Os convites do casamento tinham chegado, lindos, caros, perfeitamente elaborados. Meu nome e o de Augusto em dourado, com letras cursivas em relevo. Era surreal imaginar que tudo aquilo era real, que em breve eu me casaria com ele.
Olhando o convite, me lembrei dos tempos de escola o dia em que ficamos a sós na sala de química. Não consigo recordar o motivo de estarmos ali sozinhos, mas lembro perfeitamente do beijo. O meu primeiro beijo. Não foi delicado como eu imaginava nos meus sonhos de adolescente; foi intenso, profundo, marcante. Saí correndo da sala, assustada com tanta intensidade. Depois disso, nunca tocamos no assunto, fingimos que nada havia acontecido.
E agora... eu me casava com ele.
Fiz uma lasanha e um bolo de chocolate, para aplacar o nervosismo, mesmo sabendo que não devia exagerar, por causa do vestido de noiva.
Agora eu estava na cozinha, encarando os convites caríssimos. Um mês e meio. Seriam enviados em tempo recorde, para o maior número de pessoas possível. Provavelmente nem cinquenta convidados compareceriam... ou talvez todos fossem, apenas para ter certeza de que Augusto se casaria.
Com os convites em mãos, percebi que não podia mais fugir. Precisava conversar com Augusto sobre o que realmente éramos.
Como imaginei, ele chegou reclamando do cheiro da minha comida, dizendo que eu o fazia cair em tentação. Augusto nunca conseguia resistir à minha lasanha.
— Vou te proibir de fazer isso.
— Não vai não. Você adora, e eu nem faço todo dia — falei, servindo um pedaço generoso.
Ele deu uma colherada e quase fechou os olhos de prazer. Dessa vez, eu realmente tinha me superado.
— Os convites chegaram — contei. — Já vão ser enviados. O vestido está encaminhado e todo o resto organizado. Está tudo pronto. Só falta casar.
— Perfeito — ele respondeu. — Muita gente vai perder a aposta.
Respirei fundo antes de encarar o que precisava ser dito.


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