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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 360

Mesmo com todo o sofrimento, Henri decidiu ficar com a mãe e a irmã durante todo o dia. O pai aproveitou para ir para casa e descansar um pouco, retornando apenas no final da noite.

— Filho, obrigado por ficar aqui com elas — disse Oliver, com um sorriso cansado, porém grato. — Agora pode ir para casa descansar um pouco.

— Tudo bem, pai — respondeu, levantando-se da cadeira ao lado da cama. — Amanhã eu volto, mãe.

Aurora sorriu, acariciando de leve a mão dele.

— Provavelmente amanhã terei alta. Então, vá nos visitar em casa, está bem?

Henri assentiu, tentando disfarçar o cansaço e o peso no olhar.

— Pode deixar. Eu passo lá cedo.

Ele se inclinou e beijou a testa da mãe, depois olhou para a pequena Helena, dormindo tranquila no colo dela. Por um instante, ficou parado, observando aquele quadro de serenidade que contrastava tanto com o caos que ainda sentia por dentro.

Ao sair do quarto, respirou fundo no corredor. O silêncio do hospital parecia ecoar suas próprias emoções, a esperança que nascia e a dor que ainda insistia em permanecer.

Quando chegou em casa, tomou um banho rápido e se deitou na cama, olhando fixamente para o teto. O silêncio do quarto o envolvia como um peso invisível. Tudo parecia pesado demais, o cansaço, o medo, o vazio, e ele já não sabia como suportar.

Por mais que não dissesse a ninguém, sentia falta de Catarina. Uma falta que doía no peito como uma ferida aberta. Saber que ela estava em coma, sozinha em um quarto de hospital, tornava a dor quase insuportável.

Virou-se na cama, tentou fechar os olhos, mas o pensamento dela não o deixava em paz. A lembrança do sorriso, da voz, do toque, tudo voltava de forma tão nítida que o ar parecia faltar.

Quando as lágrimas começaram a queimar seus olhos, ele se levantou de súbito, como se o corpo se recusasse a permanecer imóvel diante de tanta angústia. Pegou as chaves sobre a cômoda, saiu de casa e entrou no carro sem pensar duas vezes.

Não importava o horário, nem quem tentasse impedi-lo. Iria até a capital e enfrentaria quem quer que fosse para ver Catarina.

Quando chegou ao hospital, foi direto à recepção e pediu informações sobre Catarina e sobre o médico responsável por ela. Não demorou muito para que obtivesse as respostas de que precisava. Assim que soube o nome do profissional, seguiu pelos corredores, determinado, até encontrá-lo próximo à sala de enfermagem.

O médico se virou, surpreso com a forma como o jovem se aproximou. A aparência de Henri — os olhos vermelhos, a voz trêmula, o rosto abatido — o fez entender que não era uma simples visita.

Henri tentou manter a postura, falar formalmente, mas o desespero foi mais forte do que qualquer tentativa de controle. As palavras saíram cobertas de emoção e, antes que percebesse, as lágrimas já escorriam.

— Por favor… — disse ele, com a voz sufocada. — Me deixe vê-la, nem que seja por alguns minutos. Eu estou desesperado, sem conseguir dormir, nem comer. É como se eu também estivesse preso naquela cama com ela.

O médico permaneceu em silêncio por alguns segundos, observando o rapaz à sua frente. Havia em Henri algo que ultrapassava a dor comum: era amor, culpa e esperança misturados em um só olhar.

— Você é da família? — perguntou o médico, tentando manter a calma.

Ele então respirou fundo e respondeu:

— Não… mas ela é tudo para mim nesse momento.

O médico o observou em silêncio por mais alguns segundos. Ele suspirou, baixando o olhar por um instante antes de responder:

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