"Diana"
Em outros tempos, eu teria ficado aliviada com o que aconteceu com Augusto. Na verdade, até lamentaria não ter tido essa ideia antes, mas agora, com o peso da gravidez e as tensões familiares se acumulando, não havia tempo para pensar nisso. Fui engolida por meus próprios problemas, que se tornavam mais pesados a cada dia.
Liguei para Isabella. Sabia que ela gostava do meu irmão e, de certa forma, ela não merecia todo aquele sofrimento. Mas, sinceramente, os meus problemas eram maiores. Eu estava carregando um segredo que nem minha própria mãe sabia, e estava cada vez mais difícil fingir normalidade.
À medida que os dias passavam, a pressão sobre mim aumentava. Eu tinha que tomar uma decisão, e logo. Não podia esconder minha gravidez por muito mais tempo, era um risco. Nos últimos dias, fui forçada a disfarçar os enjoos, a fadiga, qualquer sinal de que algo não estava bem. Fingi estar bem, mas por dentro, me sentia vazia, exausta, perdida. Como eu iria enfrentar o meu pai? Como enfrentaria as consequências de algo que já estava além do meu controle?
Fui para casa mais cedo, não tinha vontade de ser tragada por aquela discusão. Quando cheguei em casa, minha avó estava esperando. Ela estava com um olhar suave, como sempre, mas algo em seu jeito me alertou, minha avó sempre parecia saber mais do que dizia.
— Diana, minha querida, por que não vem conversar comigo um pouco? — Sua voz era serena, mas eu sabia que era um pedido que não podia ignorar.
Sentei, tentando disfarçar o cansaço que me consumia. Ela percebeu.
— Claro, vó. — Tentei forçar um sorriso, mas falhei. — Desculpe, ando meio distante. Muito trabalho, sabe como é... E essa história do noivado, tudo está tão corrido.
Ela não disse nada, mas fez um gesto com a mão para que eu me sentasse ao seu lado. A tensão na sala aumentou quando ela falou com calma:
— Sua mãe saiu para jantar, como uma amiga. Podemos conversar em paz. Eu sei que você está grávida, Diana, não precisa disfarçar perto de mim.
Meu coração quase parou. Olhei para minha avó, sem saber o que dizer. Como negar? Ela sabia de tudo.
— Eu já tenho idade suficiente para saber quando uma moça está grávida — ela continuou, com um olhar de compreensão. — Sua mãe pode ser meio avoada, os homens não entendem nada, mas eu sei. E pelo silêncio, imagino que o pai seja o outro rapaz, não é?
Minha respiração ficou presa na garganta. Como ela sabia? Não consegui esconder a vergonha que sentia.
— É do Ícaro, vó... Eu não tenho nada com o Oliver. — Abaixei a cabeça, sentindo a humilhação tomar conta de mim.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido