"Isabella"
O celular vibrou pela quinta vez sobre a mesa. Em todas, apenas um nome no visor: Augusto.
Depois da conversa com Karen, voltei para a casa da minha tia. Não tinha nenhuma intenção de ir à casa de Augusto. Esse era um assunto que eu preferia resolver depois. Mas, como estava vestindo as roupas da Camila, teria que falar com ele, eu precisava das minhas coisas.
Já havia recusado várias ligações. Sabia que ele insistiria. Apenas esperei.
Quando o nome de Augusto apareceu novamente no visor, reuni a pouca coragem que ainda me restava e atendi.
— Isabella…
— Augusto, só atendi porque preciso que você envie minhas roupas e alguns pertences para a casa da minha tia. Posso fazer uma lista — fui direto ao ponto.
— Nós precisamos conversar. Quero pedir desculpas pelo que falei, eu perdi a cabeça e falei o que não devia, é claro que você não é a culpada de nada disso.
A voz dele não soava arrependida. Não havia peso, nem hesitação. E a última briga ainda estava viva demais na minha memória. Doía. Mas, naquele momento, eu não queria conversa alguma. Muito menos voltar àquela casa.
— Não temos o que conversar. Vou fazer a lista. Posso buscar as coisas depois ou pedir para alguém pegar. Na verdade, se precisar tratar do contrato ou de tudo o que aconteceu, fale diretamente com a minha advogada.
— Por que eu falaria com a sua advogada? — perguntou, confuso.
Eu já tinha pensado nos próximos passos. E, no fim, só uma conclusão fazia sentido. Havia apenas um caminho possível.
— Augusto, depois de tudo isso, o melhor é cancelar o contrato. Podemos nos divorciar. Ninguém vai se surpreender. Na verdade… é até esperado.
— E se eu não aceitar?
— Não torne as coisas mais difíceis. Não há motivo para prolongar algo que já acabou. Na verdade, nem deveria ter começado.
Ele ficou em silêncio. Parecia não entender por que insistir em algo que, desde o início, estava fadado ao fracasso.
— Nós vamos conversar antes de qualquer decisão — disse, por fim. — Mas, se quiser, me envie a lista. Eu preparo uma mala para você.
E foi exatamente isso que aconteceu. À tarde, a mala chegou à casa da minha tia com tudo o que eu havia pedido. Era o início do fim.
Não sabíamos quando essa conversa aconteceria. Nada ficou marcado. A verdade é que pensar em Augusto ainda doía. Desliguei o telefone. Não queria falar com ninguém, apenas focar no que importava.
No dia seguinte, levantei antes do amanhecer. O relógio marcava pouco depois das cinco horas — o mesmo horário em que Augusto acordava para iniciar a rotina do dia. De certa forma, eu tinha absorvido o hábito dele.
Passei café, mas não consegui beber. O estômago embrulhado, a mão trêmula. Apoiei os dedos na bancada da cozinha e respirei fundo, contando mentalmente até dez. Não adiantou.
Sentei-me à mesa da sala com um bloco de notas que encontrei na gaveta. Abri uma página em branco e comecei a escrever nomes, datas, valores aproximados. Não era exatamente uma lista. Era um mapa. Um quebra-cabeça que, pela primeira vez, começava a fazer sentido.
O que eu queria com aquilo?
Descobrir cada passo de Karen e de Carlos.
Camila já tinha me ajudado, contando tudo o que descobrira ao investigar o passado de Karen depois do falso desaparecimento. Mas não era suficiente. Eu precisava de mais. Muito mais.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido