"Júlia"
César era um excelente pai, mesmo não sendo o pai de Adan.
A casa era grande, espaçosa e tranquila. Havia muito tempo eu não tinha tranquilidade. No início, fugir parecia estranho; no fundo, era medo do desconhecido. Mas eu sabia que, ao lado de César, sempre estaria segura.
Eu tentava incluí-lo na minha rotina com o bebê. Cuidava da casa e de tudo, enquanto César conversava pelo telefone ou saia para verificar se alguém estava nos seguindo. A barba dele ia crescendo, e ele adotava uma postura mais controlada e decidida.
Eu me apaixonava de novo por aquele homem, relembrando todos os sentimentos que tivemos no passado, sentindo de forma mais profunda o arrependimento pelas minhas escolhas.
Um dia fomos caminhar juntos, como uma família. Há muito tempo não sabia o que era um família de verdade, nem queria lembrar mais da vida com Caio e agradeci pelo filho ter o César ao lado quando nasceu.
Observei ele segurando Adan no colo, que já estava com três semanas. Senti-me angustiada, imaginando o momento em que ele pensaria em ir embora.
— Já conversei com o John. Ele me passou outro contato de um cara aqui da região para ajudar quando chegar a hora de ir embora — César parecia que lia meus pensamentos, me lembrei das palavras duras, garantindo que não havia nada entre nós.
Senti o peito se apertar.
— Você tem alguém lá? — a pergunta saiu sem que eu controlasse. Era uma curiosidade dolorosa, me atormentava imaginando se ele amava outra mulher, se ela estava esperando por ele.
César me encarou em silêncio. Pensei até que não responderia.
— Sim. Eu tenho uma pessoa e eu pretendo voltar para ela — Respondeu sucinto.
A sentença foi definitiva. Não soube o que responder. Fiquei magoada, com raiva. Eu me iludia sozinha, imaginando que ele poderia me perdoar, esquecer tudo, ficar ao meu lado, criar Adan comigo, ter outros filhos.
Disfarcei as lágrimas e olhei para o outro lado.
— Imagino que seja uma mulher que seu pai ache adequada para você.
— Pelo contrário. Mas não cometi o mesmo erro, não a trouxe para perto da minha família.
Era pior ainda. Ele amava essa outra o suficiente para protegê-la do pai. Olhei em volta, com o pensamento amargo de que ele não tinha feito isso comigo.
— Vamos voltar. Acho que o tempo está frio — falei, pegando meu filho dos braços dele. Voltamos para casa.
Adan tomou banho, mamou e dormiu, mas eu ainda amargava a raiva e o rancor. Quando cheguei à cozinha, não consegui me segurar.
— Por que você não me protegeu do seu pai? — perguntei.
— Te proteger do meu pai? Meu pai não fez nada com você. Apenas colocou um cheque na mesa. Pelo que eu saiba, não te obrigou a escolher.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...