"Viktor"
A agulha de Elena atravessou a pele da minha costela com uma precisão impiedosa. Mantive o olhar fixo na parede descascada à frente. O cheiro de álcool naquele consultório improvisado era preferível ao odor de metal e esgoto de onde eu tinha vindo.
— Se eu precisar costurar você mais uma vez esta semana, vai virar uma colcha de retalhos — a voz dela estava rouca de cansaço. — Ou um cadáver bem alinhavado.
— Vou tomar mais cuidado — grunhi, sentindo o repuxar do fio.
— Foi o que você disse na terça-feira. Recomendo repouso. Por hoje, por amanhã e pelo próximo mês, se quiser chegar vivo até o Natal.
— Não vai rolar. Tenho um compromisso.
Elena travou a mão. Ela cravou os olhos castanhos nos meus, procurando ali algum resquício do Viktor que não buscava a própria morte a cada esquina.
— Você quer mesmo morrer? Porque é isso que está fazendo. Não é uma missão de resgate, Viktor, é um projeto de autodestruição.
Ela se levantou bruscamente, jogando a pinça em uma bandeja de metal que ecoou como um tiro no silêncio da sala. Era a terceira vez na semana que minha irmã precisava me remendar. Era o preço por chutar portas em territórios que já não me pertenciam.
O vácuo deixado por Romeo tinha transformado o submundo da cidade em um caos; seus antigos subordinados agora eram hienas, disputando cada centímetro de asfalto e cada opotunidade de negócio. Eu deveria estar lá, sentado em uma poltrona de couro, organizando a desordem. Eu era o sucessor natural, o braço direito. Mas a coroa de Romeo pesava menos que a lembrança de Nicole pálida no chão, com o sangue dela escorrendo pelos meus dedos.
— Tenho que terminar o que comecei — falei, vestindo a camisa com movimentos lentos para não arrebentar o trabalho dela.
— Me explica de novo... por quê? — Elena me encarou, encostada na mesa, os braços cruzados sobre o jaleco manchado.
Não respondi de imediato. A imagem de Olivia, a irmã que Nicole tanto amava, perdida em algum porão infecto, era o motor que me impedia de dormir. Eu via o rosto de Nicole em cada garota traficada que encontrava em bordéis de fundo de quintal ou fábricas clandestinas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...