— Quero que você continue de olho nesse cara. Eu sei que, no momento, ele não tem muitos clientes. Em teoria, deveria ficar sem dinheiro nos próximos meses, mas, pelo que estou vendo, tem algum negócio escondido.
Tinha muita coisa errada com o ex-marido de Isabella para deixar o cara sem surpervisão, alguém assim sempre tinha uma carta na manga.
— Pode deixar. Me intriga o fato de ele não parecer grande coisa, mas ter elaborado um plano tão requintado e bem planejado. Acho que tem mais gente por trás, além da família, é claro.
Minha irmã abriu a porta da minha sala de repente. Era um hábito de família detestável, ainda que eu fizesse o mesmo.
— Danilo, você por aqui! Não esquece de confirmar presença na minha festa — Diana falou, entrando na sala sem cerimônia e se sentando na cadeira vazia ao lado de Danilo que ficou visivelmente nervoso.
— Eu recebi... claro, eu vou. Reunião agora, preciso ir.
Danilo nunca conseguia ficar à vontade perto da minha irmã como ficava comigo. Saiu quase correndo da sala.
— Um fofo ele, você não acha? — ela comentou, com aquele sorriso provocador.
— O que você quer, Diana? Não lembro de ter nenhuma reunião marcada.
— Conversar. Somos irmãos, lembra?
— Nem vem me falar do meu casamento de novo.
— Claro que não. Já aceitei que você vai casar mesmo e que conseguiu o que queria. De alguma forma, em quase três meses, convenceu o nosso pai de que virou um novo homem. Sem escândalos, indo direto do trabalho pra casa, jantar em família... sim, eu fiquei sabendo da lasanha e visitinha para falar do contrato pré-nupcioal.
— O pai apareceu lá só para dar um recado para Isabella. Aquela conversa de sempre sobre proteger o patrimônio.
— Que nada. Tenho certeza que ele apareceu lá só pra ver com os próprios olhos seu novo status de homem decente. A questão do contrato foi um bônus, afinal, ele também precisa testar a coitada.
— A Isabella não é uma coitada.
— Ela está apaixonada por você, é claro que é uma coitada. Uma hora o verdadeiro Augusto vai cansar de brincar de casinha. Mas não é por isso que estou aqui. Fiquei sabendo que vai abrir uma nova vaga no conselho. Coincidência ou não, três meses depois do seu casamento. Então acho que já sabemos pra quem vai a vaga. — Apesar do tom venenoso, eu conseguia distinguir a raiva e a decepção.
— Você nem pode ter certeza disso — Falei tentando ponderar a declaração, de fato não dava para ter certeza, mas existia uma certeza de quase cem por cento, de que a vaga seria minha, o que significava que meu plano tinha dado certo.
— Claro que eu sei. Você sabe, todo mundo sabe. O César sabe e finge que não é com ele.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido