O salão principal do Kōrin Imperial não anunciava grandeza — ele pressupunha.
Nada ali precisava provar nada a ninguém.
Lustres altos filtravam a luz em tons quentes, refletindo em mármore polido e superfícies que não carregavam marcas do tempo. Conversas em diferentes idiomas se misturavam num murmúrio elegante, calculado. Não havia risadas altas. Não havia excessos. Apenas presença.
Rafael entrou primeiro.
Passos firmes, postura impecável, o terno escuro sob medida desenhando autoridade sem esforço. Não era ansiedade o que se movia dentro dele — era leitura. Avaliava o espaço como sempre fazia: saídas, centros de influência, dinâmicas invisíveis. Aquilo não era um baile. Era um tabuleiro.
Valentina entrou ao lado dele.
Não um passo atrás.
Não à frente.
Exatamente onde deveria estar.
O vestido acompanhava o corpo com precisão silenciosa. Nada gritava luxo — e ainda assim, tudo ali era caro. O cabelo solto emoldurava o rosto com naturalidade calculada. Ela caminhava com calma, como quem não precisava se provar pertencente porque já estava.
Alguns olhares se voltaram de imediato.
Outros demoraram um segundo a mais — e eram esses que importavam.
Yamamoto os aguardava próximo ao centro do salão, acompanhado de Akemi e Hana. O sorriso dele surgiu antes mesmo que se aproximassem. Um sorriso discreto, satisfeito.
— Montenegro. — cumprimentou, inclinando levemente a cabeça. — Chegaram no momento certo.
Rafael retribuiu o gesto com igual precisão. — Yamamoto.
Akemi observou Valentina com atenção tranquila. Não havia avaliação. Havia reconhecimento. Hana sorriu abertamente, breve, como quem já havia decidido gostar antes mesmo do evento começar.
— Estão deslumbrantes. — Yamamoto disse, com a educação que se esperava. — Ambas.
Bianca arqueou a sobrancelha, divertida. — Eu sabia que esse convite ia valer a pena.
Lucas pigarreou ao lado dela. — Não começa.
Yamamoto ignorou a troca com naturalidade e fez um gesto sutil com a mão. — Venham. — disse. — Há pessoas importantes que precisam conhecê-los.
Eles avançaram pelo salão.
Os primeiros cumprimentos foram rápidos, formais. Nomes grandes. Rostos conhecidos de capas de revistas financeiras e relatórios confidenciais. Cada aperto de mão vinha carregado de intenção.
Yamamoto parou diante de um grupo pequeno, estrategicamente posicionado.
— Senhores… — começou. — Permitam-me apresentar Rafael Montenegro, da Montenegro Corp.
Alguns olhares se aguçaram.
— Um conglomerado com atuação em tecnologia estratégica, segurança privada e investimentos internacionais. — Yamamoto completou, sem exagerar uma sílaba.
Rafael cumprimentou um a um, a voz firme, segura. — Um prazer.
— Ouvi dizer que a Montenegro Corp tem crescido rápido demais para alguns gostos. — comentou um dos homens, segurando um copo de uísque com falsa leveza.
Rafael sorriu de lado. — Crescer rápido é fácil. — respondeu. — Difícil é sustentar.
O homem ergueu a sobrancelha. — Ainda assim… certos níveis exigem mais do que ambição.
Rafael levou o copo aos lábios, tomou um gole pequeno. — Concordo. — disse. — Exigem consistência. E nós estamos próximos.
A frase pousou no ar como um aviso elegante.
Yamamoto virou-se então para Valentina. — E esta é a senhora Montenegro.
Valentina deu um passo mínimo à frente. — Um prazer conhecê-los.
Alguns homens assentiram com respeito automático. Outros a observaram por um segundo a mais — tentando entender o que exatamente fazia aquela mulher parecer tão confortável ali.
Ela permaneceu em silêncio enquanto a conversa retornava a Rafael. Observava. Lia expressões. Percebia quem queria aproximação e quem queria medir terreno.
Um comentário veio enviesado: — Interessante ver a Montenegro Corp se aproximando desse círculo.
Rafael respondeu antes que Valentina precisasse sequer reagir. — O mercado não se fecha. — disse. — Ele seleciona.



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