A porta da sala VIP de Rafael se abriu de repente, e o barulho invadiu o ambiente.
— RAFA, SEU DESGRAÇADO! — gritou Tomás Albuquerque, herdeiro dos vinhos Albuquerque, já meio alto de bebida. — A gente nem sabia que você estava no clube hoje!
Tomás Albuquerque entrou primeiro, já rindo alto como se o mundo fosse feito para divertir o próprio ego.
Caio Ventura veio logo atrás, falando ao telefone sobre uma startup nova que, com toda certeza, ia falir em três meses.
E Adriana Couto…
Adriana entrou como se o ar da sala fosse perfume feito especialmente para ela.
Sem pedir licença, caminhou até Rafael — não com vulgaridade, mas com aquela soberba elegante de quem sempre achou que tinha direito a tudo.
Ela pousou a mão no ombro dele, suave demais para ser inocente.
— Rafael… — sussurrou, inclinando-se. — Que bom te ver aqui. Senti sua falta. Esses homens vivem querendo brincar demais.
Rafael mal virou o rosto.
— Saia.
Uma palavra.
Baixa.
Letal.
Adriana congelou.
Tomás parou de rir.
Caio arregalou os olhos.
Lucas inclinou a cabeça, satisfeito.
— Anda. — Rafael completou, sem elevar a voz.
Adriana saiu do lado dele e sentou a frente.
Tomás, que não tinha senso de perigo, tentou quebrar o clima:
— Cara… você anda ficando cada vez mais insuportável. Até pra você.
Rafael não respondeu. Nem piscou.
Caio se jogou no sofá, pegando um drink do bar.
— Bom, já que você não fala, eu falo. — disse, rindo. — Você soube que a Isabella Moretti volta para o Brasil, essa semana? Sua mãe vai surtar. Ela já deve está planejando uma forma de você se separar da sua nova esposa para se casar com ela.
Rafael ergueu o olhar, finalmente.
— Estou casado, não vou me separar e não quero saber da Isabella.
Caio travou no meio do gole.
— Mas é Isabella.... A preferida da sua mãe.
Tomás completou:
— Sua esposa… vimos ela nos jornais, né? Ela não é advogada… da família Diniz, a que faliu…
Lucas bateu o copo na mesa, irritado:
— Cala a boca, Tomás. Você fala demais.
Tomás deu de ombros.
— Ué, foi notícia. Não sou eu quem escreve as manchetes.
Rafael permaneceu quieto.
Mas o silêncio dele queimava.
Era um tipo de silêncio que dizia: vocês estão vivos porque eu deixo.
Caio tentou suavizar:
— Mas sério, Rafa… como é? Ser casado? — ele riu, divertido. — A gente nunca imaginou isso pra você. Sempre tão reservado, tão focado… achamos que nem tinha tempo pra vida pessoal.
Lucas resmungou, bebendo:
— Ele não tinha.
Rafael não reagiu.
Apenas recostou o corpo na poltrona, a taça de vinho entre os dedos.
Parecia calmo.
Mas só parecia.
Tomás e Caio continuaram falando — de italianas, de negócios, de apostas, de viagens — completamente alheios ao que acontecia no corredor.
Lucas, o único que prestava atenção, virou-se devagar, seguindo o olhar do amigo.
E antes que pudesse abrir a boca pra comentar, Rafael disse:
— Silêncio.
Lucas calou na hora.
Tomás e Caio nem perceberam — continuaram discutindo sobre vinho, apostas e Isabella Moretti como se o mundo girasse em volta deles.
Mas Rafael…
Rafael não ouvia nada.
O olhar dele estava preso do outro lado do vidro escuro, onde só ele conseguia ver.
A porta da sala VIP das duas mulheres se abriu devagar, e um homem entrou — alto, perfumado, sorriso fácil, daqueles que acham que charme substitui caráter.
Bianca levantou a cabeça na mesma hora.
— Não, não, não… — ela murmurou, estreitando os olhos. — Não são os gogo boys..
Valentina nem percebeu de imediato. Estava ocupada demais tentando prender o riso enquanto Bianca reclamava do preço absurdo dos queijos.
— Boa noite, belas. — o homem disse, se aproximando com passos lentos, estudados. — Achei que esta sala estivesse vazia. Sorte minha não estar.
Bianca cruzou os braços.
— Azar o seu, na verdade. A gente gosta de ficar quieta.
Mas ele ignorou.
Os olhos pousaram em Valentina — com aquele brilho predatório que homens assim sempre têm.
— Fernando Avelar. Grupo Avelar de Investimentos. À disposição para o que precisarem. Você me parece familiar. — disse, inclinando-se demais. — Já nos vimos em algum evento? Talvez em...
Bianca deu um passo à frente.
— Não encosta.
O homem riu.
— Calma, bonequinha.
Valentina recuou um pouco, desconfortável.
Ele chegou mais perto.
Dois passos.
Um.
O suficiente para que ela sentisse o perfume dele invadindo o ar.
E então a mão dele tocou o braço dela.

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