— Olá, minha querida, viemos jantar com vocês e aproveitar para tratar de alguns assuntos — disse minha sogra, levantando-se e me dando um beijo no rosto.
Apesar de ter passado alguns dias na casa dela, nunca tivemos uma conversa que fosse além dos cumprimentos básicos, e acabei ficando mais próxima da avó de Augusto.
Entretanto, agora, minha sogra exibia um sorriso estranho, que eu não sabia identificar. Era um jantar surpresa, Augusto não tinha me avisado de nada, e, a julgar pela expressão dele, também não estava gostando nem um pouco.
— Que prazer! É uma pena que não tenho nada pronto. Eu faço uma lasanha que deixa o Augusto de joelhos — falei, tentando soar simpática.
— Não precisa se preocupar, nós já fizemos um pedido, e o restaurante vai entregar um menu completo. Mas agora fiquei curiosa e com certeza voltarei outro dia para experimentar a sua lasanha — disse Úrsula.
Sentei-me no sofá, e Augusto veio para o meu lado.
— Na verdade, viemos aqui para tratar de um assunto delicado. Visto que, para o casamento de vocês realmente vai acontecer, é necessário deixar algumas coisas claras. O advogado da família preparou um acordo pré-nupcial e pelo que entendi, Augusto ainda não havia conversado com você sobre isso — falou o pai, Marco Aurélio, de forma seca. Ele tirou alguns papéis de uma pasta e os colocou sobre a mesa de centro.
— O Augusto, na verdade, mencionou que teria um acordo e imaginei que ele cuidaria disso — respondi, de forma defensiva.
— Mas acho que ele não discutiu os tópicos, não é? Meu filho com certeza não pensou bem no assunto quando resolveu gastar uma fortuna com um anel e um casamento. Enfim, você pode entregar uma cópia ao seu advogado. Basicamente, os principais pontos definem que, se o casamento acabar em menos de um ano, você não tem direito a nada. Se houver qualquer indício de traição, em qualquer tempo, também não leva nada. Se o Augusto te trair, você recebe apenas uma pequena indenização. Augusto tem bens em seu nome, é claro, mas quase tudo está no nome da empresa.
Marco Aurélio falava com firmeza; não havia margem para discussão. Percebi o quanto ele podia ser intimidante e Augusto era o único que o enfrentava… ou talvez nem tanto.
— Eu vou passar para a minha advogada... — respondi.
— Tem alguma dúvida? Quero deixar claro que, se está nessa pelo dinheiro de Augusto, é um mau negócio.
— Pai...
— Tudo bem, amor, não tem problema. Não estou nessa pelo dinheiro da família e Augusto sabe disso, ele não é o tipo de homem que se deixa enganar.
Exibi meu sorriso mais doce e apaixonado, tentando convencer os pais de Augusto do que acabara de dizer, embora eu tivesse entrado nessa justamente pela vingança e pelo dinheiro.
— Não ligue para o meu marido — disse Úrsula, tentando amenizar o clima. — Ele pode ser um pouco protecionista, mas está feliz com o casamento.
Então era isso, não era que eles não se importassem com o casamento, e sim que não acreditavam que realmente aconteceria.
O interfone tocou, avisando que a comida havia chegado. Me levantei depressa para ir até a cozinha preparar os talheres, e Augusto foi buscar o pedido, deixando o pai sozinho na sala.
— Você parece bem à vontade aqui — comentou minha sogra, que tinha me seguido até a cozinha sem que eu percebesse.
— Faz um tempinho que estou morando aqui.


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