"Isabella"
O cheiro de hospital ainda estava impregnado na minha roupa quando voltei para a casa da minha tia, assim como as imagens de Diana estendida na maca, pálida, assustada, mas viva.
Ela havia quebrado a perna e tinha hematomas e escoriações pelo corpo.
E por um milagre não tinha perdido o bebê. O médico foi claro, o desmaio tinha sido consequência do impacto e do susto, nada mais. A fratura exigiria cirurgia e repouso absoluto, a situação inspirava cuidados. Mas fora isso, tanto ela quanto o bebê estavam fora de perigo imediato.
Diana estava no hospital com a mãe, que, agora que sabia da gravidez, parecia mais preocupada com o que os outros iriam pensar do que com o bem-estar da própria filha.
Minha visita foi rápida. Com aquela mulher ali, me encarando com ódio, não consegui conversar direito com Diana nem saber o que ela realmente queria. Também não quis insistir — ela já estava abalada demais com o acidente, e a última coisa que eu desejava era preocupá-la ainda mais.
Sozinha no meu quarto, pensava no que deveria fazer. Falar com Ícaro parecia o certo se acontecesse alguma coisa, ele gostaria de saber. Mas eu não sabia se estava ultrapassando um limite. Decidi ligar para Augusto, mesmo sem querer. Era um assunto que envolvia a irmã dele e, afinal, se eu quisesse que Ícaro fosse visitar Diana no hospital, precisaria da ajuda de Augusto. Caso contrário, não deixariam nem que ele entrasse.
Augusto atendeu no segundo toque.
— Isabella — disse, chamando meu nome.
Eu não queria pensar nele, não queria lembrar do que senti quando me abraçou. Poucos dias longe e eu já estava com saudade. Tantos meses convivendo juntos… devia ser apenas costume.
— Acho que o Ícaro merece saber o que aconteceu, mas não sei como falar. E, mesmo que eu fale, não acredito que sua família vá autorizar a entrada dele no hospital.
— Ele ainda não sabe? — perguntou.
Eu não tinha falado a ele sobre os detalhes da gravidez de Diana.
— Não. Quer dizer, não tenho certeza. Mas, se soubesse, acho que a essa altura não seria segredo.
Augusto suspirou do outro lado da linha.
— Não sei quais são os planos da minha irmã, mas, se ela não contou, tenho certeza de que gostaria de dar uma notícia dessas pessoalmente. O que podemos fazer é levar o Ícaro até o hospital no horário de visita. Assim, ela mesma fala com ele.
Era um bom plano, eu tinha que admitir.
— Certo, é uma boa ideia. Vou falar com ele amanhã de manhã, passo lá antes de ir ao hospital.
— Eu te levo. Vou garantir que ele entre para vê-la.
Quis dizer que não precisava, mas Augusto era o passe de entrada.
— Tudo bem. Até amanhã — Desliguei sem estender mais a conversa.
Na manhã seguinte, Augusto chegou cedo para me buscar. Ultimamente, sem trabalho, ele não usava mais paletó. Vestia roupas informais, em um estilo casual que ficava muito bem nele. Desviei o olhar para não reparar demais.
— Minha mãe passou a noite no hospital, avisou que Diana ficou bem e está se recuperando. Ela proibiu qualquer comentário com meu pai sobre a gravidez. E, sinceramente, ninguém pretende falar disso antes de Diana melhorar, nem sei o que meu pai faria.
— Já sabem o que aconteceu? Como foi o acidente?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido