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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 132

O caminho de volta começou com discussão.

Não uma discussão grave.

Mas daquelas que só quem se conhece demais consegue sustentar por tanto tempo.

— Eu não vou pra hotel. — Lucas disse pela terceira vez, a mão firme no volante.

— Vai sim. — Bianca respondeu, cruzando os braços. — Você não vai se mudar pro meu apartamento assim, do nada.

— Não é do nada. Eu já tô aqui.

— Isso não é argumento.

— Pra mim é.

Valentina, no banco de trás, tentou manter a expressão neutra por alguns segundos. Falhou miseravelmente.

— Vocês brigam assim há quanto tempo? — perguntou, divertida.

— Desde sempre. — Bianca respondeu, sem olhar para trás.

— Desde que ela decidiu que é independente demais pra dividir espaço. — Lucas completou.

— Eu sou independente. — Bianca rebateu. — E gosto do meu espaço.

— Você gosta é de mandar.

Valentina riu baixo.

— Vocês sabem que estão discutindo exatamente o mesmo assunto, só com palavras diferentes, né?

— Não estamos. — Bianca disse ao mesmo tempo que Lucas respondeu:

— Estamos sim.

O silêncio que veio depois durou dois segundos.

— Hotel. — Bianca insistiu.

— Apartamento. — Lucas devolveu.

— Hotel.

— Apartamento.

Valentina apoiou o queixo na mão, observando a cena com um sorriso solto, daqueles que não exigem explicação. Era estranho como aquilo não a cansava. Pelo contrário. Aquela briga doméstica, banal, cotidiana… era quase reconfortante.

No banco da frente, Rafael permanecia em silêncio.

Observava pelo retrovisor, atento, mas distante. Não interferia. Não sorria abertamente. Mas havia algo relaxado em sua postura — um raro estado de trégua interna, como se aquele caos pequeno não exigisse dele nenhuma decisão estratégica.

Quando o carro finalmente parou diante do prédio de Bianca, a discussão ainda não tinha terminado.

— Eu vou subir. — Bianca anunciou, já abrindo a porta.

— Eu também. — Lucas disse.

— Você vai pro hotel.

— Eu vou pro seu apartamento.

Bianca suspirou, exausta.

— Você é impossível.

— Você é teimosa.

Ela sorriu, apesar de tudo.

Valentina desceu do carro logo depois, alongando o corpo.

— Obrigada pelo dia. — disse, sincera. — Eu precisava disso mais do que achei que precisava.

Bianca se aproximou e a abraçou sem aviso, forte, apertado, daquele jeito que não pede permissão.

— A gente se fala amanhã. — disse, com a voz abafada. — E depois também.

— Depois também. — Valentina confirmou.

Lucas se aproximou e tocou de leve o ombro dela.

— Qualquer coisa… — começou.

— Eu sei. — Valentina interrompeu, com um sorriso. — Obrigada.

Rafael observava a despedida a poucos passos de distância.

Quando Bianca finalmente se afastou, virou-se para ele.

— Cuida dela. — disse, direta.

Rafael sustentou o olhar por um segundo.

— Sempre.

Lucas pigarreou.

— Isso ficou estranho rápido demais. — comentou.

— Cala a boca. — Bianca respondeu, puxando-o pelo braço em direção à entrada. — Ou você vai acabar dormindo no carro.

Eles desapareceram no prédio ainda discutindo — vozes abafadas, risos escapando no meio das frases atravessadas.

Valentina entrou no carro novamente.

Enquanto esperava, Valentina sentiu a garganta seca.

— Vou pegar água. — murmurou para si mesma, levantando-se.

Não viu o tapete.

O pé escorregou de leve. O corpo tentou compensar. Falhou.

Valentina perdeu o equilíbrio e caiu para frente, direto contra Rafael, que tinha acabado de sair do banheiro.

O impacto foi rápido, desajeitado — e completamente inesperado.

Rafael caiu para trás com ela, ambos indo parar na cama. Valentina por cima dele, apoiada nos braços, o rosto próximo demais para ser confortável.

Silêncio.

Ela sentiu o cheiro dele — limpo, quente, masculino. Sentiu o peito dele subir rápido sob o próprio corpo. Rafael sentiu o peso leve dela, o calor, a respiração curta contra o próprio pescoço.

Os olhos se encontraram.

Nenhum dos dois disse nada.

Por um segundo longo demais, o mundo pareceu parar exatamente ali.

Valentina foi a primeira a reagir.

— Meu Deus… — murmurou, os olhos arregalando. — Desculpa! Desculpa, eu não vi o tapete!

Ela se afastou rápido demais, quase tropeçando de novo, escorregando para o lado da cama.

— Eu sou um desastre ambulante. — completou, já puxando o cobertor e se jogando no próprio lado. — Desculpa mesmo!

Virou de lado e se cobriu até a cabeça, como se pudesse desaparecer ali.

Silêncio.

Rafael permaneceu deitado por alguns segundos, olhando para o teto, sentindo o coração ainda acelerado.

Então sentou.

E sorriu.

Dessa vez, não foi contido.

Nem calculado.

Foi um sorriso real, discreto.

Deitou no lado dele, apagou a luz com um gesto simples e fechou os olhos, ainda com o sorriso ali.

Valentina, escondida sob o cobertor, sentiu o colchão ceder ao lado e o coração disparar de novo — mas não se moveu.

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