Fui para casa completamente desestabilizada. Não devia ter ido ao hospital.
As lembranças dos meus sonhos, do meu desejo de ser mãe e de todas as tentativas frustradas ao lado de Carlos voltaram com força, aquele homem pedindo perdão, minha irmã fingindo que sofria, eu mesma mergulhada nesse relacionamento sem saber onde começava a mentira e terminava a verdade.
Tomei meu remédio para dormir, não queria esperar até a noite. Duas doses e o mundo desapareceu
— Isabella, Isabella, acorda — ouvi uma voz distante, acompanhada de uma mão me chacoalhando.
Eu não queria abrir os olhos, mas acabei cedendo. Encarei Augusto, que me observava com o rosto preocupado.
Nã sabia quanto tempo tinha se passado ou onde estava.
— Olha pra mim, está tudo bem? — ele perguntou.
— Sim, eu só precisava dormir um pouco — murmurei, com a voz enrolada.
— Você dormiu por mais de doze horas — disse ele, ajudando-me a sentar na cama.
Ainda estava sonolenta, mas Augusto me levou até o chuveiro e me ajudou a tomar banho. Na verdade, eu tinha dormido bem mais do que doze horas, tinha dormido quase dezoito.
Quando olhei o celular, havia dezenas de ligações e mensagens. Quase todas diziam a mesma coisa, o bebê de Karen havia nascido e estava tudo bem. Minha tia dizia que ela precisava de cuidados especiais, que quase tinha morrido.
Eu sabia que essa parte era mentira.
— O que houve? Vi que você tomou mais de um remédio pra dormir... por quê, Isabella? O que aconteceu? — ele perguntou.
Eu estava um caco, me sentia um bagaço. Mesmo assim, contei tudo: que tinha ido visitar Karen, descoberto que ela mentia para a minha tia dizendo estar pior do que realmente estava… e que encontrei Carlos. Contei que ele pediu perdão por tudo, dizendo que ainda me amava.
— E você? Ainda ama ele? — Augusto perguntou me olhando com uma expressão indecifrável.
— O quê? Claro que não. Tenho muitos sentimentos em relação ao Carlos, mas amor não é um deles.
— Tem certeza?
— É claro que tenho! — respondi, impaciente. — Por que você acha que eu ainda amo o Carlos?


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