"Augusto"
O saguão do hospital estava cheio demais para um lugar que deveria representar silêncio e recuperação. Eu já previa que as coisas dariam errado no momento em que meu pai descobrisse o que estava acontecendo. Minha mãe me lançou um olhar claro de advertência, eu não deveria falar nada, nem César.
Isabella observava a cena com atenção. Encarava meu pai com fúria nos olhos — era nítido — assim como era nítido o esforço dele em fingir que ela não existia.
Meu pai, sendo quem era, sempre percebia quando algo fugia do controle. Ele farejava o problema antes mesmo de ele se revelar por completo. Ali, ele sabia que havia algo errado.
— Ela está dormindo. Sedada. O médico pediu tranquilidade — minha mãe disse tentando soar tranquila.
Era uma mentira mal ensaiada. Se eu consegui perceber o nervosismo dela, meu pai também percebeu.
Ele estreitou os olhos e me encarou. A comunicação foi silenciosa, mas imediata. Ele entendeu que havia alguém com Diana no quarto. E, se não era ninguém da família, e estávamos mentindo, só podia ser uma pessoa.
— Esperava mais de você do que acobertar sua filha — disse à minha mãe, que se encolheu com a crítica. — E vocês dois permitiram que aquele cara subisse para o quarto da sua irmã? Ela é uma mulher comprometida!
Uma veia saltava na testa do meu pai. Ele estava furioso e tinha adivinhado, com precisão, o motivo de todos estarmos ali, e não no quarto de Diana. A preocupação com o estado de saúde da filha havia sido esquecida.
César me encarou, buscando confirmação.
— Pai, o importante aqui é o estado de saúde da sua filha. E ela tem o direito de receber quem quiser — respondi.
O maxilar dele se contraiu.
— Com certeza tem o dedo dessa daí nessa história — disse, encarando Isabella.
Ela não se encolheu. Sustentou o olhar dele, de queixo erguido.
— Achei que sua filha merecia estar com quem realmente a ama e se importa com ela — Isabella respondeu, em tom de desafio.
Apesar de todos falarem baixo, eu previa que a situação podia sair do controle e chamar uma atenção indesejada.
— Eu já falei para ficar longe dessa família — meu pai quase rosnou.
Entrei na frente dele e de Isabella, tentando proteger a minha mulher da fúria que eu sabia que viria.
Mas Isabella deu um passo à frente. Ela queria enfrentá-lo. Era loucura. E eu não sabia onde ela estava com a cabeça.
— Na verdade, não vou a lugar nenhum. A sua família precisa de mim — disse, em tom de deboche. — Duvido muito que Diana fique muito tempo comprometida com aquele homem que não vale o chão que pisa. Acho que o senhor vai ter que rever seus planos.
Minha mãe arregalou os olhos para Isabella, num claro sinal de alerta.
— Isabella, não é o momento — tentei conter.
Mas a raiva vinha em ondas. Ela não pararia. Por um instante, não soube como controlar a situação sem causar uma cena.
— É sim — ela cortou, firme. — Antes que o senhor suba naquele elevador e transforme o quarto da Diana em um campo de guerra.
O silêncio que se formou foi absoluto. Até o barulho do saguão pareceu distante.
Meu pai percebeu que havia mais coisa, que ninguém estava contando. Olhou para minha mãe, que desviou o olhar, sem coragem de dar uma notícia daquelas. A gravidez de Diana era um desvio grande demais dos planos dele. Algo difícil de contornar ou esconder.
— Úrsula, o que está acontecendo? — perguntou, sério.
Era uma ordem.
Minha mãe parecia ter perdido a voz.
— Eu tenho um pouco de dó da sua filha por ter uma família tão covarde — Isabella continuou. — E justamente por isso alguém precisa dizer a verdade.
— Isabella… — tentei alertar.
Foi em vão.
— Diana está grávida — disse, clara e direta. — E, antes que o senhor pergunte, a saúde dela e do bebê, no momento, é estável, parece que todo mundo aqui esqueceu que é só isso que importa no momento.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido