Valentina quase deixou o aparelho cair.
A garganta dela secou.
— Olá.
A voz veio do outro lado da linha.
— Precisamos conversar.
O coração dela disparou.
— O quê… o que você quer de mim?
— Uma solução para o seu problema.
Ela apertou o celular com mais força.
— Que problema?
— O legado Diniz.
O silêncio que se seguiu pareceu mais pesado que o próprio carro ao redor dela.
— Isso é absurdo. Eu não—
— O absurdo, Valentina, é você achar que pode resolver sozinha uma dívida daquele tamanho.
O tom dele não era de arrogância.
Era de certeza.
Ela se sentiu nua, apesar de estar no próprio carro estacionado.
— Não sei se entendi sua proposta.
— Vai entender pessoalmente.
Outra pausa.
— Hotel SkyGlass. Suíte 1307. Às nove.
— Eu não confirmei que vou — retrucou.
— Confirmou atendendo.
E desligou.
O silêncio no carro era tão denso que parecia alguém sentado no banco de trás.
Valentina apoiou a testa no volante, sentindo o mundo girar.
— Meu Deus… no que eu estou me metendo?
O ponteiro do relógio parecia zombar dela enquanto marcava 20h47. Valentina ajeitou o cabelo pela terceira vez diante do espelho retrovisor. Estava parada em frente ao Hotel SkyGlass, o local mais sofisticado e intimidador que já visitara sozinha.
Respirou fundo, tentando acalmar o próprio coração. Ainda era cedo, mas não conseguia mais ficar parada. Desligou o carro, pegou a bolsa com a cópia da mensagem e entrou.
A recepção era silenciosa, envolta em tons dourados e mármore escuro. Tudo ali parecia polido demais, distante demais como se o ar tivesse sido filtrado para evitar qualquer traço de caos humano.
O elevador subiu devagar, parando com um toque suave no 13º andar. Ela caminhou até a porta 1307. As letras em dourado pareciam observá-la, como um aviso.
O coração batia no mesmo ritmo da luz do corredor, piscando em intervalos frios. Por um instante, ela pensou em voltar. Imaginou o que o pai diria se a visse ali, uma Diniz, prestes a vender o próprio nome. O orgulho pesava mais que o medo, mas o medo... era o que a movia.
Hesitou. A mão pousou na madeira, trêmula, mas antes que pudesse bater, a porta se abriu.
E então, ela viu.
A presença dele preencheu o espaço antes mesmo de qualquer palavra. Era o tipo de homem que não precisava levantar a voz para ser ouvido.
A figura masculina que ocupava o vão da porta tinha uma presença impossível de ignorar. Alto, de ombros largos, pele morena clara, cabelos escuros penteados com precisão cirúrgica. Vestia uma camisa branca de linho dobrada nos antebraços e calça social cinza. Nenhuma gravata, nenhum exagero. Apenas o suficiente para parecer no controle de tudo.
Seus olhos cinza-claros como aço molhado encontraram os dela com calma.
— Valentina Diniz.
Ela engoliu em seco. Conhecia aquele rosto. Já o vira em capas de revistas, em reportagens sobre investimentos milionários, fusões agressivas, decisões impiedosas no mundo corporativo.
Rafael Montenegro.
— Rafael Montenegro. Disse ela, mantendo a voz firme, mesmo que algo em sua espinha gritasse para correr dali.
— Entre. Foi tudo o que ele disse.
O tom era neutro. Nem simpático, nem hostil. Apenas direto.
Ela entrou.
A suíte era ampla, silenciosa, com móveis minimalistas em tons de cinza e preto. Sem exageros. Sem flores. Sem perfume. Um espaço de negócios. Havia uma mesa baixa ao centro, duas poltronas de couro e uma garrafa de água aberta ao lado de duas taças.
Ele a indicou com a mão para que se sentasse. Valentina obedeceu.
— Você recebeu minha proposta. Ele começou, direto, sentando-se na poltrona à frente dela. — Está aqui porque respondeu.

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