Preocupado com a seriedade da sogra, Henri sentiu um frio percorrer sua espinha. Ficou nervoso, é claro, mas decidiu não agir por impulso. Respirou fundo, abriu um sorriso educado e apenas fez um gesto cordial:
— Por favor… vamos conversar no jardim.
Ele os guiou para o quintal iluminado, onde a decoração já estava pronta. As luzes suspensas, as flores espalhadas e o clima romântico criavam um cenário perfeito, mas naquele momento, Henri mal conseguia apreciá-lo. Algo na expressão da sogra o deixava inquieto.
Assim que todos se acomodaram, ele se virou diretamente para Andrea.
— Senhora… o que houve?
Ela cruzou as mãos no colo, observando tudo ao redor antes de responder.
— Bem, Henri… sei que você está fazendo tudo direitinho. — Os olhos dela percorreram a decoração. — Posso ver isso com meus próprios olhos.
— Sim. — Ele assentiu, seguro. — Quero fazer tudo que não fiz no passado por Catarina. Quero fazer tudo certo desta vez.
— Eu sei. E estou de acordo — Andrea respondeu, com sinceridade. — Porém…
— Porém…?
Andrea inspirou fundo, como quem escolhe as palavras com cuidado.
— Há coisas que preciso saber para ter certeza de que você realmente mudou.
Ele franziu o cenho, intrigado.
— Que coisas seriam essas?
Ela não desviou o olhar. A sinceridade doeu, mas ela preferiu não mascarar nada:
— Infelizmente… naquela época, chegaram aos nossos ouvidos muitas histórias de que você era um mulherengo. Que se envolvia com várias garotas.
Ele paralisou por um instante.
A acusação não era nova, ele já sabia disso, mas ouvir aquilo nos lábios da sogra, justamente no dia em que planejava pedir a mulher da sua vida em casamento, pesou mais do que imaginava.
— Senhora… — ele começou, respirando fundo — eu errei muito no passado. E não nego isso. Mas com a Catarina… não é uma brincadeira. Nunca a tratarei como algo passageiro.
Andrea o olhava firmemente, avaliando cada palavra.
Henri continuou:
— Se tivesse continuado no caminho que eu vivia, talvez… talvez tivesse realmente sido o tipo de homem que vocês imaginavam. Mas eu a conheci. E isso mudou tudo.
Ele passou a mão pelos cabelos, nervoso, mas sincero.
— Amo a sua filha. E por isso… eu me afastei de tudo e de todos que não prestavam. Eu me tornei outro homem. A Catarina não merece meias-verdades. Ela merece o melhor de mim.
O silêncio se instalou por alguns segundos.
Foi então que Andrea respondeu:
— Acredito nisso, Henri. Acredito porque vejo nos seus olhos… mas preciso que você me diga algo, com toda a honestidade que tiver. — Ela se inclinou um pouco, encurtando a distância entre os dois. — Hoje, você tem certeza absoluta de que não está escondendo nada dela? Nada que possa magoá-la?
As palavras atingiram-no como um soco.
Henri assentiu, sentindo a responsabilidade do amor que carregava.
— Obrigado pelo conselho, senhor, senhora — declarou com sinceridade. — Prometo… serei o mais transparente possível com a filha de vocês. Ela merece isso. E muito mais.
Vendo que Henri estava realmente sendo sincero, Damião decidiu acrescentar mais alguns conselhos ao futuro genro, numa tentativa genuína de garantir que aquele relacionamento tivesse bases firmes para durar. A conversa entre eles se estendeu por longos minutos, talvez horas, em meio ao jardim.
Henri ouviu tudo com atenção, absorvendo cada orientação como quem entende a responsabilidade de amar alguém que já havia sofrido demais. Sentia-se grato, aliviado por ter a confiança dos sogros e determinado a honrar essa confiança todos os dias de sua vida.
Quando, finalmente, Gael avisou que Catarina já estava na fazenda e que começava a dar sinais claros de impaciência, Henri respirou fundo. Era hora.
— Preciso ir — disse ele, se levantando. — Quero estar no lugar antes que ela chegue.
Damião assentiu, oferecendo-lhe um aperto de mão firme.
— Vá, rapaz. E lembre-se do que falamos. Não deixe espaço para dúvidas no coração dela.
Andrea sorriu, com os olhos marejados.
— A minha filha merece ser feliz, Henri. E eu espero do fundo da alma que você seja o homem que vai garantir isso.
— Vou ser — prometeu, com a voz embargada.
Então, sem perder mais um segundo, ele caminhou em direção ao pergolado. Era chegado o instante que ele sonhou, planejou, construiu em segredo e esperou por tanto tempo.
Quando as luzes se acenderam e ele finalmente a viu, parada ali com os olhos confusos, buscando uma explicação, não conseguiu se conter, as lágrimas simplesmente transbordaram. Naquele instante, teve certeza absoluta de que havia encontrado naquela mulher o amor de sua vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Existe pfd do livro grátis?...
Os últimos capítulos não serão liberados?...
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...