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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 72

"Augusto"

— Querida, você precisa comer um pouco — eu não sabia mais o que fazer para tentar ajudar minha esposa naquele momento.

Ela não comia muito, tinha um sono agitado mesmo à base de remédios e viva pelos cantos angustiada.

Delegacia, espera, delegacia, de uma hora para outra essa tinha virado a minha vida e a de Isabella. Os dias eram atormentados, e iamos de um lado para outro, em busca de qualquer notícia da Karen e do filho.

E assim uma semana se passou sem nenhuma novidade.

Parecia impossível que, numa cidade grande, uma pessoa desaparecesse sem deixar rastros, sem uma testemunha, sem aparecer em nenhuma câmera, mas era exatamente isso que tinha acontecido, em algum ponto Karen simplesmente tinha evaporado.

E, apesar das suspeitas contra Carlos, ninguém nada de concreto contra ele.

Isso a Isabella, que oscilava entre a esperança de que a irmã tivesse fugido e estivesse apenas escondida, e o medo de que tivesse acontecido algo pior — algo que ninguém dizia em voz alta.

— Eu preciso trabalhar hoje, tenho que resolver umas coisas urgentes no escritório — falei, mas ela parecia não ter ouvido. Nos últimos dias era assim, Isabella não prestava mais atenção no mundo a sua volta.

César me ligou pedindo desculpas por ligar num momento como aquele, mas disse que precisava que eu fosse para a empresa, tinha mais problemas me esperando por lá.

A campainha tocou, assustando Isabella, que correu para atender; era Camila, que vinha quase todos os dias ficar com a prima.

— E como ela está hoje? — Camila perguntou depois que Isabella voltou para o sofá sem falar nada.

— Na mesma, esperando notícias, não conseguiu comer quase nada. Preciso resolver umas coisas e volto assim que puder. Tenta fazê-la descansar um pouco.

Mas Isabella não descansava, ela precisava de respostas e se sentia culpada. Cada vez mais culpada.

A caminho do trabalho tentei falar com John — precisava de atualizações, não podíamos ficar nesse limbo à espera de notícias. A polícia já investigava, mas eu havia contratado mais detetives para revirar cada canto da cidade e, até agora, nada.

César me esperava no escritório, sabia que estava impaciente porque batia batia o pé sem parar, enquanto olhava o mundo lá fora.

— Não queria te chamar nesse momento delicado, mas não tem mais como adiar. O relatório final foi entregue ao conselho. Foram identificadas falhas em alguns softwares de segurança, softwares que foram adquiridos e implantados sob a sua gestão. Foi detectada uma falha grave: dados dos nossos clientes estão em risco. Questionaram sua gestão. É claro que foi dito que uma pessoa como você só tem esse cargo porque é o herdeiro; caso contrário já estaria no olho da rua. Nosso pai está furioso e quer falar com você. Se isso vazar, pode haver uma debandada em massa e podemos perder os clientes para os concorrentes.

A verdade era que minha vida tinha sido atropelada nos últimos dias e, se eu quisesse me defender e entender de onde aquilo vinha, tinha que deixar de lado o lado pessoal, pelo menos por um momento.

Peguei o relatório final das mãos de César.

— Eu sei que tive problemas nos últimos dias, mas vou resolver isso. Vou agora me reunir com a minha equipe; quero olhar pessoalmente cada vulnerabilidade antes de falar com o nosso pai.

A calma do meu pai indicava que havia algo mais, aquilo não era sem propósito. Eu conhecia cada jogada do homem que me criou. Se ele era estrategista, eu também era.

— O problema não é esse. O senhor sabe que os meus projetos são eficientes, que a minha equipe é alinhada, que eu sou competente para exercer esse cargo, já dei provas o suficiente. Fala a verdade: qual o seu plano realmente? Isso — apontei para o relatório. — O casamento da Diana com Oliver, o senhor disse que queria a empresa do pai dele, que não passa de uma consultoria pequena, então não sei para que o interesse, afinal não teria muita utilidade, não é? O que quer de fato? Chega de jogos.

Meu pai me olhou e sorriu, com aprovação.

— Você é o melhor dos três, sempre foi — disse. — O mais inteligente, calculista, o único que pode ocupar meu lugar um dia. Hoje nossa empresa é a maior do país, mas tem potencial para ser do mundo. O pai do Oliver tem contatos — muitos — mas falta alguém de confiança para usar essa influência do jeito certo, o homem não vai liberar o ouro sem nada em troca. Aí que entra o casamento. Nós vamos nos tornar globais.

— E o que meu departamento tem a ver com isso, já que é mais um problema do departamento comercial, da Diana? — perguntei.

— Não tinha nada — admitiu ele — até esse relatório chegar ao conselho. Você tem um inimigo, ninguém pode negar. Eu pedi à Auditoria um relatório tendencioso, que apontasse somente as falhas. Não quero saber do que deu certo; só quero saber das falhas, são elas que nossos clientes veem e que nossos concorrentes usam.

— Então espalhou esse relatório para o conselho.

— O medo é uma excelente ferramenta, viu como trabalharam dez vezes mais rápido quando perceberam que poderiam perder o emprego ?

Não pude evitar sentir um certo asco pelo meu pai, aquilo era o que ele fazia de melhor, manipular, jogar, para conseguir o queria, e nem era preciso aquele teatro todo. Ele fazia apenas pelo prazer.

— Eu vou continuar meu trabalho — Era inútil discutir, me levantei e voltei para a minha sala.

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