"Isabella"
Ajudei Karen a se acomodar no quarto de hóspedes. Ela tinha apenas uma pequena mala com roupas, e precisei fazer um pedido de compras de coisas para o bebê.
— Sua casa é linda — disse ela, quando mostrei os cômodos, e o quarto que ficaria. Era uma suite bem equipada, ampla com boa iluminação.
Aquela não era exatamente minha casa ainda. Morava ali, é verdade, mas não me sentia dona de nada. Algumas fotos no quarto que mandei imprimir, e só. O resto era como eu tinha encontrado, bonito, elegante, mas sem o meu toque. Gostava da decoração, não reclamava, de vez em quando ainda me sentia comos e fosse visita, ainda não tinha tido tempo de pensar em fazer alguma coisa que tivesse um pouco da minha personalidade.
— Amanhã podemos chamar um advogado, ver o que fazer, quais são os próximos passos — comentei.
O pequeno Heitor por enquanto dormiria ao lado de Karen na cama, até o berço chegar. O dia tinha sido longo, e, depois que tudo se acalmou e ela se acomodou, fui para o meu quarto.
A discussão com Augusto ainda estava fresca na minha mente. Nunca o tinha visto daquele jeito, tão bravo, tão fora de si. Nunca tínhamos brigado daquela forma, nem mesmo quando fui dormir no outro quarto.
Mais uma vez percebi que não conhecemos de fato as pessoas. Augusto sempre tinha estado ao meu lado, me apoiando de todas as formas, oferecendo tudo o que podia. Claro que eu era grata, mas, ao mesmo tempo, ele havia se afastado. E, no fim, o que ainda nos unia era um contrato. Se o casamento acabasse, o contrato ainda existiria.
Quando entrei no quarto, ele ainda não tinha chegado. Esperei um pouco, mas o cansaço venceu, não consegui ficar acordada para ver que horas ele voltaria.
Quando acordei, Augusto já havia saído, não tinha deixado um recado, uma mensagem, nada.
Encontrei Karen no quarto, trocando Heitor, meu sobrinho era um bebê lindo, encantador, um pena que tinha passado tanto tempo longe dele.
— Obrigada por tudo. Nem sei como agradecer — disse ela, com um sorriso cansado.
— Ele dormiu bem?
— Sim, a noite inteira. Só um chorinho, mas logo voltou a dormir. É um bebê bonzinho, não é, amor? — respondeu, pegando o filho no colo. Heitor sorriu para mãe.
Chamei minha advogada para conversarmos sobre os próximos passos de Karen.
Heloísa Teixeira era a mesma que havia cuidado do meu divórcio e também quem guardava o contrato do meu casamento com Augusto.
Discreta e objetiva, não fez comentários quando expliquei que estava ajudando a irmã que tinha me traído.
Karen contou o motivo do sumiço, o medo, as ameaças, a perseguição. Eu tinha comigo o dossiê sobre Carlos, com prints de mensagens, comprovantes bancários e relatórios particulares, tudo o que poderia servir como prova.
Mas por mais que tentasse me concentrar na conversa, minha mente voltava para Augusto, para a fúria dele na noite anterior, para o medo que confessou sentir de que algo pudesse acontecer comigo.
Eu precisava conversar com ele, sem brigas, sem acusações. Estava pronta para pedir desculpas — mais uma vez — quando as fotos chegaram no meu celular.
Nenhuma mensagem, apenas imagens, de um número desconhecido.
Augusto não tinha ido trabalhar. Estava em um bar, rodeado de homens, algumas mulheres... e Juliana ao lado dele, rindo, com a mão na perna dele. Ele, com um copo na mão, o olhar sério, em outra foto os dois estavam mais próximos, ela rindo com a mão no ombro dele. Não tinha um beijo nem nada entre eles, mas não precisava de uma foto para saber que tinha acontecido alguma coisa.
— É possível. Em casos assim, os juízes costumam determinar guarda compartilhada até o processo ser julgado, mas com residência fixa com o pai se ele provar estabilidade. Karen vai precisar de um laudo psicológico, e o Conselho Tutelar pode ser acionado. O processo pode se arrastar por meses, e ele tem dinheiro e de certa forma estabilidade.
Ela suspirou e completou:
— Uma alternativa é pedirmos uma medida protetiva se conseguirmos demonstrar que ela sofreu ameaças, que tinha risco. Isso pode garantir que ele mantenha distância e impedir uma reversão de guarda até a audiência, além do mais precisamos de provas do desvio de dinheiro. Todo esse processo pode custar dinheiro.
— Não se preocupe com custos — respondi. — Faço o que for preciso.
Heloísa sorriu, mas não era um sorriso feliz.
— Realmente, uma boa alma. Eu vou dar andamento no processo de divórcio e guarda. Só uma dúvida... os termos ainda são os mesmos do contrato com Augusto?
Era uma curiosidade válida, ela mesma tinha me avisado do quando era perigoso um envolvimento assim.
— Já faz tempo que as coisas se confundiram.
— Imaginei. Mas, de qualquer forma, o contrato ainda tem validade, não é? — disse, antes de se despedir.
Heloísa foi embora. Eu queria ficar com Karen, ajudá-la, mas minha mente estava em outro lugar. Nas fotos, no celular, na briga.
Era coisa demais para lidar ao mesmo tempo e a minha cabeça não conseguia se concentrar em nada, me sentia tonta e perdida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...