Ainda em frente à casa da mãe, Catarina se sentou na calçada ao lado de Henri. As mãos dela repousavam sobre os joelhos, inquietas. A apreensão era evidente, o medo da reação do pai ao vê-la novamente com Henri apertava seu peito.
Enquanto ficava assim, Henri percebeu.
— Fique calma — ele disse, tocando de leve a mão dela. — Tudo vai dar certo. Eu vou conversar com o seu pai… até ele entender o quanto amo você.
O tom era tão firme, tão decidido, que por alguns instantes a ansiedade dela deu lugar a uma sensação de calma. Catarina respirou fundo, observando o rosto dele. Havia verdade ali, e isso a confortou.
Mas a tranquilidade não durou muito.
Assim que levantou o olhar para a rua, viu duas figuras se aproximando pela esquina. Seus pais.
O coração dela disparou.
— Lá vêm eles… — Ela murmurou, ajeitando rapidamente a roupa, como se isso pudesse ajudá-la a se sentir mais segura.
Henri endireitou a postura e segurou a mão dela com mais força.
— Não se preocupe com nada — garantiu. — Eu vou deixar tudo claro.
Quando Damião se aproximou, lançou um olhar rápido, de soslaio, para Henri, mas não disse uma única palavra. Seu foco estava completamente voltado para a filha.
Sem conseguir se controlar, ele abriu os braços e a puxou para um abraço forte, daqueles que esmagavam o peito e tiravam o fôlego.
— Minha filha… que saudade eu estava de você — sussurrou, emocionado.
— Eu também, pai — Catarina respondeu, apertando-o de volta.
Por alguns segundos, ele simplesmente a segurou ali, como se tivesse medo de soltá-la. Quando finalmente se afastou, suas mãos permaneceram nos ombros dela, analisando cada detalhe do seu rosto.
— Como você está? — perguntou, sério.
— Estou bem.
— E a sua saúde? — insistiu, preocupado.
— Anda bem, graças a Deus.
— Não sentiu mais nada? Nada mesmo?
— Não, pai.
A bateria de perguntas continuou, uma atrás da outra, a ponto de Andrea soltar um suspiro e Catarina sorrir de canto, compreendendo perfeitamente o motivo daquela enxurrada.
Ele estava nervoso.
Muito nervoso.
E estava fazendo de tudo para ignorar o fato de que Henri estava ali, ao lado dela.
— Pai… não sei se percebeu, mas eu não estou sozinha — disse Catarina por fim, reunindo coragem.
Damião engoliu em seco. Era como se, naquele instante, ele percebesse que não poderia ignorar para sempre o rapaz a poucos passos de distância. Pressionou os lábios, respirou fundo e, com evidente esforço, voltou o olhar para Henri.
— Como vai, rapaz? — perguntou, num tom contido.
— Estou bem, senhor. E o senhor? — Henri respondeu com educação.
— Estou feliz que a minha filha voltou para casa — ele disse rapidamente, como se quisesse se apegar àquele sentimento para não se desestabilizar.
Damião continuava com o rosto fechado, mas já não havia tanta dureza no olhar. Ele parecia ouvir, não apenas reagir.
— A Catarina se transformou no centro do meu mundo — Henri continuou, com a voz quase trêmula. — E não tê-la ao meu lado se tornou o pior castigo que eu poderia carregar na vida.
Aquilo pegou Damião de surpresa. Pela primeira vez, o olhar dele perdeu a rigidez. Não era aceitação ainda, mas também não era mais a acusação inicial.
— Confesso que tentei esquecê-la. Tentei seguir em frente. Mas logo entendi que seria impossível. Cada coisa que eu fazia, cada lugar que eu ia… tudo me lembrava ela. Tudo. Então, quando, por ironia do destino, eu a encontrei de novo… — Henri prosseguiu, dando um passo mais perto, com sinceridade estampada no rosto — percebi que, se a deixasse partir outra vez, seria o homem mais infeliz do mundo.
O silêncio que se formou entre eles era diferente agora. Não havia mais tensão explosiva; havia uma reflexão silenciosa, um peso emocional que ambos compreendiam.
Henri respirou fundo antes de continuar:
— Eu amo a sua filha, senhor. — Ele disse sem desviar o olhar. — A amo loucamente… a ponto de, se for preciso, dar a minha vida por ela.
Damião arregalou os olhos por um instante, surpreso com a intensidade das palavras.
Henri continuou:
— Eu quero ficar com ela. Quero dar a ela toda a felicidade que eu puder proporcionar. Quero que a Catarina se sinta a mulher mais amada do mundo… todos os dias. Quero cuidar dela, respeitá-la, protegê-la… e construir uma vida ao lado dela, se ela permitir.
A sinceridade era tão evidente que o ar entre os dois pareceu mudar.
O peso do passado estava ali, claro, mas Henri não parecia mais o garoto impulsivo que Damião precisou socar a cara e ameaçar.
Ele era um homem, assumindo responsabilidade, amor e compromisso.
Sentindo as lágrimas ameaçarem correr pelos seus olhos, Henri declarou:
— A única coisa que peço é uma oportunidade. Uma. Para mostrar que o homem que sou hoje merece a mulher que o destino colocou de volta no meu caminho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...