“Camila”
— Você não parece com uma cara boa. Está acontecendo alguma coisa? — César percebeu que eu observava de longe Isabella, minha mãe e Karen, todas em volta do bebê, parecendo uma grande família feliz.
— Estou feliz que o Heitor esteja bem e bem cuidado.
— E a sua prima?
— Acho que vou parecer uma pessoa horrível, não me leve a mal. Eu estou feliz que ela esteja viva e bem, mas passei os últimos dias revirando o passado dela, conversando com ex-amigos… até encontrei um ex-namorado. E tudo o que descobri foi uma mulher oportunista, golpista, ladra… e tantos outros adjetivos que nem sei explicar. Agora, pensando no envolvimento dela com o Carlos… é o casamento de duas pessoas sem caráter. Então, apesar de tudo, sei lá… me desculpe se não pareço pronta para dar um abraço nela.
— Mas as pessoas podem mudar. Olha só pra ela, passou por uma situação difícil, tem um filho… isso muda as pessoas.
— Muda mesmo? Você acredita nisso?
— Acredito que as pessoas merecem uma segunda chance e o beneficio da duvida. Olha o meu irmão, se casou, tenta ser um bom marido, largou a vida noturna e cheia de mulheres.
— Seu exemplo é o seu irmão devasso? Aquele que você nem acreditava que o casamento fosse de verdade? O mesmo que está traindo a minha prima? — Não consegui esconder o sarcasmo na minha voz.
— Ele disse que não está traindo ela...
César se esforçava para acreditar no irmão. Naquele momento, ele e Isabella podiam formar um clube, não era possível que só eu fosse desconfiada e desiludida?
— E como você sabe que não? Sério que acredita na palavra dele?
— Augusto ficou desesperado quando a Isabella sumiu. Você mesma viu. Eu o vi emocionado no casamento, quase em pânico por causa do atraso, imaginando que ela tivesse desistido. Não é possível fingir isso. Ele sente alguma coisa por ela… e, sim, no momento, eu acredito nele.
— Você é uma pessoa melhor do que eu. Olha pra mim, aqui, em dúvida se a minha prima, que sumiu por um mês, fugindo do marido e está em um estado lamentável, está falando a verdade ou não. Acho que tudo o que ouvi sobre ela ficou tempo demais na minha cabeça. Ela pode realmente ter mudado, se arrependido de tudo. Parece ser uma boa mãe. Mas… tem como ser uma boa mãe e, ao mesmo tempo, não ter caráter?
— Tem. — César respondeu com convicção.
Encarei aquele homem que fazia meu coração acelerar. Lindo, atencioso, me ouvia e não me julgava. Eu sabia muita coisa sobre ele, mas não tudo. Não fazia ideia de como era o relacionamento dele com os irmãos, com o pai, com a mãe, enquanto ele conhecia toda a minha história e a da minha família.
Era melhor desviar o pensamento de César, ou eu acabaria remoendo mais uma vez meus próprios sentimentos.
Isabella parecia abalada, apesar do sorriso. Augusto tinha saído quando chegamos, e eu podia apostar que alguma coisa havia acontecido, dava para perceber a tensão no ar. César tinha razão, eu tinha visto o quanto Augusto ficou desesperado enquanto esperava por notícias, era uma preocupação genuina.
Minha prima se aproximou de nós dois.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido