Não consegui mais me segurar. Tinha que falar com Augusto.
Deixei Karen em casa, aliviada por saber que ela estava segura. A casa era vigiada e monitorada, Augusto havia reforçado a segurança depois do episódio da invasão.
Fui direto para a empresa. Me sentia cansada, mas era hora de ter uma conversa definitiva com ele. Augusto não podia simplesmente ter um ataque de fúria e depois sair para se divertir com a “amiguinha”. Não ia tolearar uma coisa dessas, ser humilhada assim dessa forma, mais uma vez, porque nem era a primeira vez que tinha fotos dele com ela.
Ninguém tentou me impedir. Todos já me conheciam ali e, sinceramente, pouco me importava se ele estava em reunião ou não. Abri a porta do escritório sem bater.
Augusto estava sozinho, concentrado em algo no computador. Levantou os olhos calmamente, sem se assustar, como se já esperasse por mim.
— Então quer dizer que todo aquele ataque de fúria, dizendo que estava preocupado comigo, era apenas drama? — perguntei, sentindo o sangue ferver. — Ficou tão preocupado que foi se divertir com a sua amiguinha, é isso?
— Eu não fui me divertir. Só queria espairecer… acabei encontrando alguns amigos.
— Espairecer? É esse o nome agora? — soltei uma risada sem humor. — E eu, idiota, acreditando em você… Enquanto eu me corroía de angústia sem notícias da minha irmã, você estava muito bem, com a sua amante, espairecendo toda noite.
Augusto se levantou, contornando a mesa até ficar diante de mim.
— Ela não é minha amante, eu não tenho nada com a Juliana, eu já falei...
— E eu deveria acreditar na sua palavra? Acreditar que Augusto Salvatore é um santo? Você é meu marido e quando mais precisei você me deixou sozinha!
— Você se isolou, Isabella. Não me deixava me aproximar, não procurava ajuda… e mesmo assim fiquei ao seu lado dando todo apoio possível, todo os dias. Mas você optou por se isolar...
— Então a sua solução foi se afastar ainda mais? Ir correndo para o colo da sua amiguinha? — revidei, tremendo de raiva. — Isso nunca vai dar certo. Você nunca vai mudar, Augusto. Mais cedo ou mais tarde vai precisar sair do personagem e ser quem sempre foi.
Nos encaramos por um momento, podia sentir que o abismo entre nós ficava maior, quase intransponível. A discussão girando em circulos não chegando a lugar nenhum.
— Eu só precisava de um tempo longe...— Ele tentou explicar, conseguia perceber que se controlava.
— Longe de mim? Da nossa casa? Longe dos problemas que eu trouxe pra sua vida? — interrompi com a voz falhada.
— Não Isabella, longe do que você me fez sentir quando achei que nunca mais voltaria viva pra casa!
Ele ficou em silêncio por um instante, o olhar duro. As lágrimas que eu tinha lutado para segurar, queriam sair, e senti os olhos ficarem embasados.
— Isabella, eu...
— O que está acontecendo aqui? — A porta se abriu de repente. Diana entrou, cruzando os braços. — Isso aqui é uma empresa. Vocês esqueceram? Dá pra ouvir esse barraco do andar de baixo.
— Diana, não se intromete, isso não é da sua conta — Augusto ameaçou, irritado.
— Ah, mas é sim, maninho — ela respondeu, debochada. — Seu pai, que, por acaso, é meu também mandou eu vir aqui e acabar com essa palhaçada e mandou que vocês fossem lavar a roupa suja em casa. Recado dado.
Ele não retrucou. Mandou o motorista ir o mais rápido possível.
O caminho até o hospital foi um borrão. Tentava me concentrar, porque mas a sensação de fraqueza me fazia ter a sensação que apagaria a qualquer momento.
Fui levada direto para a emergência. Augusto falava com os médicos e enfermeiros o tempo todo. Pediram uma bateria de exames, inclusive um de gravidez.
Quando ouvi aquilo, meu coração disparou. Fazia tanto tempo desde o último… e, mesmo sabendo que era improvável, algo dentro de mim se agitou. Desde que começamos a transar, tinha ido ao médico, tomava remédio, tudo certinho… mas ainda assim, a possibilidade me deixou tensa.
Me lembrei da expectativa, da decepção, era muita coisa.
Deitada, recebendo soro, acabei dormindo. Quando acordei, o médico estava com os resultados, e Augusto ao lado, atento.
— Você está com anemia — o médico explicou. — Um pouco grave. Vamos começar o tratamento ainda hoje e mais tarde já pode ir para casa.
— E o exame de gravidez? — perguntei, minha voz soou fraca.
O médico olhou para mim e respondeu com serenidade:
— Deu negativo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...