Os dias não pararam.
Mas também não passaram despercebidos.
Valentina percebeu.
Cada detalhe.
Cada gesto.
Cada silêncio.
No primeiro dia, ela ainda estava distante.
No segundo, observadora.
No terceiro… menos rígida.
E, aos poucos, quase sem perceber…
ela começou a relaxar.
Rafael não pressionou.
Não cobrou.
Não voltou ao assunto.
Ele simplesmente… ficou.
Presente.
Constante.
Mensagens ao longo do dia.
Almoços organizados sem aviso.
Pequenos toques.
Pequenas perguntas.
Coisas simples.
Mas repetidas.
E, para Valentina…
era isso que importava.
Confiança não voltava com promessas.
Voltava com consistência.
E ele estava sendo consistente.
Ela observava.
Em silêncio.
Sem avisar.
Sem dizer.
Mas estava.
E, aos poucos…
começou a acreditar.
O escritório dela estava mais leve naquela manhã.
A luz natural entrava pelas janelas.
Os processos organizados.
O café recém passado.
E Bianca…
sentada à frente dela, como sempre.
— Então…
Bianca cruzou as pernas.
— Como estão as coisas com o senhor Montenegro?
Valentina levantou os olhos dos papéis.
Segurou a xícara.
Pensou um segundo antes de responder.
— Eu avaliei.
Bianca arqueou uma sobrancelha.
— Avaliou?
Valentina assentiu.
— Eu precisava ter certeza.
Uma pausa.
— E posso dizer que… tudo o que ele falou está certo.
Bianca a observou com mais atenção agora.
— Então ele realmente fez tudo por você.
Valentina soltou o ar devagar.
O olhar se perdeu por um instante.
— Sim.
A voz saiu mais baixa.
Mais honesta.
— Imagina… a própria mãe dele tratou a Sara como se fosse descartável.
Uma pausa.
— Mandou me sequestrar três vezes.
Os dedos dela apertaram levemente a xícara.
— Se ele não tivesse agido antes…
ela balançou a cabeça.
— talvez eu nem estivesse aqui.
O silêncio caiu entre as duas.
Bianca levou o café à boca.
Pensativa.
Depois apoiou a xícara novamente.
— Então ele te ama mesmo.
Valentina levantou o olhar.
E dessa vez… não desviou.
— É esse amor que me dá forças pra acreditar nele.
Bianca sorriu de lado.
Satisfeita.
— Olha só…
— A advogada fria agora falando de amor.
Valentina revirou os olhos.
— Não exagera.
— Eu só não sou burra.
Bianca riu.
— Não, você é perigosa.
Uma pausa.
— E apaixonada.
Valentina não respondeu.
Mas o leve sorriso no canto dos lábios… respondeu por ela.
Uma batida na porta interrompeu o momento.
— Pode entrar.
Lurdes surgiu, carregando uma pasta.
— Senhora…
Ela se aproximou.
— Sobre o caso do senhor Enzo Montenegro.
Valentina imediatamente mudou a postura.
— Terminamos a análise.
Colocou a pasta sobre a mesa.
— Aqui estão todos os documentos.
Valentina pegou.
Abriu.
Os olhos correram pelas páginas com rapidez.
Precisa.
Cirúrgica.
Bianca inclinou o corpo, curiosa.
— O que ele fez?
Valentina passou mais algumas páginas.
Parou.
Respirou.
— Ele não fez.
Levantou o olhar.
— Ele foi enganado.
Bianca franziu a testa.
— Como assim?
Valentina virou o documento para ela.
— Contrato manipulado.
— Cláusulas alteradas.
— Valores inflados.
Uma pausa.
— Ele assinou um acordo de milhões… achando que era outra coisa.
Bianca ficou em silêncio.
O rosto suavizou.

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