"Augusto"
Até o gato me olhava estranho, parecia me julgar a cada passo. Pipoca, que costumava ser um redemoinho de pelos e travessuras, agora se encolhia. Todo mundo naquela casa, sentia falta de Isabella.
Eu não queria admitir. Tentei me convencer de que era um respiro, um tempo necessário. Mas no segundo dia, ficou impossível ignorar o quanto a casa vazia era silenciosa sem ela. O quanto a cama parecia grande demais para uma pessoa só e no terceiro dia não podia mais esperar.
Isabella estava em todos os cantos. Nos objetos, nos pequenos hábitos deixados para trás, no cheiro dela impregnado nos lençóis. Mas não era só a casa. Ela também estava dentro de mim.
O peso na consciência veio com força. O arrependimento por tudo o que eu tinha dito, por tê-la magoado quando, no fundo, ela não tinha culpa de nada. Tentei ligar inúmeras vezes. Isabella não atendia. E, quando finalmente atendeu, foi apenas para pedir as coisas dela. Falou em divórcio com uma frieza que me atingiu de uma forma que não estava preparado.
A palavra "divórcio" sempre rondou nosso acordo como um cláusula previsível, um eventualidade burocrática. Ouvi-la da boca dela, de forma tão fria, foi duro. E eu não estava pronto para o fim.
Ainda assim, dei espaço. Eu não era boa companhia para ninguém, muito menos para ela. Precisava me reorganizar, pensar. Depois a gente conversa, era o meu mantra. Uma mentira covarde que repetia para adiar o confronto com o óbvio.
Mas cada dia sem Isabella era uma tortura. Senti falta da presença simples dela. Do cheiro da comida pela casa. Do calor do corpo dela ao meu lado na cama. Foi só então que percebi o óbvio, eu precisava da minha mulher de volta. Não existia a menor possibilidade de Isabella sair da minha vida.
Eu precisava da minha mulher de volta.
Eu estava pronto. Pronto para ir atrás dela. Pedir desculpas. Engolir o orgulho. Trazer Isabella de volta para casa, para o meu lado, onde, na minha cabeça, sempre foi o lugar dela.
Foi nesse momento de frágil determinação que o telefone vibrou. César. Ignorei. Ele ligou de novo. E de novo. Algo na insistência anormal do meu irmão controlado me deixou preocupado, alguma coisa tinha acontecido.
— O que foi agora, César? — Atendi deixando transparecer a minha impaciência.
— É a Diana — ele disse, sem rodeios. — Ela sofreu um acidente de carro. Está no hospital. Eu não sei a gravidade, mas a nossa mãe me ligou desesperada.
O tom de medo na voz de César me fez gelar. Ele sempre foi controlado, o mais racional entre nós. Mas, ali, dava para sentir o quanto estava nervoso.
— Qual hospital? — perguntei, já me levantando.
As brigas com Diana sempre foram constantes. Sempre nos chocamos. Mas, acima de tudo, ela ainda era minha irmã. E, naquele momento, tudo o que eu não queria era que algo grave tivesse acontecido com ela.
Eu tinha ignorado quando Diana foi à minha casa em busca de consolo. Ela tinha ido conversar com Isabella. Por isso, antes de ir ao hospital, liguei para Isabella. Ela não atendeu. Decidi ir direto à casa da tia. Ela gostaria de ser avisada sobre a minha irmã.
Ainda que não fossem amigas, havia alguma coisa ali entre as duas, talvez por causa do caso com o Icaro.
Isabella estava em casa. Quando toquei a campainha, ela me olhou espantada, como se não esperasse me ver ali.
— Desculpa, mas não é para falar sobre nós. A Diana sofreu um acidente e está no hospital.
— Que absurdo você está falando, menina? Minha filha não está grávida!
— Ela me procurou e disse que estava grávida. Os médicos precisam saber.
Isabella parecia à beira de um colapso. Juntos, procuramos enfermeiros e médicos para informar sobre a gravidez.
Minha mãe e César ficaram completamente chocados com a informação.
— Só pode ser do Oliver. Temos que adiantar esse casamento — minha mãe disse, mudando o foco da preocupação.
— Claro que não é daquele lixo. Ela está grávida do Ícaro — Isabella disse indignada.
— Minha filha não faria isso… não engravidaria de qualquer um… — Minha mãe falou mais alto, pronta para discutir.
— Chega — César falou firme. — Isso aqui é um hospital. Agora, o mais importante é a saúde da Diana, não quem é o pai da criança.
Minha mãe recuou, ofegante, para um canto, lançando olhares venenosos para Isabella. César ficou no centro, tentando manter a ordem.
Fui até Isabella, que estava visivelmente abalada. Quando a abracei, ela não resistiu, afundou o rosto no meu peito. Eu não sabia o que aconteceria com Diana. Não sabia o que aconteceria com a gravidez. Mas, naquele instante, tudo o que consegui fazer foi torcer, para que meu futuro sobrinho fosse forte o suficiente para resistir a tudo aquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...