O hotel Kōrin Imperial, no centro de Tóquio, já estava completamente preparado para o baile daquela noite.
Discreto por fora, imponente por dentro, era o tipo de lugar onde eventos importantes aconteciam sem alarde — mas nunca passavam despercebidos.
A comitiva Yamamoto chegou pouco depois de deixar o spa. Funcionários aguardavam em silêncio organizado, indicando os andares reservados. Cada convidado principal tinha uma suíte preparada com antecedência, tudo pensado para que a transição entre o dia e a noite fosse suave, quase imperceptível.
Valentina e Bianca foram conduzidas juntas até uma das suítes mais amplas do andar alto, com vista para a cidade iluminada que começava a despertar para a noite.
Assim que a porta se fechou atrás delas o espaço começou a se transformar com uma eficiência quase militar — só que muito mais perfumada. Duas cabeleireiras surgiram primeiro, organizando maletas sobre a bancada. Logo depois, duas maquiadoras ocuparam a área próxima à janela, espalhando pincéis, paletas, frascos pequenos demais para conter tanto poder.
E então vieram os vestidos.
Valentina piscou, surpresa.
— …isso tudo é meu?
Uma das assistentes sorriu, como se aquela fosse a pergunta mais óbvia do mundo.
— Sim, senhora.
Bianca soltou um assobio baixo, andando lentamente em frente ao cabideiro que parecia não ter fim.
— Ok. — ela disse. — Eu oficialmente mudei de carreira. Quero virar esposa de CEO.
Valentina riu.
— Bem... Você tem o Lucas, ele é um ceo. Disse e sua amiga revirou os olhos.
— Estava bom até você me lembrar dele. — Bianca rebateu, já puxando um vestido para fora. — Meu Deus… isso aqui parece coisa de filme.. disse mudando de assunto e fazendo Valentina rir alto.
Os vestidos variavam entre cortes clássicos e ousados, tecidos que escorriam entre os dedos como água, tons profundos, neutros sofisticados, detalhes que gritavam luxo sem precisar levantar a voz.
— Que riqueza de detalhes. — Bianca comentou. — Deve conter um rim e um braço aqui.
Valentina se aproximou devagar, tocando um dos tecidos com cuidado.
— Tudo gira em torno de quem parece mais rico — disse, sincera. — Só queria algo mais... Simples.
— Impossível. — Bianca respondeu. — Você é a esposa de um grande empresário que está se destacando. Então você tem que refletir ele. Imagina se voce chega com roupas da 25 de março.
Valentina sorriu com o comentário.
Enquanto isso, uma das maquiadoras se aproximou de Valentina.
— Posso ver sua pele?
Valentina assentiu, sentando-se diante do espelho.
— Queremos algo mais marcado ou natural? — perguntou a profissional, avaliando com atenção.
Antes que Valentina respondesse, Bianca se intrometeu:
— Natural e elegante. — disse.
A maquiadora sorriu.
— Entendi perfeitamente.
Valentina observava tudo refletido no espelho com uma estranheza suave.
As cabeleireiras começaram a separar mechas do cabelo dela com delicadeza.
— Preso ou solto? — perguntou uma delas.
Valentina pensou por um instante.
— Solto… mas arrumado. — respondeu. — Gosto dele assim.
Bianca assentiu, séria pela primeira vez.
— Boa escolha.
Enquanto isso, ela mesma já estava sendo puxada para outra cadeira.
— Ei, ei! — protestou. — Eu só vim acompanhar!
— Senhorita, a senhora também participará do evento. — respondeu uma assistente, já posicionando Bianca corretamente. — E está na lista de prioridades.
Bianca arregalou os olhos.
— Valentina… — murmurou. — Eu realmente quero ser esposa de ceo.
Valentina riu alto.
— Você não tem jeito.
Sapatos foram trazidos logo depois. Caixas abertas no tapete, saltos impecáveis alinhados como soldados em inspeção.
Bianca pegou um par na mão.
— Glamour...
— E caro — Valentina comentou.
— Sim, mas como tudo que é bom, custa muito. Bianca devolveu, olhando para ela pelo espelho.
As joias vieram por último.
Nada exagerado. Peças escolhidas com cuidado, brilho discreto, presença silenciosa. Um colar delicado. Brincos que emolduravam sem competir. Um anel que parecia ter sido feito sob medida.
Valentina respirou fundo quando viu tudo disposto.
— Ficou bom.
Bianca sorriu, suave agora.
— Estamos arrasando gata!
O quarto estava cheio de movimento, risos baixos, comentários atravessados, o som de secadores e pincéis deslizando. Mas, curiosamente, Valentina sentia calma.
Quando tudo começou a desacelerar, uma das cabeleireiras deu um passo para trás.
— Pronto.
Valentina abriu os olhos.
O reflexo no espelho a fez prender a respiração por um segundo.



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