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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 357

[Três semanas depois]

Na fazenda São Caetano, o silêncio pesava como uma nuvem espessa. Desde o trágico acontecimento no dia do casamento de Henri, nada mais voltou ao normal. Os corredores, antes cheios de vozes e risadas, agora pareciam vazios, tomados por um peso que ninguém ousava mencionar.

Mesmo após inúmeros pedidos de Oliver, Henri se recusava a voltar para casa. Preferiu o isolamento na casa da vila, o mesmo lugar que Catarina havia arrumado com tanto cuidado. Lá, ele passava os dias sem falar com ninguém, mal comia e dormia pouco. Às vezes, ficava horas olhando para o nada, com os olhos vermelhos e o semblante de quem carregava um fardo pesado demais para um só homem.

Aurora tentava compreender o filho, mas também sofria com o distanciamento.

— Ele precisa de tempo — dizia Oliver, embora, no fundo, temesse que Henri jamais voltasse a ser o mesmo.

— Confesso que jamais imaginei que ele ficaria assim — disse Aurora, com a voz baixa e cansada, enquanto Oliver a ajudava a ajeitar o vestido sobre o corpo já pesado pela gravidez. O barrigão redondo deixava claro que Helena poderia nascer a qualquer momento.

— Nosso filho é sensível, Aurora — respondeu, com um suspiro. — Não acho que ele reagiria de outra forma.

Ela se sentou na beira da cama, passando a mão sobre a barriga, sentindo um leve movimento da bebê.

— E pensar que tudo isso aconteceu quando ele finalmente estava mudando… — Oliver continuou, com tristeza no olhar. — Antes da tragédia, eu percebi um outro brilho nos olhos dele, um tom diferente na voz quando falava dela. O Henri não era mais o mesmo homem que tratava esse casamento como um castigo.

Aurora assentiu, fechando os olhos por um instante, respirando fundo.

— E agora, com ela em coma, ele está se punindo por dentro. — Depois, encarou-o com os olhos marejados. — Tenho medo de que, se a Catarina não acordar, o Henri nunca mais volte a ser o mesmo.

— Ela vai acordar, eu tenho fé nisso — disse Oliver com convicção, caminhando até a janela do quarto. Do lado de fora, a manhã começava a clarear. Ele apoiou as mãos no parapeito e ficou em silêncio por alguns segundos, observando o vento balançar as árvores do jardim.

— Como ela está, amor?

Mesmo depois de Damião ter declarado que Catarina não era mais responsabilidade deles, Oliver não conseguiu ignorar a situação. Pelo contrário, designou pessoalmente a enfermeira e o médico responsáveis por ela para lhe enviarem relatórios diários sobre seu estado de saúde. Queria ter certeza de que, a cada amanhecer, Catarina ainda estava lutando pela vida.

Por fim, virou-se para encarar a esposa.

— Ela está estável, o que é um bom sinal.

— Que menina forte… — murmurou Aurora. — Confesso que, no início, pensei que ela não resistiria. Mas, conforme os dias passaram, percebi o quanto ela quer viver. É como se algo dentro dela não aceitasse desistir, mesmo inconsciente. Espero que ela acorde logo… só assim os médicos poderão saber o real estado dos danos que o acidente causou.

Hesitante, Oliver inspirou fundo, antes de perguntar:

— O que pode acontecer com ela?

— Ela sofreu um traumatismo craniano, e ainda não sabem se haverá sequelas neurológicas. O corpo reagiu bem à cirurgia, mas o cérebro… — sua voz vacilou. — É imprevisível.

— Então, mesmo que ela acorde… — ele começou, mas não teve coragem de terminar a frase.

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