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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 117

O retorno à casa Yamamoto foi silencioso. O carro deslizou pelos portões com a mesma precisão de sempre, os lanternins acesos marcando o caminho como sentinelas imóveis. Valentina observava tudo pela janela, mas já não enxergava o jardim, nem as pedras, nem a água perfeitamente controlada. Algo dentro dela tinha ficado pesado demais para apreciar beleza.

Hana se despediu com carinho genuíno.

— Obrigada pela companhia hoje, Valentina. — disse, segurando-lhe as mãos por um instante a mais do que o protocolo exigia. — Foi… especial.

Valentina sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.

— Foi mesmo. Obrigada por dividir tanto comigo.

Hana assentiu, como quem entende mais do que foi dito, e seguiu pelo corredor oposto.

Valentina caminhou até a ala reservada sentindo o peso da casa crescer a cada passo. Não era hostilidade. Era estrutura demais. História demais. Destinos decididos antes mesmo do nascimento.

Entrou no quarto.

Fechou a porta com cuidado.

E ficou parada.

Por longos segundos.

O quarto estava exatamente como havia deixado: impecável, organizado, silencioso. Um silêncio diferente do jardim. Ali não havia fluxo. Havia contenção.

Valentina sentou-se na beira da cama e ficou olhando para o nada. Não pensava em algo específico — e isso era o mais perigoso. Era quando as certezas começavam a se misturar com o medo.

O celular vibrou sobre a mesa lateral.

Ela demorou a pegar.

Quando finalmente olhou a tela, o nome piscava como um porto seguro.

Bianca.

Valentina atendeu.

— Finalmente. — Bianca disse do outro lado, sem sequer cumprimentar. — Eu já ia mandar a polícia internacional atrás de você.

Valentina soltou um riso curto, cansado.

— Desculpa… os dias aqui são intensos.

— Intenso tipo “conheci o Japão” ou intenso tipo “me perdi num dorama milionário”?

— Os dois. — Valentina respondeu, sincera.

Bianca começou a falar sem parar, como sempre. Comentou sobre ruas que Valentina precisava conhecer, restaurantes escondidos, lojas absurdamente caras que ela jamais pisaria se estivesse sozinha.

— E não esquece de comer ramen de verdade, não esses de aeroporto chique — Bianca continuou. — Ah, e eu queria tanto estar aí com você…

Valentina fechou os olhos por um instante.

— Eu sei.

Houve uma pausa breve do outro lado da linha. Pequena demais para ser casual.

— Tá. — Bianca disse. — Agora fala a verdade. Como você está?

Valentina não respondeu de imediato.

Levantou-se, caminhou até a janela e afastou um pouco o painel, deixando a luz suave do fim de tarde entrar.

— Cansada. — disse. — Não fisicamente. Aqui… — tocou o peito — …aqui dentro.

Bianca ficou em silêncio.

— Esse lugar é lindo. — Valentina continuou. — Mas tudo aqui parece ter sido decidido antes das pessoas existirem. Casamentos, filhos, empresas… ninguém escolhe nada de verdade.

— E você? — Bianca perguntou, com cuidado. — Você está escolhendo?

Valentina respirou fundo.

— É isso que está me assustando.

Do lado de fora do quarto, Rafael caminhava pelo corredor com passos contidos. Tinha acabado de sair de uma ligação e seguia para o quarto quando ouviu a voz dela.

Ele parou instintivamente.

— Bianca… — Valentina disse, a voz mais baixa agora. — Eu quero que esse contrato seja assinado logo.

Rafael ficou imóvel.

— Quero sair desse casamento o mais rápido possível. — ela continuou. — Eu não quero viver assim. Não quero uma vida de mentiras, de aparências, de pessoas cumprindo papéis que não escolheram.

O peito dele apertou.

— Meus pais… — Valentina engoliu em seco — …eles morreram. Mas eram felizes juntos. De verdade. Eu vi isso. Eu cresci vendo isso.

Silêncio do outro lado da linha.

— E eu não quero menos do que isso, Bia. — ela disse, firme agora. — Eu quero amor. Não um acordo. Não um contrato. Amor.

Rafael sentiu algo estranho atravessar o peito.

Não era raiva.

Não era ciúme.

Era… perda antecipada.

— E com ele? — Bianca perguntou, direta, como sempre. — Você acha que pode existir isso?

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