"Diana"
— Depois do seu casamento com o Oliver, nós vamos nos reestruturar. Seu departamento tem um papel importante. Se você não conseguir dar conta, o César vai te ajudar…
— Eu não preciso da ajuda do César.
— Ou contratar alguém de fora — meu pai continuou falando como se eu não estivesse ali. — Semana que vem sua mãe vai dar um jantar, parece que sua sogra quer conversar sobre a festa. É uma infelicidade o que aconteceu com o Augusto, essa história da cunhada desaparecida só serviu para atrapalhar. Espero que esse casamento dure até o ano que vem, pelo menos. Se o seu irmão fosse mais aberto, poderia deixá-lo escolher uma noiva decente, com uma família decente, não imaginava que essa moça fosse tão complicada. De qualquer forma, é isso. O Oliver também reclamou que você não atende os telefonemas dele…
Bem típico do meu querido noivo reclamar de mim para o meu pai.
— Eu não vou casar com o Oliver — falei com a voz firme.
— Claro que vai. Isso não está em discussão.
— Tem que haver outra forma…
— Diana, você vai casar com o Oliver — meu pai me encarou, daquele jeito que sempre fazia, falando como se eu fosse burra demais para entender as coisas. — Não precisa gastar saliva. Você vai casar com ele do jeito que ele quiser, nos termos da família. Depois que eu tiver o que quero do pai dele, como você vai conduzir isso é problema seu. Mas não quero mais ouvir essa conversinha. Esse seu cargo e suas pretensões só existem porque você é minha filha. O certo seria substituir todos vocês. Então, se ainda quiser ter uma posição aqui dentro, você vai casar com o Oliver e eu tenho certeza de que você quer uma posição aqui dentro.
A ameaça. Sabia que esse momento chegaria, mas não imaginava que ele ameaçaria me demitir.
Saí da sala do meu pai sentindo o corpo tremer de raiva e indignação. Falar qualquer coisa não adiantaria. Minha mãe também era rendida, jamais me defenderia.
Me tranquei na minha sala, encarando a vista pela janela, procurando uma saída que eu sabia que não existia. Meus pensamentos voltaram para a noite do casamento, para dentro daquele carro. Para o cartão guardado no fundo da minha gaveta.
Eu tinha tentado jogar fora, mas fui buscar na lata de lixo. Tentei esquecer, mas as imagens dele me beijando dominavam a minha cabeça. Ouvia a voz dele até dormindo.
Me sentia tensa, louca, querendo sentir aquele beijo de novo, saber se era tudo aquilo mesmo, saber se eu não tinha imaginado o que aconteceu dentro do meu carro. O homem simplesmente não saía da minha cabeça.
Não demorou muito para entender que eu tinha transado com o sócio da Isabella. No cartão tinha o nome dele e da empreiteira, que eu já tinha ouvido falar e sabia que ela trabalhava em uma.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido