"Camila"
Me senti como uma adolescente prestes a viver o primeiro encontro ao abrir a porta do guarda-roupa e não encontrar nada que prestasse.
César tinha pedido que eu descansasse e esperasse um pouco, mas a verdade é que eu estava ansiosa. Ainda assim, aguentei mais três dias, para pelo menos a mancha arroxeada da minha testa diminuir um pouco.
Três dias pensando em César, no nosso encontro. Até aquele momento, eu podia contar nos dedos de uma mão quantas vezes tinha beijado César, e isso só aumentava a minha ansiedade.
Fechei a porta do guarda-roupa frustrada. Precisava de tudo novo: roupa, sandália, lingerie, maquiagem, perfume.
Tal qual uma adolescente, fui ao shopping. No momento, estava novamente sem emprego, então não tinha muito dinheiro, mas isso era outro assunto.
Rodei sem rumo até encontrar a loja perfeita. O vestido vermelho estava na vitrine; era exatamente o que eu imaginava. Queria impressionar, deixar César de queixo caído, alucinado.
A parte de cima do vestido era de seda, com alcinhas douradas, e a parte de baixo, de um tecido mais leve, meio transparente, além de uma fenda. Era ousado demais, caro demais, mas, quando me olhei no espelho, soube na mesma hora que tinha que ser ele.
Em outra loja, escolhi uma sandália de salto fino e tiras douradas, além de um conjunto de lingerie vermelha. Tudo bem, eu parecia estar me preparando para uma lua de mel — e talvez estivesse mesmo. Queria que aquela noite fosse inesquecível. César tinha razão, nunca tivemos um encontro de verdade.
Em casa, me maquiei e me vesti. Precisei admitir, diante do espelho, que estava realmente uma deusa.
— Filha, onde você vai assim? — minha mãe perguntou, me olhando de cima a baixo. — Parece que vai nesses desfiles de modelos.
— Vou ter um encontro com o César — respondi com sinceridade. Não queria preocupá-la mais do que ela já vinha sendo preocupada.
— Posso perguntar o que existe entre vocês dois? Eu sei que ele te salvou, e sou muito grata por isso, mas não sabia que vocês eram tão íntimos assim. O Augusto é uma boa pessoa, mas não conheço esse César para saber.
— É complicado, mãe. Nós nos conhecemos antes mesmo do casamento da Isabella com o Augusto. Não aconteceu nada naquela época, mas agora... acho que estamos prontos para dar o próximo passo.
Era um resumo bem mentiroso de tudo o que tinha acontecido até ali, e me senti culpada.
— Camila, só tome cuidado. Eu sei que o Augusto ama a Isabella, mas, depois de tudo o que aconteceu, às vezes acho que essa família é amaldiçoada. Tome cuidado, minha filha. Você é forte, independente... não se iluda.
— Não vou, mãe, eu juro.
Era mentira. César tinha me pedido em casamento, coisa que eu ainda não contaria a ela, só depois de marcar um jantar para que se conhecessem melhor. E outra mentira: eu já estava mais do que iludida. Nos últimos dias, César tinha derrubado todas as barreiras que restavam, meu nivel de ilusão estava em um nivel que jamais imaginei, me peguei pesquisando vestido de noiva.
Dei um abraço nela com peso na consciência. Minha mãe não sabia nem a metade do que estava acontecendo — e, ao mesmo tempo, eu era grata por isso. Se soubesse, ficaria louca.
— A Isabella veio aqui quando você saiu e falou com a Karen. Depois disso, ela ficou estranha. É uma pena essa situação... eu queria que elas se acertassem — A tristeza na voz era perceptível.
— Mãe, a Karen é uma cobra e merece tudo o que aconteceu com ela. Se não fosse a senhora, ela estaria na rua.
— Credo, minha filha, ela tem um filho, é sua família.
— Devia ter pensado nisso antes.
Minha mãe fez uma careta. Aquela era uma discussão antiga entre nós. O ponto fraco dela sempre foi acreditar que Karen merecia perdão, mesmo depois de provar, vezes demais, que não merecia nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...