"Augusto"
Não era preciso muito raciocínio para entender o que tinha acontecido e, provavelmente, quem tinha ligado era Karen. Isso significava que, esse tempo todo, ela estivera escondida em algum lugar.
Isabella levou horas para chegar, trazida pela equipe de segurança que já estava na cidade. Cada minuto foi uma tortura. O silêncio, a espera, a impotência... Tive que tomar uma boa dose de uísque para não enlouquecer.
Esperei em casa, enquanto Camila buscava a mãe para vir ver a sobrinha.
Quando finalmente chegaram, Isabella me deu um sorriso tímido, que não consegui retribuir. Ainda tentava processar o que tinha acontecido. Indignação, alívio e raiva se misturavam num remoinho de emoções que fervilhavam.
Ela estava bem, sorrindo, com a irmã ao lado, mas eu ainda sentia o corpo inteiro ainda pulsando pelo medo que tinha passado.
Karen estava diferente, era óbvio que tinha passado por momentos difíceis. A última vez que a vi foi na escola e em nada se parecia com essa mulher de agora.
— Nós vamos explicar tudo — disse Isabella, tentando soar calma. — O importante é que ela está aqui agora. Este é meu sobrinho, Heitor.
Karen se adiantou com o bebê nos braços e me estendeu a mão.
— Quanto tempo... Acho que a última vez que te vi foi na formatura. Muito obrigada por tudo. Uma pena não estar muito apresentável — disse, forçando um sorriso.
— Você passou por maus momentos. É compreensível — respondi, contido. — Com licença, preciso falar com a Isa um instante. Sua tia e a Camila estão vindo para cá, pode ficar à vontade.
Isabella me fuzilou com o olhar. Ela percebeu meu tom duro, mas não disse nada. Caminhou atrás de mim até o escritório, onde fechei a porta com força.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou.
— Você quer mesmo que eu responda? — repliquei, cruzando os braços. — Por que diabos fugiu daquele jeito? O que você tinha na cabeça?
— A Karen me ligou pedindo ajuda. Ela pediu pra eu não avisar ninguém, eu só... pensei em ajudar...
— Ajudar? — repeti, interrompendo a expllicação— Despistando os seguranças? Desligando o celular? Me deixando sem saber se estava viva ou morta? É isso que você chama de ajudar?
Isabella me olhou indignada, como se tivesse motivo.
— Ela é minha irmã, ficou sumida por semanas e me ligou pedindo ajuda, não consegui pensar mais nada...
— Sério, Isabella? E se fosse uma armadilha? E se você tivesse sido sequestrada? Em algum momento pensou nas consequências? Pensou na sua família, na sua prima, na sua tia? Pensou em mim?! — minha voz saiu mais alta do que deveria.
— Sério? Você quer questionar as minhas escolhas? Ela é minha irmã, pediu minha ajuda, e eu não ia negar. Sim, foi um erro não dizer para onde ia, mas não me arrependo. Se fosse alguém da sua família, algum dos seus irmãos, tenho certeza de que você faria o mesmo, mesmo que vocês passem mais tempo brigando por causa daquela maldita empresa. Tenho certeza de que ajudaria.
— Claro que ajudaria — respondi, tentando me controlar —, mas não faria algo tão estúpido como pegar um ônibus sozinha para uma cidade desconhecida, muito menos ir para uma casa no meio do nada. Você precisa pensar, Isabella. Está nessa situação, antes de tudo, por ser ingênua demais, por confiar demais. Será que a vida ainda não te ensinou o suficiente?
Percebi que tinha passado do limite. Isabella ficou magoada e ferida, afinal, acabara de reencontrar a irmã.
— Você não tem o direito de falar assim comigo... — murmurou ela.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido