Mesmo com todo o sofrimento, Henri decidiu ficar com a mãe e a irmã durante todo o dia. O pai aproveitou para ir para casa e descansar um pouco, retornando apenas no final da noite.
— Filho, obrigado por ficar aqui com elas — disse Oliver, com um sorriso cansado, porém grato. — Agora pode ir para casa descansar um pouco.
— Tudo bem, pai — respondeu, levantando-se da cadeira ao lado da cama. — Amanhã eu volto, mãe.
Aurora sorriu, acariciando de leve a mão dele.
— Provavelmente amanhã terei alta. Então, vá nos visitar em casa, está bem?
Henri assentiu, tentando disfarçar o cansaço e o peso no olhar.
— Pode deixar. Eu passo lá cedo.
Ele se inclinou e beijou a testa da mãe, depois olhou para a pequena Helena, dormindo tranquila no colo dela. Por um instante, ficou parado, observando aquele quadro de serenidade que contrastava tanto com o caos que ainda sentia por dentro.
Ao sair do quarto, respirou fundo no corredor. O silêncio do hospital parecia ecoar suas próprias emoções, a esperança que nascia e a dor que ainda insistia em permanecer.
Quando chegou em casa, tomou um banho rápido e se deitou na cama, olhando fixamente para o teto. O silêncio do quarto o envolvia como um peso invisível. Tudo parecia pesado demais, o cansaço, o medo, o vazio, e ele já não sabia como suportar.
Por mais que não dissesse a ninguém, sentia falta de Catarina. Uma falta que doía no peito como uma ferida aberta. Saber que ela estava em coma, sozinha em um quarto de hospital, tornava a dor quase insuportável.
Virou-se na cama, tentou fechar os olhos, mas o pensamento dela não o deixava em paz. A lembrança do sorriso, da voz, do toque, tudo voltava de forma tão nítida que o ar parecia faltar.
Quando as lágrimas começaram a queimar seus olhos, ele se levantou de súbito, como se o corpo se recusasse a permanecer imóvel diante de tanta angústia. Pegou as chaves sobre a cômoda, saiu de casa e entrou no carro sem pensar duas vezes.
Não importava o horário, nem quem tentasse impedi-lo. Iria até a capital e enfrentaria quem quer que fosse para ver Catarina.
Quando chegou ao hospital, foi direto à recepção e pediu informações sobre Catarina e sobre o médico responsável por ela. Não demorou muito para que obtivesse as respostas de que precisava. Assim que soube o nome do profissional, seguiu pelos corredores, determinado, até encontrá-lo próximo à sala de enfermagem.
O médico se virou, surpreso com a forma como o jovem se aproximou. A aparência de Henri — os olhos vermelhos, a voz trêmula, o rosto abatido — o fez entender que não era uma simples visita.
Henri tentou manter a postura, falar formalmente, mas o desespero foi mais forte do que qualquer tentativa de controle. As palavras saíram cobertas de emoção e, antes que percebesse, as lágrimas já escorriam.
— Por favor… — disse ele, com a voz sufocada. — Me deixe vê-la, nem que seja por alguns minutos. Eu estou desesperado, sem conseguir dormir, nem comer. É como se eu também estivesse preso naquela cama com ela.
O médico permaneceu em silêncio por alguns segundos, observando o rapaz à sua frente. Havia em Henri algo que ultrapassava a dor comum: era amor, culpa e esperança misturados em um só olhar.
— Você é da família? — perguntou o médico, tentando manter a calma.
Ele então respirou fundo e respondeu:
— Não… mas ela é tudo para mim nesse momento.
O médico o observou em silêncio por mais alguns segundos. Ele suspirou, baixando o olhar por um instante antes de responder:
O som dos aparelhos continuava constante, como se cada bip confirmasse que ela ainda estava lutando. Henri fechou os olhos, tentando conter o choro.
— Eu sinto muito… sinto muito mesmo — disse ele, com os olhos fixos nela. — Se eu pudesse voltar no tempo, juro que teria feito tudo diferente.
Ele respirou fundo, tentando conter o choro, mas a voz tremia a cada palavra.
— E não digo apenas pelo dia do nosso casamento… mas bem antes disso. Jamais teria dito aquelas palavras que te feriram. Fui um tolo, Catarina… um tolo que agora paga caro, sofrendo dia e noite com a consciência pesada.
Aproximou-se um pouco mais da cama, as lágrimas escorriam sem que tentasse escondê-las.
— Eu devia ter sido um homem de verdade e assumido meus erros. Mas, em vez disso, te culpei pelas minhas próprias frustrações. — Fechou os olhos por um instante, sentindo a voz falhar. — Eu te afastei quando tudo o que devia ter feito era te manter por perto. Te deixei sozinha quando você mais precisou de mim.
O som dos monitores ao redor parecia acompanhar o ritmo do coração dele, acelerado, ferido, arrependido.
Henri baixou o olhar, segurando a mão dela, mesmo com os dedos trêmulos.
— Se você pode me ouvir agora… — murmurou. — Quero que saiba que eu sinto muito, e que vou esperar você acordar… — fez uma pausa, lutando para não chorar — …e vou me redimir de todo o erro que te causei.
O som dos monitores seguia o mesmo ritmo, até que algo o fez prender a respiração.
Sentiu uma pressão em sua mão e, atônito, percebeu que ela o apertava de volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...