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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 136

"Augusto"

O dia tinha sido uma confusão, um borrão de vozes e discussões. Mesmo quando tudo pareceu finalmente se acalmar, Icaro estava cuidando de Diana eu não consegui ir para casa. Não tinha a menor vontade de encarar a solidão da minha casa.

Peguei o celular mais uma vez, mesmo sabendo que não adiantaria. Nenhuma mensagem nova. Nenhuma ligação perdida. Isabella se me atendesse seria para falar da minha irmã, nada mais. O hospital tinha nos aproximado, nos forçado a dividir o mesmo espaço, mas a distância entre nós estava ali, presente, sólida.

Eu merecia, não tinha dúvida nenhuma disso.

Encostei a cabeça no banco do carro por alguns segundos antes de ligar o motor. Estava cansado, física e emocionalmente, mas havia um tipo de exaustão que não se resolvia com sono. Era culpa. Era arrependimento.

Durante o caminho até a casa da tia de Isabella, tentei organizar o que diria, mas nada parecia bom o suficiente. Pedir desculpa soava pequeno diante de tudo que eu tinha feito — ou deixado de fazer. O silêncio dentro do carro era pesado, interrompido apenas pelo som distante da cidade e pelos meus pensamentos em turbilhão.

Estacionei em frente ao portão e hesitei antes de descer. Por um instante, pensei em ir embora. Talvez ela não quisesse me ver de novo naquele momento. Talvez fosse invasivo aparecer daquele jeito. Mas o medo de perdê-la de vez falou mais alto.

Toquei a campainha.

Quando a porta se abriu, o susto no rosto de Isabella foi imediato. Seus olhos me percorreram rapidamente, como se buscassem alguma explicação óbvia para a minha presença ali.

— Aconteceu alguma coisa com a Diana? — Perguntou, preocupada.

— Não esta tudo bem com ela, o Icaro vai ficar com ela essa noite.

— Foi seu pai que te mandou aqui?

A pergunta doeu mais do que eu esperava. Não podia acreditar que Isabella achava que eu levaria um recado do meu pai.

— Claro que não — respondi, sentindo a indignação subir. — Eu vim porque quis te ver. Porque precisava. Quero saber como você está. Você não atende minhas ligações… e a gente precisa conversar.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, como se ponderasse se valia a pena.

— Entra — disse, dando passagem. — Quer café? Ou alguma coisa? Minha tia saiu, foi encontrar umas amigas.

O tom educado, quase formal, era uma barreira clara. Nada ali lembrava a intimidade que já tivemos.

— Não, obrigado.

O ambiente era simples, acolhedor, com cheiro de casa habitada de verdade. Um contraste gritante com o meu apartamento grande demais, silencioso demais. Isabella cruzou os braços, mantendo uma distância calculada entre nós.

— O que aconteceu depois que fui embora?

— Meu pai pediu um encontro com o Icaro e fui com ele, só para garantir que coisas não saissem do controle — fiz um gesto vago, quase automático. — Foi apenas a discussão de sempre. Mas ele não se intimidou. Não sei como vai ser no futuro, mas pelo menos ele não é um lixo como o Oliver.

Vi um alívio discreto atravessar o rosto dela.

— Que bom — disse. — Eu sei que tem muitos obstáculos. É um casal improvável… e seu pai é um filho da puta. Mas eu torço pelos dois.

Dei de ombros e acabei deixando transparecer as minhas dúvidas.

— Você não acha que vai dar certo — Não era uma pergunta.

— Não é que não acho que vai dar certo, é que conheço a minha irmã, ainda que agora ela seja uma pessoa um pouco diferente, não conheço o relacionamento dos dois, então não posso afirmar nada. Mudando de assunto e falando no meu pai… — continuei, respirando fundo. — Você foi muito corajosa hoje. Enfrentou ele de um jeito que pouca gente tem coragem.

Ela me encarou com firmeza. Não havia raiva ali. Havia algo mais sólido. Convicção.

— Alguém precisava fazer isso — respondeu. — Seu pai não é um deus. Ele só tem dinheiro. E dinheiro não compra o direito de controlar a vida de todo mundo.

As palavras ficaram suspensas entre nós. Isabella respirou fundo antes de continuar:

— Imagino que você vá voltar a trabalhar com ele — De novo não era uma pergunta, ela tinha certeza de que eu iria trabalhar de novo com meu pai.

— Não vou.

A resposta saiu rápida, quase instintiva. Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha certeza.

— Não? — ela arqueou a sobrancelha. — Então o que você vai fazer da vida, Augusto?

Capítulo 136. Um simples jantar 1

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