"Camila"
Não, eu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo, César Salvatore estava no balcão me encarando.
O que esse homem estava fazendo aqui, no meu trabalho?
Por um instante, considerei fingir que não era comigo, mas o cara era insistente, me acompanhava com o olhar, deixando claro que estava ali por minha causa. Era melhor ver logo o que ele queria, antes que começassem a achar estranho.
— Vai pedir alguma coisa ou vai ficar me encarando? — Perguntei de forma séria, não era legal uma pessoa te encarando no local de trabalho, ainda mais em uma balada.
— Desculpa, não queria incomodar. Pode ser uma água, por favor — respondeu, parecendo sem graça.
— Então você já está cem por cento? — perguntei, entregando uma garrafinha de água.
— Mais ou menos. Ainda não posso fazer muito esforço, mas precisava vir, ver com meus próprios olhos. Eu achava que você era um sonho, mas meu irmão confirmou que você era real.
O homem ainda acha que eu era um ser celestinal.
— Eu tinha ido visitar a minha prima, sabe... toda aquela situação maluca, queria ter certeza que ela estava bem, estar no seu quarto foi apenas um acidente de percurso. Não foi nada demais.
— Me desculpa. Tenho certeza de que meu irmão não queria colocar a Isabella em perigo — ele disse, tomando um gole da água.
O bar ficava em uma área mais afastada do centro da balada, mas ainda assim era preciso falar mais alto para ser ouvido. Percebi que ele ficou sem fôlego de conversar comigo, mas eu não podia dar muita atenção, tinha clientes para atender e drinks para fazer.
César continuou ali, alheio ao ambiente, tomando pequenos goles de água.
— Então você veio aqui apenas para ver se eu não era um sonho? Pronto, já viu. — Falei algum tempo depois, quando entendi que ele não iria embora.
— Eu achei que tinha morrido. Eu tinha certeza na verdade. Então acordei, e você estava lá. Achei que era um anjo. Meu anjo. Sei lá... você parecia um anjo. Mas você disse que não era, então achei que fosse uma deusa. Até o Augusto falar que não era uma alucinação — César falou. Sorte que o pessoal em volta estava meio bêbado e ninguém prestava atenção naquela conversa louca.
— Relaxa, gato, não é delírio. Não precisa mais se preocupar — falei. Até continuaria a conversa, mas precisava atender. Achei que em algum momento ele iria embora, mas César ficou até o fim, encostado no balcão, bebendo água.
Quando saí, já eram quatro da manhã — fim do meu turno, hora de ir embora. Mas César queria me dar uma carona.
— Tá ainda achando que sou um anjo?
— Ou uma deusa.
— Levando em consideração onde trabalho, tô bem longe de ser qualquer opção.
— Tenho certeza de que os parâmetros deveriam ser mudados.
Eu ri. Certo, achei que nunca mais o veria, mas lá estava César Salvatore, claramente flertando comigo, dessa vez, sóbrio.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido