A mansão Montenegro não costumava ficar em silêncio.
Mas naquele começo de noite… ela parecia um templo antes do sacrifício.
Os empregados corriam de um lado para o outro no andar inferior, ajeitando flores, checando a iluminação, confirmando horários do motorista, testando comunicações internas. A tensão estava estampada até no mármore.
Mas ali, na sala principal…
Só dois homens permaneciam.
Rafael, impecável em um terno preto cintilando discretamente sob as luzes. Punhos da camisa alinhados, gravata perfeitamente simétrica, postura reta. O tipo de homem que parecia ter sido talhado por gelo.
E Moreira, atrás dele, firme como sempre — porém com o olhar muito mais nervoso do que o habitual.
Rafael analisava alguns documentos sobre o baile.
Moreira pigarreou.
— Senhor… os carros já estão alinhados. A imprensa acabou de chegar.
— Hm. — Rafael respondeu, sem erguer os olhos.
— A segurança interna está mobilizada. E o salão confirmou que está tudo pronto.
— Certo.
— A estilista mandou mensagem dizendo que a senhora Montenegro está finalizando.
Rafael franziu o cenho, irritado com a informação… e com a reação involuntária dela dentro dele.
— Não precisava me avisar disso, Moreira.
— S-sim, senhor.
Silêncio.
Aquele tipo de silêncio que carrega expectativa e ego debaixo do braço.
Rafael ajeitou a aba do paletó.
Um movimento no segundo andar chamou a atenção de todos o som claro de passos medidos. Até que Valentina apareceu no topo da escada.
O vestido azul profundo abraçava seu corpo de forma quase arquitetônica, desenhando sombras e luz no mesmo movimento. O cabelo, em ondas soltas e brilhantes, caía sobre os ombros com naturalidade insolente. A maquiagem realçava cada linha do rosto, cada olhar, cada centímetro de poder silencioso.
Rafael não piscou.
Os olhos dele fixaram nela com uma intensidade tão absurda que Valentina sentiu um frio percorrer sua espinha.
Valentina então desceu um degrau.
O segundo.
O terceiro.
Cada passo era medido, seguro, elegante, uma coreografia que ela nunca ensaiou mas nasceu sabendo.
Moreira, imóvel, só pensava:
O patrão vai desmaiar em pé. Eu vou ter que explicar isso pra imprensa.
Mas Rafael…
Ele continuava imóvel.
Frio por fora.
Alinharam-se milímetros da gravata invisível. O maxilar firmou. Os olhos se estreitaram um pouco — não de irritação.
De reconhecimento.
Como se ele estivesse vendo algo que não esperava ver.
Valentina alcançou o último degrau.
E por um segundo — um segundo só — ela ergueu os olhos e encontrou os dele.
Foi um choque silencioso.
Rafael finalmente se moveu.
Um passo à frente.
Alinhou o paletó.
Respirou de forma quase imperceptível.
E disse:
— Vamos.
Valentina assentiu com um leve movimento de cabeça.
— Claro.
E caminhou até ele.
O som dos saltos ecoou pelo mármore.
Moreira os seguiu, murmurando baixinho — só para si:
— O baile nem começou… e eu já envelheci cinquenta anos.
A porta da mansão foi aberta.
E, juntos, Rafael e Valentina saíram…
O carro deslizou pela entrada da mansão Montenegro silencioso como um predador.
Rafael abriu a porta para Valentina entrar primeiro — um gesto automático, mas carregado de algo que ele não verbalizaria nem sob tortura.
Ela entrou. Ele se sentou ao lado. A porta se fechou.
A cabine ficou em silêncio.
Mas não um silêncio vazio.
Um silêncio carregado, denso, elétrico.
A luz suave vinda das laterais iluminava só o suficiente para revelar o brilho do vestido dela, o desenho do rosto delicadamente maquiado… e o fato de que Rafael, pela primeira vez em muito tempo, não sabia para onde olhar sem perder o controle.
Moreira ocupava o banco da frente, imóvel como estátua, fingindo que não respirava.
O motorista deu partida.
Minutos depois, Rafael abriu uma caixa pequena, elegante, azul-escuro.
— Use isso. — ele disse.
Valentina ergueu as sobrancelhas.
Dentro, uma máscara preta e azul, leve como seda, trabalhada em detalhes metálicos que imitavam estrelas. Um acessório discreto, mas tão sofisticado que transformava tudo que tocava.
— Combina com o vestido. — ele completou, como se não tivesse passado os últimos dois dias planejando cada detalhe.
Valentina pegou a máscara devagar.
— Isso é… bonito. — ela admitiu.
Ele se recostou no banco.
— Você sabe o que tem que fazer hoje.
Ela virou o rosto para ele, sarcástica:
— Não. — respondeu com uma calma provocadora. — Não tenho a menor ideia, já que você desapareceu por vários dias. Inclusive, nem sabia se estaria aqui.
Rafael trincou o maxilar.

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