"Viktor"
Nicole tinha dito que o namorado de Olivia se chamava James Smith. Mas o sujeito bem-vestido, de óculos e com aquele ar de intelectual, atendia por Alonso Lopez — ou não, o nome verdadeiro pouco importava agora.
O próprio chefe de Alonso o entregara, e isso já dizia muito do sujeito. Ao contrário do que imaginei, ele não estava em uma boate ou em um bordel de luxo; estava em uma livraria, disfarçado de nerd. Era a forma perfeita de encontrar vítimas, oferecendo uma confiança fácil.
Os remédios de Elena surtiam efeito. Eu não sentia nada. Conseguia caminhar normalmente, sem parecer que meu corpo estava em pedaços. Pelo menos o último desgraçado não tinha conseguido acertar meu olho.
Observei Alonso rir e conversar com uma jovem iludida. Esperei até o fim. Quando ele saiu da livraria acompanhado pela moça sorridente, eu os segui até um trecho mais deserto. Não era o dia de sorte dele.
Alonso mal viu quando o meu soco atingiu seu queixo. Ele desabou, atordoado. A moça gritou.
— Esse cara é um cafetão, considere como um aviso do anjo da guarda. Se eu fosse você, correria para bem longe — alertei.
Ela fugiu desesperada, certamente para chamar a polícia. Não esperei para ver. Peguei Alonso pelo cangote e o arrastei para um beco. O cara era um fraco; não servia para nada além de sedução barata.
— Agora, vamos ter uma conversinha.
— Quem é você? — ele gaguejou.
— O que você fez com esta moça? — Mostrei a foto de Olivia.
— Vai se foder...
Acertei outro soco. Eu poderia fazer aquilo a noite toda.
— Vamos lá. Você não é grande coisa, e se não falar, não vai sobrar um dente nessa boca para contar história.
Ele me olhou aterrorizado. Alonso era apenas um olheiro; seu jogo era a conquista, iludir mulheres com um rosto bonito. Não era um homem de linha de frente, não tinha fibra. Ele encarou a foto por alguns segundos.
— Olhe bem e escolha a resposta certa. O que você fez com ela?
— Foi vendida — respondeu com a voz trêmula. — Era "material" de primeira.
A náusea subiu pelo meu estômago.
— Para onde? Para quem?
— Para um cara aí... não sei direito. Ele ficou encantado, queria a mulher para ele. Eu ganhei uma bela comissão.
Atingi sua boca mais uma vez. Alonso me deu um nome, e era tudo o que eu precisava. Joguei o verme na porta da delegacia com um bilhete. Ele era um fantasma, mas bastava conferirem as digitais para o passado dele aparecer. Realmente, não era o dia dele.
O destino de Olivia era menos pior do que eu previra — ou talvez fosse pior. Era difícil achá-la porque ela não estava circulando; fora comprada por alguém específico. Homens que compram mulheres podem enjoar rápido, revendê-las ou descartá-las.
Eu teria que invadir outro lugar. Elena não ficaria feliz.
Se aquele verme estivesse certo, Olivia estava em um castelo na fronteira e eu precisava de uma plano melhor do que chegar sem aviso.
Levei quatro horas para chegar lá. Mais algumas horas para avaliar o lugar. E quando finalmente me coloquei em movimento os analgésicos de Elena falharam, minhas costelas gritavam a cada movimento sobre o muro de pedra. Não usei armas de fogo; o barulho atrairia reforços que eu não poderia enfrentar sozinho. Usei uma faca de caça e o silêncio que aprendi nos anos servindo a Romeo.
O primeiro guarda caiu sem entender por que o ar parou de chegar aos pulmões. Não senti prazer, apenas uma pressa doentia que me queimava por dentro. O castelo era monitorado, cercado. O dono era outro criminoso cujo nome nem valia a pena mencionar.
Encarei o sujeito morto. A melhor estratégia era a mais simples: chamei a polícia e os bombeiros com uma denúncia anônima de "corpos na estrada". Deixei um cadáver na via, um no portão e outro do lado de dentro, e por último atirei nas câmeras.
O castelo ficava em um lugar isolado, mas não tão distante a ponto de levar horas para chegar.
Os guardas saíram da casa para verificar a confusão. Eu podia imaginar o que pensavam, o lugar estava sendo invadido. Mas as sirenes da polícia e dos bombeiros não lhes deram muito tempo para raciocinar e, pelo jeito, o dono da casa estava fora, porque o pânico se espalhou rapidamente.
Resolvi apimentar ainda mais a situação. Mandei uma mensagem para um antigo contato que trabalhava em uma emissora de TV local: uma denúncia de homicídio em uma propriedade luxuosa era uma notícia suculenta demais para ignorarem.
Usando o terno de um dos seguranças, entrei pela porta da frente. O castelo era um luxo antigo. Eu sabia que a polícia não encontraria nada nos quartos principais ou nas inúmeras salas. O segredo estaria no porão.
E, com todo mundo do lado de fora, foi fácil, embora não rápido, verificar as portas até encontrar uma possível entrada para o porão.
Achei o que procurava na cozinha, ao lado da despensa, uma porta com cadeado. Não poderia ser mais óbvio. Arrebentei-o com uma barra de ferro. O esforço me fez suar frio, e senti os pontos da costela latejarem, prestes a abrir.
A porta dava acesso a uma pequena escada. O lugar não era sujo e parecia fresco, mas ainda era um porão, escuro e silencioso.
Desci até o fim e, finalmente, encontrei o que procurava.
“Havia ali uma espécie de alojamento com quatro beliches e várias mulheres. Todas estavam deitadas, provavelmente dormindo, e acordaram assustadas quando entrei.
— Estou procurando a Olivia! Alguém a conhece? — Eu não tinha tempo para me apresentar, não quando a qualquer momento um dos campangas podia entrar ali.
Nomes verdadeiros, em lugares assim, às vezes são esquecidos. Mas sempre acabam sendo trocados entre as outras mulheres. Se ela tivesse passado por ali, se ainda estivesse ali, teria dito seu verdadeiro nome a alguém.
Todas me encaravam em silêncio, assustadas, e eu não reconheci o rosto de Olivia em nenhuma delas.
— Por favor. Olivia.
Uma jovem loira se levantou, recuperando-se do susto.
— Lá em cima. No segundo andar, onde ficam as favoritas.
Aquelas palavras me deram um calafrio.
— Vamos! A polícia está lá fora. É a chance de vocês.
O medo era nítido, mas a loira teve coragem e correu primeiro. Logo, as outras dez a seguiram. As levei pelo saguão enorme. Os homens da casa finalmente perceberam o que estava acontecendo, mas o caos externo era maior.
— Elas vão sair pela porta da frente! — gritei para os capangas, confundindo-os.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...