O passeio pelas sakuras começou a desacelerar sem que ninguém anunciasse.
As conversas foram ficando mais espaçadas, os passos menos apressados. Valentina sentia o corpo cansado, mas de um cansaço diferente — não o peso do medo, e sim o desgaste normal de quem passou tempo demais fora depois de dias trancada em si mesma.
Ela parou perto de uma árvore, observando as pétalas se acumularem no chão.
— Eu tô com fome. — Bianca disse de repente, quebrando o silêncio. — Muita fome.
Lucas soltou um riso curto.
— Você acabou de comer.
— Comer não. — ela rebateu. — Eu belisquei. Isso não conta.
Valentina sorriu.
— Agora que você falou… — comentou, tocando de leve o próprio estômago. — Eu também.
Rafael virou o rosto para ela.
— Quer comer alguma coisa agora? — perguntou, sem pressão.
Valentina pensou por um segundo e assentiu.
— Quero.
Bianca abriu um sorriso imediato.
— Ótimo. Porque tem um lugar aqui perto que eu amo. Pequeno, simples… e perigoso. Você sai de lá querendo voltar no dia seguinte.
Lucas arqueou a sobrancelha.
— Perigoso?
— Sim. — ela respondeu. — Porque é bom demais.
Rafael apenas fez um gesto com a cabeça.
— Vamos.
O restaurante ficava a poucas quadras do parque.
Nada chamativo por fora. Portas de madeira abertas, cheiro de caldo quente escapando para a rua, algumas mesas já ocupadas. Casais sentados lado a lado, outros frente a frente, conversas baixas, risadas soltas.
Valentina gostou do lugar antes mesmo de sentar.
— Eu detesto que aqui tudo gire em torno de casal. — Bianca comentou, olhando ao redor enquanto se acomodava. — Todo mundo colado, compartilhando prato, fazendo coraçãozinho com a mão.
Lucas puxou a cadeira para ela.
— Você detesta porque se recusa a aproveitar.
— Não somos um casal, senhor Monteiro. — Bianca respondeu, sentando-se propositalmente de um lado oposto da mesa.
Lucas sorriu de lado.
— Não somos porque você não quer, senhorita Kato.
Valentina riu, um riso baixo, espontâneo.
Rafael percebeu.
Não comentou.
Mas algo nele relaxou ao vê-la assim.
O cardápio veio rápido.
Bianca mal abriu o dela.
— Você vai comer isso. — disse, apontando diretamente para o prato indicado e virando o cardápio para Valentina. — Confia em mim. É simplesmente a melhor coisa daqui.
— Ela acabou de sentar. — Lucas comentou.
— Justamente. — Bianca respondeu. — Decisões importantes precisam ser tomadas cedo.
Valentina sorriu e assentiu.
— Então tá. Vou nesse.
Bianca fez um gesto vitorioso.
— Boa escolha.
Enquanto esperavam os pedidos, Bianca se recostou na cadeira, casual.
— Mês que vem eu volto pro Japão.
Lucas congelou.
— Não.
Bianca virou o rosto para ele com calma absoluta.
— Vou.
— Você não vai. — ele insistiu.
— Vou sim. — respondeu. — E você não manda em mim.
Lucas respirou fundo e olhou para Valentina, pedindo socorro.
— Cunhada… tira da cabeça dessa louca que ficar meses trancada num laboratório não é saudável.
— É meu trabalho. — Bianca respondeu, seca.
— É obsessão. — ele rebateu.
Bianca suspirou e virou-se para Rafael, sem cerimônia.
— Cunhado, fala pra ele que da minha vida cuido eu. — disse. — E que não vou abrir mão disso.
Rafael sustentou o olhar dela por um segundo.
Depois sorriu de lado, discreto.
— Ela cuida bem da própria vida. — disse. — Dá pra ver.
Lucas fechou os olhos.
— Claro que dá.

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