"Augusto"
Senti alivio, mas expressão de Isabella mudou quando o médico disse que o exame tinha dado negativo. Eu sabia que ela sonhava em ser mãe, mas não imaginava que um exame negativo fosse algo tão doloroso.
Ela precisava tomar suplementação de ferro e mais alguns rémedios. Comendo mal, dormindo mal… o corpo tinha cobrado o preço. Fiquei ao lado dela o tempo todo, mas depois da visita do médico Isabella ficou calada, olhando para o teto. Eu tinha certeza de que o silêncio não era por causa da minha saída, nem pela foto com a Juliana, naquele momento era por causa do exame.
Eu nunca tive desejo de ser pai. Nós nunca conversamos propriamente sobre isso. Na verdade, ela já tinha comentado, mas nunca perguntou o que eu queria. E, por um momento, tentei imaginar como seria se o exame tivesse dado positivo. Como seria nossa vida? Nosso casamento?
Mas era uma hipótese que eu não conseguia imaginar. Assim como não conseguia imaginar o futuro do nosso casamento. No momento, nada ia bem. Tudo desmoronava de todas as formas possíveis.
Diana ainda estava na sala de espera, e eu não fazia ideia do motivo de ela continuar ali.
— Ainda aqui? — perguntei ao ir chamar o motorista.
— Eu tive que avisar as pessoas. Como sei que você não vai responder ninguém, fui atualizando. Isso inclui o César, que avisou a família, e a nossa família também perguntou o que aconteceu. E como ela está? — Era uma pergunta estranha, já que não eram próximas.
— E você se importa?
— Não sou um monstro, Augusto. A Isabella só me irrita porque caiu na própria armadilha e se apaixonou por você e ainda por cima aceitou casar, nem por isso quero desejo que fique doente.
— Ela está bem. Está sendo medicada e logo vamos para casa.
— Ela está grávida?
— Não.
— Já imaginou? Você, pai?
Não tive paciência para continuar a conversa e fui atrás do carro.
Não tinha como imaginar eu sendo pai, não tinha a menor condição, apesar de como me sentia em relação a Isabella, de todo o sentimento envolvido, ser pai estava fora de cogitação, entretanto compreendi a dimensão do desejo de Isabella de ser mãe, ou seja, nossos desejos no momento não eram compatíveis.
Diana foi embora e levei Isabella para casa. Ela estava bem melhor e conseguiu andar sozinha. A irmã dela estava na sala com o bebê, ansiosa, esperando notícias.
Ajudei Isabella a sentar no sofá e expliquei rapidamente o que tinha acontecido. Fazia apenas um dia que Karen estava ali, mas eu ainda não sabia o que pensar dela. Era estranho ter outra pessoa na minha casa. Nunca tive problema com Isabella; no começo tudo com ela era simples, fácil. Eu sentia falta daquela simplicidade antes de tudo isso nos engolir.
A briga ficou para depois. Isabella subiu para o quarto, tomou um banho e dormiu. Fiquei ali olhando para o nada, tentando entender para onde minha vida tinha ido.
Na noite anterior, Juliana tinha chegado no bar querendo conversar e se distrair, conversamos, falamos de outras coisas, ouvi a conversa dela com os outros e me senti estranho. Meu desejo era que Isabella estivesse ao meu lado — rindo, se divertindo, conversando. Juliana não fez nenhuma insinuação, só conversou com a turma, contando da vida.
Eu não fazia ideia de quem tinha tirado a foto, e a imagem não mostrava nada demais, ela apenas tinha se aproximado porque o barulho em volta era muito alto, e eu não conseguia ouvir direito. Mas com o meu histórico, isso não importava. Eu sempre seria o culpado.
Tomei um banho, me troquei e desci para comer alguma coisa. Pipoca dormia na caminha e veio atrás de mim. Ainda precisava encontrar o Caramelo, o gato provavelmente tinha se escondido por causa da movimentação repentina na casa.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido