Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 131

O passeio pelas sakuras começou a desacelerar sem que ninguém anunciasse.

As conversas foram ficando mais espaçadas, os passos menos apressados. Valentina sentia o corpo cansado, mas de um cansaço diferente — não o peso do medo, e sim o desgaste normal de quem passou tempo demais fora depois de dias trancada em si mesma.

Ela parou perto de uma árvore, observando as pétalas se acumularem no chão.

— Eu tô com fome. — Bianca disse de repente, quebrando o silêncio. — Muita fome.

Lucas soltou um riso curto.

— Você acabou de comer.

— Comer não. — ela rebateu. — Eu belisquei. Isso não conta.

Valentina sorriu.

— Agora que você falou… — comentou, tocando de leve o próprio estômago. — Eu também.

Rafael virou o rosto para ela.

— Quer comer alguma coisa agora? — perguntou, sem pressão.

Valentina pensou por um segundo e assentiu.

— Quero.

Bianca abriu um sorriso imediato.

— Ótimo. Porque tem um lugar aqui perto que eu amo. Pequeno, simples… e perigoso. Você sai de lá querendo voltar no dia seguinte.

Lucas arqueou a sobrancelha.

— Perigoso?

— Sim. — ela respondeu. — Porque é bom demais.

Rafael apenas fez um gesto com a cabeça.

— Vamos.

O restaurante ficava a poucas quadras do parque.

Nada chamativo por fora. Portas de madeira abertas, cheiro de caldo quente escapando para a rua, algumas mesas já ocupadas. Casais sentados lado a lado, outros frente a frente, conversas baixas, risadas soltas.

Valentina gostou do lugar antes mesmo de sentar.

— Eu detesto que aqui tudo gire em torno de casal. — Bianca comentou, olhando ao redor enquanto se acomodava. — Todo mundo colado, compartilhando prato, fazendo coraçãozinho com a mão.

Lucas puxou a cadeira para ela.

— Você detesta porque se recusa a aproveitar.

— Não somos um casal, senhor Monteiro. — Bianca respondeu, sentando-se propositalmente de um lado oposto da mesa.

Lucas sorriu de lado.

— Não somos porque você não quer, senhorita Kato.

Valentina riu, um riso baixo, espontâneo.

Rafael percebeu.

Não comentou.

Mas algo nele relaxou ao vê-la assim.

O cardápio veio rápido.

Bianca mal abriu o dela.

— Você vai comer isso. — disse, apontando diretamente para o prato indicado e virando o cardápio para Valentina. — Confia em mim. É simplesmente a melhor coisa daqui.

— Ela acabou de sentar. — Lucas comentou.

— Justamente. — Bianca respondeu. — Decisões importantes precisam ser tomadas cedo.

Valentina sorriu e assentiu.

— Então tá. Vou nesse.

Bianca fez um gesto vitorioso.

— Boa escolha.

Enquanto esperavam os pedidos, Bianca se recostou na cadeira, casual.

— Mês que vem eu volto pro Japão.

Lucas congelou.

— Não.

Bianca virou o rosto para ele com calma absoluta.

— Vou.

— Você não vai. — ele insistiu.

— Vou sim. — respondeu. — E você não manda em mim.

Lucas respirou fundo e olhou para Valentina, pedindo socorro.

— Cunhada… tira da cabeça dessa louca que ficar meses trancada num laboratório não é saudável.

— É meu trabalho. — Bianca respondeu, seca.

— É obsessão. — ele rebateu.

Bianca suspirou e virou-se para Rafael, sem cerimônia.

— Cunhado, fala pra ele que da minha vida cuido eu. — disse. — E que não vou abrir mão disso.

Rafael sustentou o olhar dela por um segundo.

Depois sorriu de lado, discreto.

— Ela cuida bem da própria vida. — disse. — Dá pra ver.

Lucas fechou os olhos.

— Claro que dá.

À frente, Valentina jogou a cabeça para trás ao rir de algo que Bianca disse. O som chegou até eles como um lembrete incômodo de tudo que estava em jogo.

Lucas olhou na mesma direção.

— Então alguém não quer ela viva.

— Não. — Rafael corrigiu, seco. — Alguém quer que ela morra.

Lucas respirou fundo.

— E o que você vai fazer?

Rafael parou por um instante.

Não foi teatral.

Foi preciso.

Olhou para Valentina à frente, o cabelo balançando com o vento leve, o rosto aberto, distraído demais para imaginar qualquer coisa além daquele momento.

— Descobrir quem é. — disse, por fim. — E acabar com eles antes.

Lucas não se assustou.

Apenas analisou.

— Muitas pessoas não querem a Valentina viva. — disse. — Mas são poucas que têm dinheiro pra bancar um sequestro fora do país.

Rafael retomou o passo, mais lento agora.

— Concordo.

— Então os antigos sócios da Diniz… — Lucas começou.

— Pode esquecer. — Rafael completou. — Clientes também.

Lucas franziu a testa.

— Isso deixa quantos?

Rafael parou outra vez.

Virou o rosto, encarando Lucas pela primeira vez.

E sorriu.

Não era um sorriso de alegria.

Era o sorriso de quem finalmente enxerga o tabuleiro inteiro.

— Três.

Lucas sustentou o olhar por um segundo.

Rafael voltou a andar.

À frente, Valentina se virou para chamar Bianca para atravessar a rua, o sorriso ainda ali, intacto.

Rafael a acompanhou com os olhos.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário