Nuria
O caminho de volta foi mergulhado em silêncio.
Mas não era o tipo de silêncio desconfortável.
Era aquele que pesa no ar, carregando promessas… e medo.
Stefanos dirigia com uma das mãos firmes no volante, enquanto a outra permanecia entrelaçada à minha.
Seu toque era constante. Quente. Como se ele também estivesse tentando acreditar que aquilo era real.
Eu, por outro lado, não conseguia tirar os olhos do papel no meu colo.
Seis semanas.
Seis semanas de vida crescendo dentro de mim.
Era real.
Quando cruzamos os portões da mansão, senti o mundo desacelerar.
Tudo parecia quieto demais, como se a casa soubesse que algo havia mudado.
A noite ainda não se deitara por completo, mas dentro de mim...
o universo já tinha virado do avesso.
Entramos. E então… eu parei.
No pé da escadaria que levava aos quartos, ele estava lá.
Johan.
Imóvel. Postado como uma sombra que se recusa a desaparecer.
Como se soubesse que estávamos voltando.
Como se… nos esperasse.
Meu coração apertou no mesmo instante.
Mas antes que eu pudesse reagir, Stefanos avançou.
Se posicionou entre nós dois com a precisão de quem já esperava por aquilo.
Uma muralha de carne, osso e fúria silenciosa.
Seu corpo inteiro dizia o que ele ainda não havia dito em voz alta: "Não se aproxime dela."
"Precisa de alguma coisa?" ele perguntou, direto.
Johan negou com a cabeça, mas não respondeu. Apenas me encarou por um segundo longo demais. E subiu as escadas com pressa.
Minha mão estava trêmula.
Stefanos virou-se pra mim, segurando meus dedos com firmeza.
"Não se preocupa com ele."
"É impossível." Tentei sorrir, mas foi mais um sopro de ironia do que qualquer outra coisa.
"Então eu me preocupo por nós dois. Você está segura, Ruína."
Subimos juntos, e ao entrar no quarto, soltei o ar preso nos pulmões como se estivesse fugindo de uma guerra... e talvez estivesse.
"Quer que eu busque algo para você?" ele perguntou, fechando a porta atrás de si.
"Não, só quero descansar...o dia foi uma loucura."
Caí na cama como quem finalmente encontra abrigo. E ele veio logo atrás, se jogando do meu lado com aquele jeito despreocupado que só ele consegue fingir.
Se apoiou no cotovelo e ergueu minha blusa devagar. Os dedos dele tocaram minha barriga com reverência, como se acariciasse o próprio destino.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Capturada pelo Alfa Cruel