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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 379

Alguns meses depois.

— Não acredito que vou ter que te ver só em feriados e em datas comemorativas — disse Aurora, com os olhos marejados, enquanto ajudava o filho a fechar a última mala sobre a cama.

Henri sorriu, tentando aliviar o clima.

— Não precisa se preocupar com isso, mamãe. O Brasil tem tantos feriados que a senhora vai me ver com tanta frequência que nem vai ter tempo de sentir minha falta.

Aurora soltou um riso fraco, mas o olhar denunciava a tristeza que carregava. Aproximou-se dele, passando a mão em seu rosto com ternura.

— Como não vou sentir, meu filho? — perguntou, tentando conter as lágrimas. — Se só de saber que você mora sozinho aqui na vila já me dá um aperto no peito, imagina agora, sabendo que não poderei te ver quando quiser.

Henri segurou a mão dela e a beijou com carinho.

— Escuta, mãe, eu prometo que vou ligar todos os dias até não aguentar mais ouvir a minha voz. E, quando der, voltarei para visitá-los.

Ela assentiu, mas o sorriso que deu foi frágil, sustentado apenas pela tentativa de não chorar.

— Eu sei, meu amor. É só que… o coração de mãe nunca se acostuma a ver um filho partir, mesmo quando sabe que é para o bem dele.

Henri respirou fundo, tentando conter a emoção.

— A senhora pode me visitar também — comentou, checando se a mala estava bem fechada. — Vou deixar um quarto no resort exclusivo para vocês.

Aurora sorriu, mas o olhar denunciava a preocupação que sentia.

— Falando nisso… você tem certeza de que esse é um bom negócio, filho?

— Claro que tenho, mãe. Até o papai analisou comigo os papéis que o Tom enviou.

— Eu sei — disse ela, sentando-se na beirada da cama —, mas mesmo assim fico com o coração apertado. Você já tem um emprego estável aqui, ganha bem, vive perto da família… Por que precisa ir para o outro lado do país tentar algo novo, se já tem tudo o que precisa aqui?

Henri se sentou ao lado dela, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Porque, mãe, eu quero trilhar o meu próprio caminho, entende? Quero conhecer outros lugares, outros costumes… e outras pessoas.

Ao ouvir as últimas palavras do filho, Aurora silenciou. Sabia exatamente a quem ele se referia, e o coração materno apertou. Passou a mão nos cabelos dele, num gesto de carinho contido, e apenas disse:

— Se for pela sua felicidade. Então vá, meu filho, eu te dou a minha bênção.

[…]

Numa pequena cidade litorânea do interior do país, o aroma adocicado de chocolate e leite condensado preenchia uma cozinha simples. Catarina terminava de enrolar os últimos brigadeiros, colocando-os com cuidado em uma caixa de isopor decorada com fitas coloridas. Desde que se mudara para a casa dos tios, dedicava-se à confecção de doces para auxiliar nas despesas da casa e garantir sua própria independência, mesmo que os pais insistissem em enviar uma pequena quantia todos os meses.

— Já terminou, Catarina? — perguntou a tia, enquanto embalava a filha pequena nos braços, amamentando-a com calma.

— Já sim, tia. Hoje fiz duzentos docinhos.

A mulher arregalou os olhos, impressionada.

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