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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 414

Quando chegou à feira da vila, Andrea começou a procurar por Damião de um lado para o outro, quase como uma louca. Seu olhar atravessava as barracas, entre frutas, legumes e vozes que se misturavam na movimentação do dia. Ela estava determinada, precisava encontrá-lo antes que ele voltasse para casa.

O coração dela batia acelerado. Não queria, de forma alguma, que uma discussão explodisse na porta de casa quando ele visse Henri ali. Não queria gritos, não queria acusações, não queria nada que revivesse o passado e, acima de tudo, não queria ver Catarina sofrer mais uma vez.

Por isso, caminhava rápido, perguntando para algumas pessoas:

— Você viu o Damião por aqui?

Mas ouvia apenas respostas negativas. Passou pela barraca do seu Jaime, olhou perto do açougue improvisado da feira, depois seguiu até o canto onde os homens costumavam se reunir para conversar.

Nada.

Andrea pressionou a mão contra o peito, respirando fundo para se acalmar. O sol batia forte, o vento quase inexistente, e a tensão deixava seus passos mais urgentes.

— Onde aquele homem se meteu, meu Deus… — murmurou, continuando a busca.

Finalmente, ao se aproximar da barraca de temperos, ela o viu. Damião estava encostado no balcão, conversando com dois conhecidos e escolhendo alho em um saco grande, totalmente alheio à tempestade prestes a cair.

Limpando rapidamente o suor da testa, Andrea endireitou os ombros e caminhou até ele apressada.

— Damião! — ela chamou, num tom forte o bastante para fazê-lo se virar de imediato. — Ainda bem que te encontrei — disse, aproximando-se.

Damião estranhou na hora. Antes de sair de casa, havia insistido para que ela o acompanhasse, e Andrea recusou dizendo que estava cansada. Vê-la ali, de repente, o deixou desconfiado.

— Andrea… o que houve? — perguntou, preocupado, aproximando-se rapidamente.

— Eu estava te procurando — ela explicou, tentando manter a respiração estável.

— O que aconteceu?

— A Catarina acabou de chegar em casa.

O semblante apreensivo de Damião se transformou imediatamente. A expressão dura se abriu em um sorriso largo, quase juvenil, como se a notícia iluminasse tudo ao redor.

— Sério mesmo? — Ele quase exclamou. — Ela chegou?

— Sim, chegou agora há pouco.

— Meu Deus, eu nem sabia que ela viria tão cedo — disse ele, já largando as compras de lado, ansioso. — Não vejo a hora de ver a minha filha.

— Espera — Ela pediu, estendendo a mão para impedi-lo, ao notar que ele já estava prestes a sair correndo. — Antes de ir para casa… precisamos conversar um pouco.

Damião franziu a testa.

— Por quê?

Andrea olhou para os itens que ele havia separado na barraca, tentando encontrar forças. Fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e apontou para as compras.

— Termine de pagar isso aqui primeiro… e depois conversamos.

Apesar do estranhamento evidente, Damião obedeceu. Pegou a carteira, cumprimentou o feirante e começou a pagar pelas mercadorias, ainda lançando olhares desconfiados para a esposa, que o aguardava alguns passos atrás, respirando fundo e se preparando para o que viria.

Quando terminou de pagar, Damião se aproximou da esposa e começou a caminhar ao lado dela, ainda intrigado.

— Pronto, já terminei. O que você quer conversar? — perguntou, direto.

Andrea não fez rodeios. Já tinha decidido que seria clara.

— A Catarina chegou… mas não veio sozinha.

Confuso, Damião franziu a testa.

— Ah, não? Por acaso, o Alessandro e a família vieram com ela?

— Não — respondeu, segura. — Ela veio com o namorado.

Tocando o braço do marido com delicadeza, Andrea agia como quem tentava apagar um incêndio antes que começasse.

— Mas não acabou, marido… — ela disse, com calma. — Eles se amam. E se foram capazes de se reencontrar e se entender depois de tudo… isso só pode significar que o destino os uniu novamente.

Ele permaneceu quieto por alguns segundos, sua expressão oscilava entre raiva, confusão e algo mais difícil de nomear: medo. Medo de reviver tudo. Medo de perder a filha. Medo do passado.

Andrea apertou o braço dele com um pouco mais de força.

— Eles não são mais os jovens de meses atrás, Damião. A Catarina cresceu. O Henri também. E nós… também precisamos aprender a seguir em frente.

Ele engoliu em seco, ainda sem conseguir responder.

— A única coisa que te peço agora é que, quando chegar em casa, não comece uma briga. Pela nossa filha… — Andrea pediu, com a voz calma.

Damião ficou em silêncio, pensativo, com o olhar perdido entre as barracas da feira.

Percebendo a hesitação, ela insistiu:

— Você consegue fazer isso?

Respirando fundo, Damião passou a mão pelo rosto como quem tentava afastar as lembranças ruins.

Por fim, murmurou, com dificuldade:

— Eu… vou tentar.

Andrea assentiu devagar, sabendo que aquela resposta, embora simples, já era mais do que esperava naquele momento.

— É só o que preciso que faça — ela disse suavemente. — O resto… a gente resolve juntos.

Ele concordou com um aceno, ainda sem olhar diretamente para ela, mas o tom já não era o do homem prestes a explodir. Era o de alguém que começava a ceder, pelo amor que sentia pela filha.

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