Em casa, Saulo brincava com os filhos pequenos, enquanto a esposa havia saído com a filha mais nova e Aurora para um passeio só de mulheres. O som das risadas infantis enchia o ambiente, e ele não podia deixar de sorrir ao observar o quanto os garotos se pareciam com ele.
Mesmo com as filhas já casadas e seguindo seus próprios caminhos, Saulo sentia o coração leve. Sabia que, de um jeito ou de outro, a casa jamais perderia sua alegria, sempre cheia de vozes, risadas e vida.
— Espero que vocês não puxem nada das suas irmãs e sejam bons garotos, respeitadores e comportados — disse ele, com o tom sério de quem finge dar uma lição.
Os meninos, sem entender uma palavra, apenas o encararam por um segundo e logo voltaram a brincar, fazendo-o cair na gargalhada.
— É, acho que já sei a resposta — murmurou, balançando a cabeça e rindo sozinho.
Enquanto se distraía com os filhos, ouviu o som de uma notificação no celular. Pegou o aparelho e viu que era uma mensagem de Elisa. Antes de abrir, respirou fundo, fechou os olhos e murmurou uma prece:
— Meu Deus… que não seja nada que faça meu coração parar.
Quando finalmente abriu a mensagem, viu que a filha havia enviado uma foto — uma selfie dela com Noah, os dois deitados lado a lado, claramente ainda sonolentos. Elisa piscava para a câmera e fazia um biquinho divertido, enquanto o marido dormia tranquilo ao fundo.
Saulo ficou olhando a imagem por alguns segundos. Passou a mão no rosto, suspirou e resmungou baixinho:
— Essa menina quer me matar do coração.
Ele digitou uma resposta rápida, sorrindo:
— Me poupe, Elisa, me poupe!
Depois de enviar, deixou o celular de lado e voltou a brincar com os meninos, mas seu momento de leveza durou pouco. Pois avistou o carro de Oliver se aproximando da entrada da casa. O veículo parou lentamente e, quando o amigo desceu, Saulo percebeu de imediato que algo estava fora do normal.
Oliver caminhava devagar, com o semblante abatido e o olhar distante, sinais claros de que algo o preocupava. Ele raramente aparecia ali àquela hora, e isso só aumentou a curiosidade e a inquietação de Saulo.
— Boa tarde — cumprimentou Oliver, aproximando-se e sentando-se no canto da varanda.
— Boa tarde, meu amigo. Pela sua cara, ou a plantação pegou fogo, ou aconteceu algo mais sério.
Oliver forçou um sorriso sem graça, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Ah, Saulo… queria que fosse só a plantação.
O tom dele fez o sorriso de Saulo desaparecer.
— O que houve, Oliver? — perguntou, já sentindo o coração apertar.
— O Henri — respondeu, soltando o ar num suspiro pesado.
Saulo arqueou as sobrancelhas, já imaginando o pior.
— O que aquele garoto aprontou dessa vez?
— Nada — retrucou Oliver, balançando a cabeça. — Dessa vez, ele não aprontou nada… mas apareceu lá em casa pela manhã dizendo que vai se mudar para outra cidade.
— Sério? — perguntou Saulo, surpreso.
— Sério — confirmou, demonstrando um tom de preocupação. — Disse que recebeu uma proposta de um amigo para entrar numa sociedade.
Sem precisar que o amigo dissesse mais, Saulo completou.
— Catarina? — perguntou, num tom mais baixo.
Oliver assentiu lentamente.
— Desde que ela foi embora, ele não é mais o mesmo. Tenta se distrair, trabalha o tempo todo, mas eu sei que carrega aquela história no peito. E talvez pense que, mudando de cidade, consiga deixar tudo isso para trás.
— A dor do coração não se cura com distância, meu amigo. Mas, às vezes, é o único jeito de conseguir respirar. Sei que vai ser difícil, mas deixe-o ir. Às vezes, mudar de ares é tudo o que a pessoa precisa para se reencontrar.
Oliver o olhou, pensativo, enquanto ele continuava:
— O Henri precisa desse tempo, Oliver. Ele está tentando se curar do jeito dele. E, quando perceber que a saudade da família também dói, ele volta… e volta mais maduro, mais em paz.
— Você acha mesmo? — A expressão no rosto dele era de incerteza.
Dando um leve tapinha no ombro do amigo, Saulo sorriu.
— Eu não acho, eu tenho certeza. Filho que tem boas raízes pode até voar longe, mas sempre encontra o caminho de volta para casa.
A conversa com o amigo fez Oliver respirar fundo e assentir, como quem finalmente aceitava o inevitável.
— É... talvez você tenha razão, Saulo. Talvez tudo o que ele precise seja só isso, um tempo para si.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...