"César"
Diana tinha o rosto pálido, contrastando com o cabelo espalhado pelo travesseiro. Por um instante, ela parecia menor. Vulnerável de um jeito que eu nunca tinha visto.
Sempre conheci minha irmã como alguém inabalável. Controladora. Orgulhosa. Vê-la assim me causou um aperto estranho no peito. Nenhum de nós era realmente próximo. Eu não sabia o que acontecia na vida dos meus irmãos até tudo virar notícia. E, ali, percebi o quanto essa distância tinha sido um erro.
— O que está acontecendo lá embaixo? — Diana perguntou, sem rodeios. — Se o Ícaro veio até aqui, eu sei que não passou despercebido, o pai já sabe?
— Teve confusão — admiti. — Mas nada que você precise se preocupar agora, é o momento de focar apenas na recuperação.
Ela me encarou, avaliando.
— Prometo que não vou ficar nervosa — Respirou fundo. — Mas quero a verdade.
Fiquei em silêncio por alguns segundos antes de responder. Diana era teimosa e ficaria agitada se não soubesse das coisas.
— Nosso pai ficou sabendo de tudo. Do Ícaro. Do bebê. — Pausei. — E não reagiu bem, não é uma novidade, mas garanto que ele não vai subir aqui e falar besteira para você.
Diana fechou os olhos por um instante.
— Eu imaginei, na hora que Icaro apareceu aqui já sabia.
— Ele tentou subir. Isabella impediu.
Ela abriu os olhos, surpresa.
— Isabella?
— Sim. — Hesitei. — Ela fez o que ninguém teria coragem de fazer.
Diana soltou um riso curto, cansado.
— Ela tem mais coragem do pensei, pelo jeito a minha cunhada não é uma coitada.
Ela passou a mão pela barriga, num gesto instintivo.
— O médico disse que ainda existe risco — confessou. — Eu sei que é cedo, mas… — a voz falhou. — Eu já me sinto mãe e tenho medo de acontecer alguma coisa.
— Não pensa nisso, esse é bebê é um Salvatore e já provou é forte.
Ela me olhou e abriu um sorriso. Nunca tinha visto Diana com um sorriso tão verdadeiro e feliz no rosto.
— Obrigada
— Acredito. — Fui sincero. — E acredito em você. Mesmo quando não concordo com tudo.
— Me desculpa — ela disse de repente. — Quando você levou um tiro… eu não fui te ver, agora vejo o quanto fui cretina, aceitei o protocolo de isolamento enquanto o Augusto brigava e veio ficar com você.
— É passado— Dei de ombros. — E, se for honesto, também não teria ido se fosse com você.
Ela riu baixo.
— Pelo menos estamos sendo sinceros agora.
— Estamos. — Inclinei-me um pouco mais perto. — E isso importa.
Diana respirou fundo.
— Eu tenho medo — admitiu. — Não do bebê. Do pai. De perder tudo.
— Talvez perder tudo não seja o fim do mundo — falei com cuidado. — Talvez seja o começo de algo diferente.
Ela me encarou, surpresa.
— Você fala como se já tivesse decidido alguma coisa.
— Talvez eu tenha.
Ela segurou minha mão com força.
— Seja o que for… obrigada por ficar.
Meu celular vibrou no bolso. O nome no visor fez meu estômago se contrair.
Pai.
Diana percebeu na hora.
— Pode atender — disse.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido