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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 226

"Camila"

A ligação do Fabricio tinha sido estranha, ainda mais porque ele queria falar comigo pessoalmente. Eu já tinha ouvido uma fofoca que um ricaço tinha comprado a Lush do Isaac o que por si só já era esquisito. Todo mundo sabia que tinha umas histórias estranhas sobre o Isaac e jamais imaginaria ele vendendo a Lush, o lugar era o reino dele.

Imaginei que o convite tivesse a ver com isso. E, movida pela curiosidade, ou talvez pela necessidade de encarar fantasmas, aceitei.

Agora estávamos sentados em um café discreto no centro, e Fabrício enrolava fazia quase cinco minutos.

— Fala logo, Fabrício — Perguntei logo sem paciência.

Ele ajeitou a postura.

— Eu fui promovido. O novo dono me colocou como gerente da Lush.

Eu sorri, sincera.

— Que ótimo. Você sempre garantiu que as coisas funcionassem lá dentro. Já fazia o trabalho de gerente há anos. Que bom que finalmente reconheceram isso.

— É… é ótimo mesmo.

Ele não parecia tão confortável quanto deveria.

— Fabrício, você está esquisito.

Ele suspirou.

— Eu queria te chamar para comandar o bar. Sua demissão foi injusta e eu sei que foi armação. Todo mundo sabe. E agora, com nova direção, é a oportunidade de fazer o certo. Esquecer aquele processo ridículo. A vaga é sua, se você quiser.

Voltar para a Lush. E para comandar o bar.

Por um segundo, meu coração disparou de felicidade. Eu tinha amado trabalhar ali. O bar era meu território. Eu tinha planos, ideias, sonhos.

Mas então a lembrança ainda era vida na minha mente. Saindo algemada, a polícia, os olhares das pessoas que eu via todos os dias, a sensação de estar nua diante de todos, era muita humilhação e retornar era aceitar essa humilhação.

— É incrível, de verdade… — minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria. — Mas eu não posso aceitar. Não dá para simplesmente esquecer o que aconteceu, foi complicado, acabou comigo, só consegui um emprego, porque ainda tenho amigos.

— Eu imagino. Aquilo foi podre, mas agora está tudo diferente. Novo dono, novas diretrizes. Muita coisa vai mudar e para melhor, eu te garanto que ninguém acha que você fez alguma coisa, isso foi coisa do Isaac.

Eu o encarei curiosa.

— Aliás… quem é esse novo dono? A Carlinha me falou, mas não deu detalhes, fiquei curiosa para saber quem conseguiu convencer um cara como Isaac a fazer a venda.

Fabrício ficou vermelho. Literalmente vermelho, tomou um gole de água rápido demais.

— Ninguém especial. Só… um desses ricaços. Muito dinheiro, sabe?

Estranho.

— E como o Isaac vendeu? Sempre diziam que ele nunca venderia.

— Dinheiro. Pelo que eu soube, foi uma oferta grande, irrecusável.

Alguma coisa ali não fechava, mas não insisti.

— Então… o que você acha? — ele insistiu. — Quer voltar? Podemos falar de aumento. E você, como responsável pelo bar, pode até sugerir uma remodelagem no catálogo de bebidas.

— Eu mesma. E posso trazer uma amiga, ela é excelente e a minha professora, ela é incrível.

— Lucy? — Fabricio repetia as perguntas um pouco em choque, não era como seu fosse propor um show striptease.

— Apelido. Mas ela trabalha assim. Então… o que acha? Esse dono rico vai aprovar?

Fabrício ficou visivelmente desconcertado.

— É… é uma ideia. Diferente. Eu posso falar com ele, ainda não sei bem quais as ideias dele, é tudo muito novo.

— Eu só volto se for assim.

Ele franziu a testa.

— Não é um pouco demais?

Eu sustentei o olhar.

— Relaxa, Fabrício. Vamos fazer uma noite de teste, se o público gostar, você mesmo vai ver que vale a pena e o novo dono também, mais público mais dinheiro.

Não era só sobre dançar, se eu voltasse, seria no controle, não como uma coitadinha sem opção.

Fabrício ainda parecia perdido, como se estivesse absorvendo informação demais.

— Eu falo com ele — repetiu.

Quando saí do café, meu coração estava acelerado. Parte de mim torcia para que ele recusasse. Assim eu não precisaria enfrentar aquele lugar outra vez, mas outra parte queria voltar, comandar o bar, dançar, seguir com a minha vida, não pensar em César.

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