No dia seguinte, descobri que meu marido havia bloqueado todas as formas possíveis de contato. Mas eu precisava de uma explicação, ele não podia me bloquear assim, sair da minha vida sem olhar na minha cara e explicar como tinha se envolvido com Karen.
O momento de fúria havia passado, e agora eu queria conversar com calma, entender o que estava acontecendo. Ele ainda era meu marido. Eu precisava de uma explicação. Ele não podia simplesmente jogar no lixo a nossa história.
Nos conhecemos quando ele começou a trabalhar no escritório do meu pai. Era um homem gentil, que demorou semanas para criar coragem e me convidar para sair. Nossa conexão foi imediata. Era o início de uma linda história de amor. Entre namoro e casamento, passaram-se apenas seis meses.
Logo depois, meus pais morreram em um acidente de carro. Carlos esteve o tempo todo ao meu lado, me apoiando e ajudando com a burocracia. Na época, meu pai tinha uma empreiteira, mas, como descobri depois, estava cheia de dívidas. Karen tinha abandonado a faculdade. Meu pai havia dado uma casa para ela e outra para mim, dentro de um condomínio fechado, onde fui morar com Carlos.
Karen não queria estudar nem trabalhar. Vendeu a casa e torrava o dinheiro em roupas de marca, viagens e homens mais velhos e ricos. Minha irmã não tinha juízo, e eu apenas torcia para que um dia sossegasse.
Enquanto isso, eu trabalhava com Carlos dia e noite para pagar as dívidas da empresa e reerguer o negócio. Depois de cinco anos, conseguimos fechar novos contratos e o dinheiro finalmente começou a entrar.
Carlos era um homem maravilhoso, compreensivo, mas, nos últimos anos, passou a insistir cada vez mais para termos um filho. Esse também era o meu sonho, mas a gravidez nunca vinha. Entre consultas médicas, cobranças e frustrações, nosso relacionamento foi ficando abalado. A cada teste negativo, ele se chateava, se afastava, me culpava. Eu entendia que era apenas o estresse.
Eu acreditava que nosso amor era maior que tudo isso, que no dia em que o teste fosse positivo tudo voltaria ao lugar. Mas agora eu já não entendia mais nada.
Esperei o horário de almoço do meu marido. Carlos era um homem de hábitos: almoçava sempre no mesmo restaurante, no mesmo horário, pedindo o mesmo prato. Vi quando ele saiu do escritório e entrou. Ele tinha horror a escândalos, então não faria nada dentro de um restaurante lotado. Eu só queria que me explicasse o que estava acontecendo. Eu estava calma.
Mas, quando o vi, lembrei do quanto o amava. Eu não podia deixar nosso casamento acabar dessa forma.
— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou, ríspido, quando me sentei à sua frente.
— Nós precisamos conversar…
— Não temos nada para conversar. A Karen já disse tudo.
— Carlos, você é meu marido. Nós temos uma história…
— Isabela, nosso casamento acabou quando você não conseguiu me dar um filho. Eu não posso ficar com uma mulher estéril, incapaz de gerar.
Suas palavras doiam como um tapa.
— Mas eu estou fazendo exames… — tentei justificar, sem encontrar palavras para o que ele dizia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido