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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 378

Em casa, Saulo brincava com os filhos pequenos, enquanto a esposa havia saído com a filha mais nova e Aurora para um passeio só de mulheres. O som das risadas infantis enchia o ambiente, e ele não podia deixar de sorrir ao observar o quanto os garotos se pareciam com ele.

Mesmo com as filhas já casadas e seguindo seus próprios caminhos, Saulo sentia o coração leve. Sabia que, de um jeito ou de outro, a casa jamais perderia sua alegria, sempre cheia de vozes, risadas e vida.

— Espero que vocês não puxem nada das suas irmãs e sejam bons garotos, respeitadores e comportados — disse ele, com o tom sério de quem finge dar uma lição.

Os meninos, sem entender uma palavra, apenas o encararam por um segundo e logo voltaram a brincar, fazendo-o cair na gargalhada.

— É, acho que já sei a resposta — murmurou, balançando a cabeça e rindo sozinho.

Enquanto se distraía com os filhos, ouviu o som de uma notificação no celular. Pegou o aparelho e viu que era uma mensagem de Elisa. Antes de abrir, respirou fundo, fechou os olhos e murmurou uma prece:

— Meu Deus… que não seja nada que faça meu coração parar.

Quando finalmente abriu a mensagem, viu que a filha havia enviado uma foto — uma selfie dela com Noah, os dois deitados lado a lado, claramente ainda sonolentos. Elisa piscava para a câmera e fazia um biquinho divertido, enquanto o marido dormia tranquilo ao fundo.

Saulo ficou olhando a imagem por alguns segundos. Passou a mão no rosto, suspirou e resmungou baixinho:

— Essa menina quer me matar do coração.

Ele digitou uma resposta rápida, sorrindo:

— Me poupe, Elisa, me poupe!

Depois de enviar, deixou o celular de lado e voltou a brincar com os meninos, mas seu momento de leveza durou pouco. Pois avistou o carro de Oliver se aproximando da entrada da casa. O veículo parou lentamente e, quando o amigo desceu, Saulo percebeu de imediato que algo estava fora do normal.

Oliver caminhava devagar, com o semblante abatido e o olhar distante, sinais claros de que algo o preocupava. Ele raramente aparecia ali àquela hora, e isso só aumentou a curiosidade e a inquietação de Saulo.

— Boa tarde — cumprimentou Oliver, aproximando-se e sentando-se no canto da varanda.

— Boa tarde, meu amigo. Pela sua cara, ou a plantação pegou fogo, ou aconteceu algo mais sério.

Oliver forçou um sorriso sem graça, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Ah, Saulo… queria que fosse só a plantação.

O tom dele fez o sorriso de Saulo desaparecer.

— O que houve, Oliver? — perguntou, já sentindo o coração apertar.

— O Henri — respondeu, soltando o ar num suspiro pesado.

Saulo arqueou as sobrancelhas, já imaginando o pior.

— O que aquele garoto aprontou dessa vez?

— Nada — retrucou Oliver, balançando a cabeça. — Dessa vez, ele não aprontou nada… mas apareceu lá em casa pela manhã dizendo que vai se mudar para outra cidade.

— Sério? — perguntou Saulo, surpreso.

— Sério — confirmou, demonstrando um tom de preocupação. — Disse que recebeu uma proposta de um amigo para entrar numa sociedade.

Sem precisar que o amigo dissesse mais, Saulo completou.

— Catarina? — perguntou, num tom mais baixo.

Oliver assentiu lentamente.

— Desde que ela foi embora, ele não é mais o mesmo. Tenta se distrair, trabalha o tempo todo, mas eu sei que carrega aquela história no peito. E talvez pense que, mudando de cidade, consiga deixar tudo isso para trás.

— A dor do coração não se cura com distância, meu amigo. Mas, às vezes, é o único jeito de conseguir respirar. Sei que vai ser difícil, mas deixe-o ir. Às vezes, mudar de ares é tudo o que a pessoa precisa para se reencontrar.

Oliver o olhou, pensativo, enquanto ele continuava:

— O Henri precisa desse tempo, Oliver. Ele está tentando se curar do jeito dele. E, quando perceber que a saudade da família também dói, ele volta… e volta mais maduro, mais em paz.

— Você acha mesmo? — A expressão no rosto dele era de incerteza.

Dando um leve tapinha no ombro do amigo, Saulo sorriu.

— Eu não acho, eu tenho certeza. Filho que tem boas raízes pode até voar longe, mas sempre encontra o caminho de volta para casa.

A conversa com o amigo fez Oliver respirar fundo e assentir, como quem finalmente aceitava o inevitável.

— É... talvez você tenha razão, Saulo. Talvez tudo o que ele precise seja só isso, um tempo para si.

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