"Augusto"
Observei Isabella por alguns segundos antes de falar. Ela se sentou em uma das cadeiras do saguão, os ombros tensos, o olhar distante — como quem sabia que havia atravessado uma linha sem volta.
Isabella tinha feito o impensável. E, ainda assim, tinha feito o necessário.
— Você sabe que acabou de comprar uma guerra, não sabe? — murmurei, aproximando-me.
Ela ergueu os olhos, cansada, mas firme.
— Uma guerra a mais uma menos, não faz muita diferença Mas se eu não falasse, ele subiria. E aí… — suspirou. — Seria pior. Para a Diana, que não pode passar por isso. E até para o Ícaro, que com certeza não levaria desaforo para casa.
Assenti. Por mais que meu instinto gritasse que aquilo traria consequências graves, eu não conseguia discordar.
— Você fez certo — falei. — Do jeito mais difícil possível, mas fez.
Ela me encarou, surpresa.
— Sério?
— Sério. E agora você vai para casa.
— Augusto, eu posso ficar…
— Não — interrompi, com suavidade, mas sem abrir espaço para discussão. — Você já fez mais do que devia. Se ficar, vira alvo direto. Eu cuido do resto.
Ela hesitou, depois concordou com um leve aceno.
— Eu sei que vocês não são muito chegados, mas você precisa cuidar da sua irmã. Principalmente agora. Se apaixonar por um cara como o Ícaro e engravidar mudou a Diana. E seu pai não vai aceitar isso muito bem.
Não soube o que responder. Porque, no fundo, eu também não sabia como lidar com aquela nova versão da minha irmã.
Vi Isabella se afastar pelo saguão e, naquele instante, tive certeza de uma coisa, meu casamento iria abaar as estruturas da familia, só não sabia ainda se para pior ou melhor, tudo mudaria o rumo para sempre.
Claro que meu pai não deixaria o assunto morrer. Minutos depois, meu telefone tocou.
— Precisamos conversar.
— Achei que já estava tudo conversado — respondi, sentindo o alerta imediato.
Ele riu, sem humor.
— O futuro da sua irmã sempre foi decidido com dinheiro, influência e estratégia. Coisas que você insiste em desprezar. Mas estou aberto. Quero falar com o cara. Afinal, ele vai ser o pai do meu neto, pelo jeito. Está na hora de termos uma conversa cara a cara.
Era uma péssima ideia. E, para piorar, Ícaro apareceu pessoalmente pouco depois. Até quando eu poderia adiar esse encontro?
— Vou ver o que posso fazer — disse, antes de desligar.
— Isabella contou da gravidez para o meu pai — falei a Ícaro. — E agora ele quer falar com você pessoalmente, não precisa aceitar se não quiser, na verdade eu recomendo distância.
O rosto dele se fechou. A postura ficou tensa. Não parecia alguém disposto a negociar, e ele sabia que estava em terreno perigoso.
— Quando?
Meu pai não queria perder tempo. Já tinha chegado à empresa e exigiu que eu o levasse até lá. Jamais deixaria Ícaro sozinho com ele. Avisei César para cuidar da Diana e não comentar nada sobre a conversa.
O caminho foi em silêncio. Chegamos rápido ao prédio. Meu pai já tinha liberado a entrada. Assim que entramos na sala, ficou claro, aquilo era uma demonstração de poder. Ele queria deixar explícito quem mandava ali.
— Você não tem direito algum sobre a Diana — disse, frio. — Muito menos sobre essa criança.
Sem cumprimento. Sem rodeios.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido