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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 215

"César"

O bebê dormia no colo de Júlia quando o carro estacionou diante da embaixada.

Fazer as malas fora um processo rápido, já que não havia muita coisa na casa. Um dos seguranças assumiu o volante, enquanto outra equipe nos seguia à distância em um segundo carro. Tudo transcorria com uma calma inesperada — até o momento em que pisei na calçada. Assim que saímos do carro, a familiar pontada de estar sendo observado me atingiu.

Vigiei os dois lados da rua, avaliando cada rosto e movimento enquanto Júlia entrava no prédio com o filho. Dois carros de apoio estavam posicionados estrategicamente a poucos metros, com homens treinados atentos a qualquer aproximação. Mesmo assim, minha nuca continuava a formigar.

Disse a mim mesmo que era apenas paranoia das últimas semanas. Tanto tempo em estado de alerta cobrara seu preço.

— Está tudo bem? — Júlia perguntou, apertando o bebê contra o peito.

Fiz um gesto afirmativo, embora meu peito discordasse.

O ar-condicionado gélido da recepção trazia uma estranha sensação de conforto e segurança, mas não dissipava a tensão. Eu vinha movendo peças havia dias, usando contatos, influência e dinheiro. Agora, restava apenas a autorização final para que ela pudesse deixar o país imediatamente. A burocracia foi mais ágil do que eu esperava; ela era, oficialmente, apenas uma viúva que havia perdido os documentos.

Horas depois, ao sairmos, a paranoia voltou a dar sinais. Vi um homem parado do outro lado da rua por tempo demais. Meses de reclusão ou um perigo real? Júlia notou minha rigidez, mas não disse nada.

— Está tudo bem, eles não nos seguiram — ela sussurrou, tentando convencer a si mesma.

— Não sei — respondi baixo. — E não vou pagar para descobrir. Vamos logo.

O trajeto até o aeroporto foi um exercício de nervos. Entramos por um acesso lateral, longe do fluxo principal. Discreto. Rápido. Quando finalmente entreguei os documentos a ela, já na área restrita, Júlia me encarou com um misto de alívio e gratidão. Adam havia pegado no sono novamente.

Acomodados na classe econômica — era o que havia de imediato —, pude finalmente respirar quando o avião decolou. Nas últimas horas, o perigo iminente me impedira de pensar em meus irmãos ou no caos em que minha vida se transformara.

Agora, a caminho de casa, a realidade batia à porta. Júlia não tinha suporte, não tinha dinheiro — apenas uma mala de mão e o filho. Ela ainda era minha responsabilidade, mas eu precisava mantê-la longe. Longe da minha família e do desastre que os cercava.

Tinha algumas horas para tentar descansar e pensar no que fazer quando pousássemos. Júlia teria que ficar comigo, na minha casa.

Era a única possibilidade no momento, mas, ainda assim, fazia-me sentir que estava fazendo algo errado — como se, de alguma forma, estivesse traindo Camila. Agora, a caminho de casa, essa sensação ficava ainda mais forte.

Observei Júlia ao meu lado, o bebê em seus braços. Nos últimos dias, ela perdera a expressão de desespero, ficando mais tranquila — lembrando a Júlia de antes. O passado martelava em meu peito. Saber o que meu pai fizera me fez lembrar da nossa briga, quando ela disse que não tinha opção ao aceitar o dinheiro.

Via agora que ela tinha razão. Meu pai faria com Júlia o mesmo que fez com Isabella… com Ícaro?

Assim que o avião tocou o solo, percebi que o alívio ainda não era definitivo; meu corpo permanecia em alerta máximo.

Desci primeiro, varrendo o entorno com o olhar antes mesmo de Júlia aparecer no corredor com o bebê. Dois seguranças já ocupavam seus postos. O esquema estava montado, mas minha nuca continuava quente, como se houvesse um alvo desenhado ali.

Paranoia, repeti para mim mesmo. Apenas paranoia.

— Para onde vamos? — Júlia perguntou, ajeitando a manta de Adam.

— Para o meu apartamento. Precisamos ver como está a situação com a minha família antes de qualquer coisa. Depois, falaremos com sua mãe e traçaremos um plano.

Capítulo 10 1

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