu a porta quase de imediato, com os olhos arregalados e o semblante apreensivo.
— O que houve, pai? — perguntou, já imaginando o pior. — Aconteceu alguma coisa com a Catarina?
— A sua mãe… — Oliver começou, tentando respirar fundo, mas as palavras saíram atropeladas. — Ela está entrando em trabalho de parto. Pode me ajudar a levá-la ao hospital da vila? Estou nervoso demais para dirigir.
— Já estou indo! — respondeu Noah, sem hesitar.
Ele correu até o armário, vestiu a primeira camiseta que encontrou e, ainda calçando os sapatos no corredor, seguiu para o quarto dos pais. Lá, encontrou Aurora tentando trocar a roupa molhada, enquanto Oliver, agitado, andava de um lado para o outro.
— Aurora, não devia se preocupar com isso agora — disse Oliver, aproximando-se para segurá-la pelos ombros. — Temos que sair logo.
Ela riu baixinho, mesmo entre as dores e a urgência do momento.
— Não se preocupe, amor. Sei que a Helena não vai sair escorregando assim tão fácil — respondeu, num tom brincalhão que conseguiu arrancar um breve sorriso dos dois. — Me ajuda aqui.
Mesmo trêmulo, Oliver se apressou em ajudá-la a se vestir, tentando não demonstrar o desespero que o dominava. Noah observava tudo com o coração acelerado, impressionado com a calma que a mãe conseguia manter.
— Mãe, onde está a bolsa da maternidade? — perguntou.
— Está no armário, ao lado da cômoda — respondeu ela, apoiando-se em Oliver quando uma nova contração a fez se curvar ligeiramente.
— Respira, respira, vai passar — dizia ele, em um tom carinhoso.
Noah voltou com a bolsa nas mãos, e os dois a ajudaram a caminhar até a porta. A cada passo, o chão parecia mais longo, e Oliver sentia o suor frio escorrendo pela nuca.
— Agora entendo o nervosismo do Saulo — afirmou Oliver, enquanto via a esposa suando frio.
Eles saíram apressados, ainda com o sol da manhã começando a despontar por entre as árvores da fazenda. O som dos pássaros contrastava com a pressa dos passos e o coração acelerado de todos. Noah abriu a porta do carro para ajudar a mãe a entrar no banco de trás e olhou para o pai.
— Vou dirigir devagar, não se preocupe.
Tentando parecer confiante, Oliver respirou fundo e assentiu.
— Tudo bem.
Enquanto o carro arrancava pela estrada, Aurora começou a se remexer no banco, buscando uma posição mais confortável.
— Estou sentindo uma pressão forte… — disse, soltando um leve gemido.
Aflito, Oliver se inclinou na direção dela.
— Uma pressão? Onde exatamente, amor?
Ela segurou firme o braço dele.
— Embaixo… está diferente agora. Noah, pode ir mais rápido? — pediu, entre uma respiração e outra.
— Claro, mãe — respondeu ele, tentando manter a calma enquanto o coração disparava. Suas mãos suavam no volante, e o olhar alternava entre a estrada e o retrovisor, onde via o desespero do pai e o sofrimento da mãe.
Mas quando ele pisou mais fundo no acelerador, Aurora deu um grito agudo, inesperado.
— Pare o carro! — gritou, arqueando o corpo, com os olhos arregalados.
Aurora soltou um grito forte, com o corpo inteiro tenso.
— Está vindo, Oliver! Eu não consigo segurar!
— Então não segura — disse ele, com a voz embargada, mas decidida. — Deixa ela vir.
Aurora chorava e ria ao mesmo tempo, e Oliver, tomado por uma emoção indescritível, estendeu as mãos trêmulas.
— Eu estou vendo… — sussurrou, já com os olhos marejados. — Eu estou vendo a cabecinha dela, amor… a nossa Helena está chegando.
Enquanto isso, do lado de fora do carro, Noah permanecia imóvel, paralisado pelo pânico. O som dos gritos da mãe misturava-se à voz aflita do pai, criando uma sinfonia desesperada que ele jamais imaginou presenciar.
Já tinha ouvido falar que partos podiam ser assustadores, mas nada, absolutamente nada, se comparava ao que estava vendo ali.
Suas pernas tremiam, e o coração parecia prestes a saltar pela boca.
Ele respirava rápido demais, tentando entender o que fazer, mas o medo o dominava. As mãos suavam, e o frio da manhã contrastava com o calor que subia pelo corpo. O som do choro abafado da mãe dentro do carro o fazia querer correr até ela, mas as próprias pernas não obedeciam.
Foi quando ouviu o som que mudaria tudo, um choro agudo e frágil. O som de um bebê.
Ele se virou num impulso e olhou para o interior do carro. Lá dentro, viu o pai com a irmã recém-nascida nos braços, o pequeno corpo estava coberto de sangue.
Por um instante, não conseguiu se mover, havia olhado para aquela cena por tempo demais. O peito apertou, o coração disparou, e a visão da irmã recém-chegada toda ensanguentada o atingiu com uma força que ele jamais esperava.
Então, algo dentro dele começou a girar. O calor subiu de repente, e o chão pareceu balançar sob seus pés.
— Eu… eu acho que vou desmaiar — conseguiu dizer, antes que suas vistas escurecessem completamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...